A Casa dos Pesadelos

Marcos DeBrito

Editora: Faro Editorial

Páginas: 144

Ano: 2018

Sinopse:

Dez anos depois de estar cara a cara com aquela assombração, Tiago finalmente concorda em voltar à mesma casa para visitar sua avó. Agora adolescente, ele pretende provar para si mesmo, que a terrível imagem que o aterrorizara nas madrugadas por tanto tempo, não passava de uma criação tenebrosa da infância. Mas, ao chegar no casarão, o jovem se depara com o misterioso quarto de seu falecido avô, agora mantido fechado, e tratado como espaço proibido. As restrições com relação ao aposento, as sensações e barulhos no meio da noite logo alimentam nele a suspeita de que algo terrível habita o local. Tomado por uma estranha coragem e desejo de ver-se finalmente livre do medo, tudo que o rapaz deseja é descobrir o que há por trás daquela porta. Então, o pesadelo toma novo impulso quando a figura sombria da infância mostra-se real novamente... mas, desta vez, ela quer atacar o seu irmão mais novo. Determinado a impedir que o caçula passe por terror semelhante, Tiago, mesmo apavorado, decide enfrentar a criatura. E o que descobre expõe terríveis segredos do passado que ninguém poderia imaginar.

Resenha:

Durante a fase mais profunda do sono, conhecida como REM (sigla em inglês para movimento rápido dos olhos), os seres humanos estão suscetíveis a sonhos bons, ou ruins. E é ai que surgem os tão temidos pesadelos. Esse período do sono pode durar até meia hora e se repetir até seis vezes por noite.

Em A casa dos pesadelos, conhecemos a história do jovem Tiago, que há dez anos ao visitar a casa de sua avó, viu uma assombração sinistra que o assustou profundamente. Aos seis anos de idade ele não sabia identificar se o que viu era real ou apenas um pesadelo.

“Se tivesse a opção, jamais retornaria. Porém, não queria atravessar toda a adolescência com horror de algo que sua terapia o fizera questionar se de fato era real.” (Página 15)

Bem mais crescido e disposto a encarar os traumas do passado que danificaram a sua infância e adolescência, ele acompanha a mãe e o irmão caçula a uma nova visita a casa de sua avó. Tiago queria mais do que tudo mostrar para si mesmo que a assombração era fruto de medos infantis e não algo real.

Anos se passaram e algumas coisas continuam as mesmas, o quarto de seu falecido avô, ainda é um local trancado e proibido de entrar. Sua avó Celia nunca permitiu a entrada de ninguém naquele quarto, mesmo quando Tiago era criança e acreditava que lá era a morada da temível assombração.

“Não procure as lembranças que te incomodam só pra ficar remoendo os sentimentos ruins. Busque, ao menos, a recordação das coisas boas que esta casa deixou em você.” (Página 31)

Quando a monstruosa assombração de sua infância ressurge dessa vez para investir contra seu pequeno irmão, Tiago decide que é hora de agir e descobrir de uma vez por todas o que de fato é essa criatura que lhe destruiu a vida e impedir que ela faça o mesmo com o irmão.

Mesmo mortificado de tanto pavor, chegou a hora de descobrir se tudo era apenas um pesadelo ou algo real. E as descobertas são mais medonhas do que se poderia imaginar, o passado deixa marcas, e marcas terríveis.

“Se para alguns o sarcasmo era o refugio dos fracos, como definido por um especialista francês, para tantos outros era a arma para sobreviver nas ruínas da hipocrisia.” (Página 98)

Meus caros, que história surreal! Eu já sabia que o Marcos DeBrito era um gênio através de O Escravo de Capela, mas a narrativa que ele criou por aqui me deixou chocada. Mas chocada com o talento enorme desse homem em criar histórias. Eu passei o livro todo pensando sobre o que seria essa assombração, e se ela realmente existia ou era fruto de pesadelos do Tiago, a narrativa me conduziu a vários caminhos e quando a verdade finalmente veio à tona, eu surtei, sofri, gritei e quis entrar na história e salvar aquele pobre garoto de todo o sofrimento.

Mais uma vez a Faro Editorial arrasou na diagramação, está tudo tão lindo que fiquei horas apreciando a beleza do exemplar. Esse é um livro forte, mas que leva o leitor a pensar em toda a maldade que existe no mundo, e que ninguém nunca é quem diz ser. O mal existe e sempre existiu, e está bem mais próximo do que podemos imaginar. Recomendo essa leitura e lhes aconselho a manterem os olhos bem abertos durante a noite, afinal, nunca sabemos o que está ao nosso redor.

4 Comentários

  1. Marina Mafra30 abr, 2018Responder
    • Kalyne Lauren02 maio, 2018Responder
  2. Anne Hølt Muller03 maio, 2018Responder
    • Kalyne Lauren07 maio, 2018Responder

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