A Descoberta da Currywurst

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Editora: Dublinense

Páginas: 192

Ano: 2015

Sinopse:

Enquanto conta para um entrevistador a origem da currywurst, Lena Brücker reconstrói a atmosfera de um país ocupado ao fim da Segunda Guerra, à espera do colapso iminente, e revive a sucessão de fatos que levaram à descoberta do prato que viria a se tornar um símbolo da nova Alemanha. Este caminho perpassa a solidão de quem vê a família inteira ir para o front, os improvisos que possibilitam a sobrevivência em tempos de guerra, a constante vigilância do regime nazista e a uma relação obsessiva com um soldado muito mais jovem, a quem deu abrigo e transformou em desertor de guerra e seu amante.

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A Descoberta da Currywurst foi o livro de outubro do clube de assinaturas Pacote de Textos, o autor é alemão e já escreveu outros livros ambientados na Segunda Guerra Mundial. Confesso que foi uma leitura completamente fora da minha zona de conforto e que não teria o lido não fosse o clube. Após engatar no ritmo da leitura, devorei a história em poucos dias.

Você sabe o que é currywurst? É um típico prato alemão, feito com salsicha de vitela, curry, ketchup, baunilha, noz moscada, erva-doce, pimenta preta e sementes frescas de mostarda. O narrador do livro, do qual não sabemos o nome, sempre que ia na casa de sua tia durante a infância, já na pós guerra, costumava comer este que se tornou seu prato favorito na barraquinha da dona Lena Brücker. Quando adulto, após muitos anos, ele volta à Hamburgo, sua cidade de origem, para provar aos seus colegas de trabalho de Munique que foi a senhora Brücker quem descobriu a currywurst. Ao encontrá-la numa casa de repouso, já com perda total de visão, ela começa a contar a longa história, desde quando escondeu um soldado alemão em sua casa durante a guerra até finalmente a descoberta.

Aventurava-se com receitas que, antigamente, quando ainda havia todos os ingredientes, nunca teria cozinhado. Fazer muito com pouco, ela dizia, cozinhar com as lembranças. Conhecia-se o sabor, mas não se tinha mais os ingredientes, era isso!, a lembrança daquilo que não se podia mais ter, ela buscava uma palavra que pudesse descrever esse sabor: um sabor de lembrança.

Este é um livro que no começo exige um pouco mais de atenção do leitor, pois sua narração é um discurso indireto livre, aquele em que mistura a fala do personagem com a narração em terceira pessoa na mesma frase. Portanto, no primeiro capítulo fui me ambientando à história, degustando aos poucos, e a partir do segundo minha leitura passou a ser mais rápida. O livro é dividido em sete capítulos, todos um pouco longos, mas que te prendem à história.

Eu não esperava que o livro focasse tanto na Segunda Guerra Mundial. Na verdade, eu não sabia o que esperar dele além de entender o que é o currywurst e sua origem e o que o romance de Lena com o soldado teria a ver com isso. Este fato, porém, foi uma das melhores surpresas para mim, que leio pouco de História, e não sou muito boa nesse tema. E melhor ainda: nunca havia lido um livro que mostrasse o lado dos alemães, aqueles que tiveram que participar da guerra ou que a assistiram sem concordar com o que estava acontecendo ou até mesmo sem entender. Ver, mesmo que ficcionalmente, o que os cidadãos passaram durante aquele período mexeu muito comigo. Acredito que o autor, que nasceu no ano 1940, deva ter visto e ouvido de conhecidos o que viveram naqueles dias e usou como inspiração para escrever.

A personagem de Lena Brücker é maravilhosa. Uma senhora que viu o marido partir no começo da guerra e viveu sozinha durante seis anos, cuidando de seus filhos, e que após conhecer Bremer, o soldado alemão, se apega aos afagos dele. É aí que ela conta ao narrador sobre o emprego que tinha, o que ouvia falar, as pessoas que convivia que estavam envolvidas na guerra, as notícias que lia, entre outras coisas, até chegar ao ponto de sua descoberta.

Foi um dia em que trocamos apenas algumas frases. Mas quando caminhávamos na chuva, ficou evidente para mim, através da pressão suave em meu braço, a força que custou a essa mulher viver sua vida e ainda preservar sua dignidade.

Essa foi uma leitura deliciosa, cheia de aprendizado, que despertou em mim mais interesse pela Segunda Guerra Mundial. É um livro que deve ser devorado com calma, e que eu super indico a quem quer aprender mais sobre História lendo ficção e deseja sair de sua zona de conforto.

6 Comentários

  1. Marina Mafra24 dez, 2019Responder
    • Hannah Monise06 jan, 2020Responder
  2. Le25 dez, 2019Responder
    • Hannah Monise06 jan, 2020Responder
  3. Vitor de França Mello Franco25 dez, 2019Responder
    • Hannah Monise06 jan, 2020Responder

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