A princesa salva a si mesma neste livro

Amanda Lovelace

Editora: Leya

Páginas: 208

Ano: 2017

Sinopse:

Amor e empoderamento em versos que levam os contos de fada à realidade feminina do século XXI.A princesa salva a si mesma neste livro, de Amanda Lovelace, é comparado ao fenômeno editorial outros jeitos de usar a boca, de Rupi Kaur, com o qual compartilha a linguagem direta, em forma de poesia, e a temática contemporânea. É um livro sobre resiliência e, sobretudo, sobre a possibilidade de escrevermos nossos próprios finais felizes. Não à toa A princesa salva a si mesma neste livro ganhou o prêmio Goodreads Choice Award, de melhor leitura do ano, escolha do público. Esta é uma obra sobre amor, perda, sofrimento, redenção, empoderamento e inspiração. Dividido em quatro partes ("A princesa", "A donzela", "A rainha" e "Você"), o livro combina o imaginário dos contos de fada à realidade feminina do século XXI com delicadeza, emoção e contundência. Amanda, aclamada como uma das principais vozes de sua geração constrói uma narrativa poética de tons íntimos e cotidianos que acolhe o leitor a cada verso, tornando-o cúmplice e participante do que está sendo dito.

“A princesa pulou da torre & ela aprendeu que podia voar desde o começo – Ela nunca precisou daquelas asas.”

Quero começar essa resenha dizendo que este não é, de forma alguma, um livro sobre contos de fadas! Contos de fadas nos fazem suspirar, sonhar com um príncipe encantado, ter um “felizes para sempre”. “A princesa salva a si mesma neste livro” mostra a realidade de várias meninas e mulheres do século XXI, incluindo a da própria autora. E muitas vezes, essa realidade dói. Mas Amanda Lovelace consegue nos mostrar, por meio da sua história e de uma narrativa tão intima, que a dor é nescessária e nos faz chegar a lugares inimagináveis.

O livro é dividido em quatro partes: A princesa, A donzela, A Rainha, e Você. “A princesa” conta o início da história da autora, relatando traumas de sua infância e adolescência. Amanda fala sobre seu relacionamento conturbado com a mãe e como ele deixou marcas profundas e doloridas, sobre seus problemas de autoimagem, sua primeira vez, e a solidão que boa parte das adolescentes sente nessa etapa da vida.

“Chegou um tempo em que a poesia me mostrou como sangrar sem a nescessidade de sangue.” (p. 44)

“A donzela” fala sobre relacionamentos que quebram corações e destroem um pouco quem você é, conta sobre perdas enormes para a autora, sobre o quão doloroso o processo de luto pode ser, e sobre como podemos nos reerguer depois da dor. Amanda consegue transmitir, por meio de suas palavras, todo o sofrimento vivenciado naqueles momentos, e particularmente me peguei derramando algumas lágrimas quando ela fala sobre a irmã.

“Ela uma vez fez a promeça de me salvar, quando desde o começo, nós é que deveríamos tê-la salvado de si mesma.” (p. 82)

Em “A rainha”, Amanda conta sobre como o amor genuíno a ajudou a crescer e começar a superar seus maiores traumas, descrevendo uma relação doce, leve e sincera – algo que todos nós merecemos ter. É a parte do livro que faz nosso coração ficar um pouco mais leve após os “tapas na cara” dos capítulos anteriores, trazendo um pouco de calma após o caos – o que parece ser exatamente o que Amanda sentiu enquanto escrevia.

“Ele me abriu como um livro & derramou a poesia dentro de mim outra vez.” (p. 133)

Por fim, em “Você” nossa autora faz diversos questionamentos que nos fazem repensar a forma como somos tratadas – pelos outros e por nós mesmos– desde a infância, e o porquê de aceitarmos isso mesmo que nos machuque.  É um capítulo onde as mensagens foram escritas especialmente para quem está lendo, tentando nos fazer enxergar coisas que Amanda aprendeu com a dor, e em cada página você se pega refletindo sobre as palavras que ela escreve e que marcam nosso coração de uma forma linda – mas, muitas vezes, incômoda.

“Escreva sua história. Enfie suas mãos nas partes mais sujas de si mesma. Pegue a podridão & a deterioração & transforme-as em alimento & vida. Regue a planta & cante para ela & a coloque na luz do sol. Cultive um belo jardim das suas dores & ensine a si mesma como crescer a partir disso. Escreva sua história.” (p. 170)

Eu me apaixonei por esse livro desde a primeira página, sentindo que muitas delas se encaixavam perfeitamente na minha vida. São textos que realmente te fazem questionar a forma como você tem se tratado, e como tem permitido que os outros te tratem também. Para mim, foi aprendizado a cada palavra. “A princesa salva a si mesma neste livro” é inspirador, acolhedor, avassalador, empático, e ao mesmo tempo muito doloroso. Caso você decida se aventurar nessa história, aqui vai um conselho: leia cada página com calma, absorvendo as palavras, sentindo o impacto que elas terão sobre você. É um processo de autoconhecimento lindo e que vale muito pena de ser vivido!

2 Comentários

  1. Marina Mafra07 nov, 2019Responder
    • Mariana Makluf08 nov, 2019Responder

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