A Verdade Sobre Amores e Duques

Laura Lee Guhrke

Editora: Harlequin

Páginas: 320

Ano: 2018

Sinopse:

Henry Cavanaugh, duque de Torquil, anseia por uma vida ordenada e previsível. A única que o ajuda com isso era a mãe... até ela se apaixonar por um artista e decidir seguir o conselho amoroso de Lady Truelove, largando tudo para seguir os desejos do coração. Agora Henry vai exigir que a mulher mexeriqueira que deu aquele conselho imprudente o ajude a impedir que o nome da sua família acabe na lama.

Resenha:

Aconselhar alguém nunca é uma tarefa fácil. Conselhos errados ou dados no calor da emoção, sem pensar e analisar a questão de forma correta, podem levar uma pessoa a seguir por caminhos tortuosos. Mas e quando alguém se torna uma conselheira amorosa através da coluna de um jornal?

“A vida é uma experiência curta e frequentemente dolorosa, e devemos abraçar a felicidade onde conseguirmos encontrá-la…” (Página 14)

Londres, julho de 1892, o apogeu da era vitoriana. O rigoroso Duque de Torquil, Henry Cavanaugh quer viver o mais de acordo possível as regras e costumes impostos pela sociedade. Sendo o responsável pela família depois da morte de seu pai, cabia a ele tomar todas as decisões pelo melhor futuro de seus parentes. Tudo ia bem até sua mãe se apaixonar por um artista e resolver seguir o coração e se casar com o mesmo, após ouvir os conselhos de Lady Truelove.

“— Um dia desses, Irene, a impertinência será o seu fim.
— Tenho certeza de que o senhor tem razão — respondeu ela, tentando parecer devidamente repreendida. — Mas, francamente, papai, duque ou não, o que aquele homem poderia fazer comigo?” (Página 52)

Para a sociedade esse casamento seria um verdadeiro escândalo e macularia o nome da família Cavanaugh, impedindo que as irmãs mais novas de Henry, encontrassem pretendes aptos para o matrimônio. O duque decide imediatamente encontrar a misteriosa conselheira e exigir que ela o ajude a arrancar sua mãe das garras desse artista e salvar o nome de sua família da lama. Afinal, tudo é culpa do conselho de Lady Truelove.

“Irene foi lembrada de que, apesar de ser o homem mais bonito que já vira, sua beleza ficava em segundo lugar ao concorrer com sua arrogância.” (Página 71)

Naqueles tempos tudo o que a sociedade mais recriminava era a independência das mulheres. E Irene Deverill é uma mulher que contraria todas as normas de etiqueta que a sociedade londrina prezava. Além de trabalhar na direção de um jornal, ela é uma sufragista convicta e solteira, sem planos nenhum de se entregar ao matrimônio.

“Torquil podia ser extremamente irritante, terrivelmente rígido. Mas, ainda assim, Irene não podia negar o amor dele por sua família. Era, agora ela sabia, absoluto e generalizado — o centro de seu mundo. Até então, Irene não havia realmente analisado quanto aquela qualidade estava enraizada no duque, nem quão atraente podia ser. Na verdade, sequer sabia que homens assim existiam.” (Página 165)

Ao procurar por Lady Truelove, Henry se depara com Irene, e a obriga a ajudá-lo com toda essa situação problemática envolvendo sua família. Mas a jovem dama só enxerga no duque, uma pessoa prepotente, arrogante, e que passa pelas vontades das pessoas ao seu redor, priorizando apenas o que é correto e aceito pela sociedade.

Irene descobrirá que as pessoas nunca são aquilo que aparentam ser, e que Henry é bem mais do que o severo duque de Torquil. Ele é um ser humano encantador apesar da fachada rígida, e despertará sentimentos inimagináveis em nossa adorada dama.

“Você quer mudar o mundo, querida — acrescentou, sorrindo com tanta ternura que o momento de apreensão de Irene se esvaiu. — E estou acostumado demais em me contentar com o mundo do jeito que ele é.” (Página 269)

Um livro encantador que retrata de forma histórica a luta das mulheres pelo seu papel na sociedade, pela autonomia de seguirem uma profissão, terem direito ao voto e serem donas de si. Amei a forma como a autora abordou os preconceitos existentes na sociedade londrina, e a personagem forte e determinada que ela criou.

Amo romances de época, e amo ainda mais quando eles me fazem questionar como era a vida nesses tempos. Laura Lee Guhrke acertou em cheio ao usar fatos reais em uma história fictícia. Isso deu ao livro uma perspectiva totalmente diferente do que é esperado em um romance.

Esse é o primeiro volume da série Querida conselheira amorosa, e mal posso esperar pelos próximos. Preciso parabenizar a Harlequin pela diagramação maravilhosa e por dar ênfase na publicação de romances de época. Eu amo essa editora.

 “Com aquela confissão, o coração dela pareceu ser arrancado por completo, estraçalhando seu peito e tombando direto nas mãos dele. Naquele momento, Irene se apaixonou.” (Página 285)

01 Comentário

  1. Marina Mafra31 mar, 2018Responder

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