Areia Movediça

Anne Holt Muller

Editora: Midnight

Páginas: 402

Ano: 2018

Sinopse:

Londres, 1997. O mundo está em meio a uma sangrenta Terceira Guerra Mundial que arrasa sua população. Em um lugar remoto de Londres, cidade que há muito perdera seu encanto, Kathleen, aos cinco anos de idade, presencia a morte dos pais, assassinos que trabalham para a Ordem. Dez anos se passaram. A Ordem aproveitou-se da fraqueza nos tempos da Guerra para assassinar grandes líderes mundiais e exerce uma rígida ditadura sob a população drasticamente reduzida para um bilhão de habitantes, estrategicamente organizada onde a nova Ordem possa vigiá-los. Quando é traída por sua tia e mandada para iniciar seu treinamento, ela se vê obrigada a matar contra sua vontade para sobreviver, porém, ao conhecer Faust Augustin, o temido Governador, Kathleen sofre sucessivas tentativas de assassinato que desencadeiam um efeito borboleta em sua vida, o que a leva a acabar sem memórias e nas mãos de Faust, mal imaginando que o homem de mais poder no mundo é, na verdade, um agente duplo infiltrado na Ordem. E que ninguém é confiável.

Resenha:

Não faz muito tempo realizamos uma Seleção de Parceira para autores nacionais aqui no blog.

O retorno foi bem positivo, tanto que resolvemos dar aos leitores a oportunidade de escolher um livro da nossa literatura para que fosse resenhado por uma de nós.

Dentre as indicações, “Areia Movediça” da Anne Holt Muller foi o livro sorteado.

A resenha de hoje é especialmente para os leitores que o indicaram.

“Há pessoas que irão querer matá-la por ser minha filha, e lamento deixar para você esse legado. Mas você é uma Bähr, você é forte, você pode fazer qualquer coisa.” (Capítulo 3)

Kathlenn Bähr é a protagonista dessa distopia. Seus pais, Manfred e Jocelyn, foram mortos em sua frente quando tinha apenas cinco anos de idade. Eram assassinos de aluguel em uma organização denominada Ordem. Embora fosse ainda uma criança, Kathleen foi preparada por seus pais para a possibilidade de esse fato ocorrer, embora nunca tenha presenciado a natureza violenta da atividade que exerciam.

O ano é 1997 e o mundo está enfrentando a Terceira Guerra. A Ordem encontra uma brecha no caos e inicia uma matança a grandes líderes mundiais com o intuito de tomar o poder, além de causarem um grande genocídio.

Ferida e em meio ao assassinato dos pais e à desordem causada pela Guerra, Kathleen fica aos cuidados da sua tia, Lilian.

Dez anos se passaram. Ao completar dezesseis anos, Kathleen é enviada à Ordem acreditando que se trata de uma visita para ter acesso aos documentos de sua família, onde poderia encontrar uma resposta ao assassinato dos pais. Kathleen quer justiça. Entretanto, ao chegar lá, descobre que foi traída por sua tia e que, na verdade, foi enviada para iniciar seu treinamento. A partir do momento em que passou pelos portões da Ordem, Kathleen se tornou um membro da organização.

“Lentamente, minha vida antiga ia se apagando, desaparecendo, era como se eu tentasse segurar areia com os dedos. Ela sempre encontrava um jeito de escapar.” (Capítulo 8)

Esse fato a coloca frente a frente com o grande ditador desse novo mundo, o Governador Faust Augustin, um homem extremamente misterioso, que tem uma história de vida aparentemente desumana – como a Kathleen vem saber depois – algo que talvez justifique sua personalidade fria e cruel. Sem saber o que fazer, ela decide ficar, pois tem grande expectativa em encontrar as respostas que tanto quer a respeito das mortes de Manfred e Jocelyn.

Após iniciar o treinamento, sendo que parte dele é feita pelo próprio Augustin, nossa protagonista sofre alguns atentados. Kathleen ainda não sabe a real intenção do Faust em treiná-la e mantê-la na Ordem. Além disso, descobre acidentalmente que talvez ele seja alguém infiltrado, fazendo-a desconfiar cada vez mais dos seus propósitos.

Em meio às tentativas de assassinato, uma fuga frustrada e o mistério envolvendo o Governador, Bähr é sequestrada e torturada por alguém do seu passado e tem sua memória apagada.

“Tudo o que fiz durante um longo momento foi observar meu reflexo no pequeno espelho, (…) encarar meus próprios olhos como se procurasse em um reflexo sem vida as respostas que me explicariam como minha vida tinha dado errado ao ponto de eu acabar em um hospital, ferida, sem memórias, sem uma vida, apenas com um homem misterioso que, por algum motivo, se importa o suficiente comigo.” (Capítulo 18)

Após resgatá-la, Faust aproveita-se de sua falta de memória para distorcer fatos e ganhar sua confiança. Embora esteja nessa situação e sentindo que de alguma forma Faust seja um homem confiável, a intuição de Kathleen lhe diz que há algo errado em toda essa história.

Quem é, na verdade, Faust Augustin? Qual o seu propósito dentro da Ordem? E o mais importante: qual o papel de Kathleen nisso tudo?

Kathleen é uma personagem que me ganhou desde o início. Apesar de tudo o que sofreu com a morte dos pais e de ter sido jogada na vida que eles levavam dentro da Ordem, a protagonista mostra para quê veio, com sua determinação e perspicácia incríveis.

O Faust é um personagem que me intrigou demais. Muito misterioso. Foi difícil decifrar algumas coisas sobre suas intenções, ainda mais após resgatar uma Kathleen sem memórias.

Há outras personagens, claro, que tornam a trama ainda mais misteriosa, instigante e perturbadora. Para quem gosta de histórias com enigmas e muita ação, essa é uma boa pedida.

Agradeço em nome da Corujinha a todos os leitores que participaram desse sorteio, por terem indicado muitos livros legais e, principalmente, por valorizarem a literatura nacional.

2 Comentários

  1. Marina Mafra31 maio, 2018Responder
  2. 31 maio, 2018Responder

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