AS LUAS DE JÚPITER

Alice Munro

Editora: Biblioteca Azul

Páginas: 296

Ano: 2018

Sinopse:

Espirituosa, sutil, apaixonada. A autora canadense Alice Munro, vencedora do prêmio Nobel de Literatura, traz, em sua quarta coletânea de contos, histórias sobre o conteúdo e as oscilações – os emaranhados e relações – dos sentimentos femininos: o passado pobre que envergonha a esposa diante do marido; o homem casado que, diante de uma fatalidade, resolve assumir uma nova vida com a amante; o marido que não se sente mais atraído pelo corpo envelhecido da mulher. Paixões desesperadamente concebidas, afeições traídas, casamentos estabelecidos e desfeitos: as alegrias, os medos, os amores e os despertares femininos ecoam ao longo dessas doze histórias inesquecíveis, trazendo à tona a dor excepcional – e ainda inescapável – do contato humano. As luas de Júpiter retrata mulheres que, embora aparentemente frágeis, revelam personalidades surpreendentes e corajosas, enfrentando com lucidez a vida, suas alegrias e pesares, suas lutas e decepções. São criaturas de uma autora que nunca cega seu olhar para o que pulsa e vive.

“Estou deitada na cama, ao lado da minha irmãzinha, escutando a cantoria no quintal. A vida é transformada por essas vozes, por essas presenças, pela animação delas e por sua estima grandiosa, que sentem por si próprias e umas pelas outras.”

(Chaddeley e Fleming — Página 30)

Às vezes me deparo com livros que não trazem em suas histórias acontecimentos expressivos, com um objetivo significativo ou grandes mistérios. Dependendo da maneira como o autor conduz a trama, tudo acaba ficando maçante e abandonar a leitura torna-se a melhor opção.

As Luas de Júpiter é um livro de contos que contém exatamente esse traço de simplicidade, onde, à primeira vista, não há nada de extraordinário. Entretanto, a escrita da Alice Munro é excepcional e o que era simples passa a ter um grande significado. Quando menos se espera, o leitor já chegou à última página.

“Há um limite para a quantidade de sofrimento e caos que você aguenta, por amor, assim como há um limite para a quantidade de bagunça que dá para aguentar numa casa. É impossível saber o limite de antemão, mas a gente sabe quando chegou lá. Acredito nisso.”

(Bardon Bus — Página 163)

Alice Munro é uma das mais importantes escritoras da atualidade. Sua vasta obra lhe rendeu muitos prêmios literários, inclusive o Prêmio Nobel da Literatura, o primeiro da história para uma autora de contos.

Não sou uma leitora frequente desse gênero, tenho preferência por romances com uma única história, mas esse foi um livro que com certeza me marcou.

As Luas de Júpiter foi publicado originalmente em 1982, mas os temas trazidos por Munro são muito atuais e essa foi uma das coisas que mais me agradaram durante a leitura.

“Certa vez, quando minhas filhas eram pequenas, meu pai me disse: “Sabe, aqueles anos em que vocês estavam crescendo – bom, é tudo meio que um borrão para mim. Não consigo distinguir entre um ano e outro”. Fiquei ofendida. Eu lembrava de cada ano isolado com dor e clareza.

(…) Esses anos confusos são os anos que nossos filhos vão recordar pelo resto da vida.”

(As Luas de Júpiter — Páginas 281/282)

O livro da dica de hoje é composto por 12 contos que tratam basicamente do cotidiano. Não são histórias com início, meio e fim. Elas contam um momento específico da vida de suas personagens, trazendo à tona as inquietações, os anseios, as lembranças e toda a carga emocional que cabe naquele pedacinho de suas trajetórias.

São famílias, mulheres, amigos, amantes, pais, filhos e casais que compartilham com o leitor, de maneira bem realista, situações do dia a dia com temas que variam entre conflitos familiares, adultério, reencontros, relacionamentos conjugais, sexualidade, questões de gênero e questões culturais.

As narrativas são curtas, portanto optei por não fazer um resumo de cada conto, evitando, assim, soltar algum spoiler.

O fato de a narrativa da Alice Munro ser bem realista torna impossível a quem lê não se identificar de alguma forma com as histórias contadas em As Luas de Júpiter. Daí eu volto àquela questão que falei no início do post sobre simplicidade. São contos simples, sem grandes acontecimentos, mas que espelham a realidade de uma forma muito bela.

A Edição que eu trouxe para vocês é um dos mais recentes lançamentos da Globo Livros com o selo Biblioteca Azul.

Gostei muito da sua escrita e não pretendo parar por aqui. Existem outras obras renomadas da autora publicadas pela mesma Editora e que eu já adicionei à minha lista infinita de desejados.

Até a próxima!

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