Breves respostas para grandes questões

Stephen Hawking

Editora: Intrínseca

Páginas: 256

Ano: 2018

Sinopse:

Em textos inéditos, o físico e autor do best-seller Uma breve história do tempo nos presenteia com seus pensamentos finais sobre as maiores perguntas da humanidade. Desde Einstein, o mundo não via um cientista tão reverenciado quanto Stephen Hawking. Com seu trabalho revolucionário em física e cosmologia, ele encantou milhões de leitores com a origem do universo e a natureza dos buracos negros, além de inspirar todos pela coragem e determinação que mostrou em sua luta contra a doença do neurônio motor. Agora, nesta reunião póstuma de seus trabalhos, podemos conhecer seus pensamentos a respeito das grandes questões que povoam nossas mentes desde os primórdios e daquelas mais prementes na atualidade. Somos conduzidos assim a suas reflexões sobre a origem do universo, a existência de deus e a natureza do tempo, assuntos sempre submetidos a seu intelecto afiado de cientista. Aliado à curiosidade que o impulsionou por toda a vida, ele projeta seu olhar também para o futuro, buscando soluções para problemas que ameaçam hoje o mundo como o conhecemos, tais como o aquecimento global, a fome e a urgência de um desenvolvimento sustentável. Com prefácio de Eddie Redmayne — que ganhou o Oscar por interpretar Hawking no cinema —, introdução do Nobel de física Kip Thorne e posfácio comovente de Lucy Hawking, sua filha, Breves respostas para grandes questões não é apenas a última mensagem de um grande gênio: é seu presente final para a humanidade.

Quero começar a resenha de hoje, destacando trechos do autor para algumas questões abordadas no livro.

Deus existe?

Não podemos voltar a um tempo anterior ao Big Bang porque não havia tempo antes do Big Bang. Finalmente encontramos algo que não possui uma causa, porque não havia tempo para permitir a existência de uma. Para mim, isso significa que não existe a possibilidade de um criador, porque ainda não existia o tempo para que nele houvesse um criador.

Podemos prever o futuro?

A resposta breve é não… e sim. Em tese, as leis nos permitem prever o futuro. Mas os cálculos são muito difíceis na prática.

O que há dentro de um buraco negro?

Assim, se há informação demais em uma região do espaço, ela entrará em colapso para formar um buraco negro, e o tamanho dele refletirá a quantidade de informação. É como empilhar cada vez mais livros na biblioteca. Um dia as prateleiras despencam e a biblioteca desmorona, virando um buraco negro.

Sobreviveremos na Terra?

Estamos ficando sem espaço, e o único lugar para ir são outros mundos. O universo é um lugar violento. Estrelas engolem planetas, supernovas disparam raios letais através do espaço, buracos negros colidem entre si e asteroides se deslocam por aí a centenas de quilômetros por segundo. Admito que esses fenômenos não tornam o espaço muito convidativo, mas é exatamente por isso que deveríamos nos aventurar pelo cosmos em vez de ficar de braços cruzados.

Deveríamos colonizar o espaço?

Se a humanidade quer continuar a existir daqui a 1 milhão de anos, nosso futuro consiste em ir aonde ninguém jamais esteve.

A inteligência artificial vai nos superar?

Nosso futuro é uma corrida entre o potencial de crescimento da tecnologia e nossa sabedoria ao usá-la. Precisamos garantir que a sabedoria vença.

Como voltaremos o futuro?

Se sabemos como algo funciona, podemos controlá-lo.

Confesso que nunca havia me interessado pelo autor até saber de seu falecimento e ler algumas reportagens sobre seus estudos e ensinamentos, mas me chamou a atenção a longa vida de um paciente de esclerose lateral amiotrófica (ELA). Sou portadora de esclerose múltipla (EM) e embora nossas doenças tenham nomes parecidos, em sintomas e gravidade são bem diferentes. ELA piora até levar a morte e para a EM há tratamentos bastante eficientes e não é algo fatal. Ao saber da idade de Stephen, fiquei curiosa em saber mais sobre como foi a vida dele com a doença e embora o livro trate muito dos seus estudos, pude encontrar detalhes da sua saúde.

Eu acredito que Deus exista e talvez por isso as descobertas do autor nunca tenham me chamado a atenção. Achei interessante os estudos e tudo que já se foi concluído até o momento, mas um pouco triste imaginar que se tenha tanto esforço para provar que Deus não exista. Nesse ponto, gostei de ver que embora sejam utilizados os melhores equipamentos, profissionais, estudos e tenham chegado bem perto de descobrir o que desencadeou a criação do mundo, não se saiba ao certo o que foi o ponto de partida, já se sabe o que houve, mas não como começou. Eu adoraria que todas as minhas perguntas fossem respondidas, mas há um certo encanto nos mistérios de Deus, que o torna um ser superior a todos nós e como todo bom pai, direciona a nossa vida de uma forma que nem sempre compreendemos. Não sei como seria gastar a minha vida e todo meu esforço tentando provar que Ele não exista. Essa parte do livro me deixou bastante chateada, pois Stephen parecia uma pessoa incrível e iluminada que, mesmo nas suas limitações, fez história. Gostaria muito que ele tivesse as experiências que tenho com Deus, desejo isso para qualquer um aliás.

Falando de saúde, o autor foi uma fonte de inspiração. Recém diagnosticado e com os médicos lhe dando pouco tempo de vida, ele arranja um emprego, casa e tem filhos. Nunca se limitou ao seu diagnóstico e simplesmente escolheu viver enquanto fosse possível. Um modelo de pessoa a ser seguido.

Na parte científica, me perdi um pouco nos cálculos do autor, talvez por não compreender nem o básico, mas é notável a forma simples com que ele escreve, até dando exemplos esclarecedores. Fiquei com vontade de pegar desde o seu primeiro livro e devorar seus estudos no detalhe. Essa é uma obra pequena demais, para o tanto que o autor pode ensinar.

Há grandes questões ainda por responder e muito trabalho nos aguarda, mas sabemos mais coisas agora e conquistamos mais coisas em um espaço de tempo relativamente curto do que qualquer um poderia ter imaginado.

Uma leitura que eu recomendo, pois Hawking não foi apenas um profissional excelente, foi um ser humano memorável, que eu gostaria muito que tivesse sido eterno.

Tente compreender o que vê e questione o que faz o universo existir. Seja curioso. E por mais que a vida pareça difícil, sempre há algo que você pode e consegue fazer. Nunca desista. Deixe sua imaginação correr solta. Molde o futuro.

O livro ainda contou com notas de pessoas que conheciam o autor de alguma maneira. O relato da filha de Stephen foi extremamente emocionante.

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