Colega de Quarto

Victor Bonini

Editora: Faro Editorial

Páginas: 279

Ano: 2015

Sinopse:

Eric Schatz, carioca que se mudou para São Paulo por conta do curso universitário, começa a perceber indícios de que há mais alguém frequentando o seu apartamento. Primeiro, um par de chinelos. Então, uma outra escova de dentes. Um micro-ondas que é ligado sozinho durante a noite, barulhos estranhos a qualquer hora e luzes que se apagam de modo misterioso. Até que, em determinada noite, Eric enxerga o vulto do colega de quarto entrar em seu apartamento pela porta da frente. Desesperado, o rapaz vai atrás de um detetive particular, mas parece ser tarde demais. Em menos de 24 horas, tudo acontece de modo acelerado e depois de uma ligação desesperada, cortada abruptamente, Eric despenca da janela do seu apartamento. Em seu livro de estreia, o autor nos apresenta uma história urbana de tirar o fôlego. Um mistério que passa por uma relação familiar complicada, suspeitas por todos os lados, e camadas e camadas de culpados. Há alguém inocente?

Imagine a seguinte situação, você morando só em um apartamento, e no meio da noite o micro-ondas ser ligado sozinho, encontrar um par de chinelos desconhecidos no quarto de hospedes, e uma escova de dentes estranha aparecendo em seu banheiro. O que você faria?

“- Que tipo de pistas?

– Uma escova de dentes nova, recém-usada, por exemplo. Surgiu na minha pia! Foi a primeira pista. Ou chinelos que também não são meus; esses eu descobri hoje. Chego em casa e dou de cara com a televisão ligada, acordo no meio da noite com o barulho da descarga, com o micro-ondas ligado…” (p. 22)

Ao se ver preso nessa medonha situação, Eric Schatz resolve procurar a ajuda de um detetive particular. Conrado Bardelli não leva muito a sério o playboy universitário que chega desesperado em seu escritório com uma conversa absurda sobre um colega de quarto inexistente. Mas tudo muda após menos de 24 horas.

Uma ligação na madrugada, palavras desconexas e o desespero na linha até a ligação ser cortada. Horas depois Conrado recebe a noticia de que Eric despencou da janela de seu apartamento. Tudo indica que foi suicídio, mas será essa toda a verdade dos fatos? O detetive começa então uma busca engenhosa por respostas, se deparando com suspeitos improváveis e situações misteriosas.

“Mas ai vai uma verdade para os românticos que existem ainda hoje: a vida é feita de desafios só os fortes têm a capacidade de derrubar obstáculos. Isso é óbvio.” (p. 72)

Um suspense engenhosamente bem escrito, bem pensado e bem desenvolvido. É assim que começo a falar sobre esse livro. Há alguns meses atrás eu havia lido a sinopse e pensado em como essa história seria interessante, e confesso ter ficado curiosa sobre o mistério do colega de quarto, afinal que raios seria isso?

Pensei que seria apenas um suspense comum, sem nenhuma reviravolta, mas como eu me enganei meus caros. Victor criou um enredo tão envolvente, repleto de suspenses e acontecimentos inesperados. Por mais que eu criasse mil teorias ou apontasse mil culpados, a história me mostrava cada vez mais que eu ainda não estava no caminho certo. E admiro demais isso em um livro, o inesperado, o surreal as reviravoltas.

“- Eu já vi muitos homens serem presos. Muitos, mesmo. E de todo tipo: jovens, velhos, brancos, negros, culpados e inocentes. E vou te dizer que nenhum deles… – Lyra enfatizou com os braços. – … aceitou as algemas sem sequer xingar o destino. Sem tentar uma justificativa. Sem um ‘puta que pariu’.” (p. 131)

Por mais que eu ame suspenses, sempre fujo daqueles que parecem ser previsíveis, afinal de contas, nós leitores gostamos de ser surpreendidos correto? E foi isso que o Victor fez comigo, ele me surpreendeu imensamente.

Amo histórias sobre detetives, cresci lendo as aventuras do maior detetive do mundo, meu amado Sherlock Holmes. Então foi inegável não me afeiçoar ao detetive particular Conrado Bardelli, ou Lyra. A determinação e inteligência desse homem, foram brilhantes, e o fato de sermos colegas de profissão (ele também é advogado), só me fez admirá-lo ainda mais. Gostaria de ler mais histórias desse peculiar detetive, e pelas minhas pesquisas O casamento (ultimo livro do Victor), tem a presença marcante de Conrado em mais um romance policial.

 “– Sou da opinião de que quase tudo o que acontece há obrigatoriamente uma reação instantânea. Se você joga um chiclete no chão, alguém atrás de você vai pisar nele e te xingará por isso. Se você esconde o cadáver de um mendigo em um terreno baldio, por mais que o homem não tenha família que o procure, o padeiro que costumava dar pão ao cara no almoço notará a ausência do seu fiel pedinte e acionará a polícia…” (p. 194)

01 Comentário

  1. Marina Mafra13 ago, 2018Responder

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