Contra todas as probabilidades do amor

Rebekah Crane

Editora: Faro Editorial

Páginas: 240

Ano: 2018

Sinopse:

Sejam bem-vindos ao acampamento Pádua. Um retiro de verão para adolescentes problemáticos. Mas não se tratam de problemas comuns, como não querer estudar, mentir ou colar na prova. Não! Estamos falando de problemas reais. Alguns deles tão grandes, tão sérios, que até um adulto desmoronaria sob o peso deles. No acampamento, Zander, uma garota enviada pelos pais contra a sua vontade, encontra uma série de adolescentes na mesma situação, e com três deles ela estabelece uma relação de amizade — Grover, Alex e Cassie. Todos os quatro são tão diferentes quanto as pessoas podem ser, mas têm algo em comum — eles estão quebrados por dentro. Em meio às sessões de grupo e, à medida em que o verão dá as caras, os quatro revelam seus trágicos segredos. Zander encontra-se atraída pelos encantos de Grover, e então começa a se perguntar, depois de muito tempo, se pode apostar em ser feliz novamente. Mas, antes, ela precisa lidar abertamente com seus problemas, para poder juntar seus pedaços e reconstruir sua vida. Você pode pensar que se trata de uma história triste. E há partes duras sim, mas, Rebekah Crane consegue mostrar como na dificuldade podemos encontrar uma saída. Isso é uma das coisas que faz o livro completamente encantador, divertido e doce, capaz de deixar em você um grande sorriso no rosto.

Resenha:

Há quem diga que o amor pode ser encontrado nas mais diversas oportunidades. Seja indo comprar pão na padaria ou a um passeio no parque. O impossível, como disse um grande cantor já falecido, é só questão de opinião. Então não seria algo difícil encontrar o amor em um acampamento para adolescentes problemáticos.

O uso da palavra “problemáticos” nessa história vem acompanhado de uma carga de problemas reais, pesados e tão sérios que colocam em risco a própria vida desses adolescentes. Viver não é algo fácil, a vida pode ser bem complicada.

“O fim é o fim, não importa o quando aconteça. Esperar apenas torna tudo mais doloroso.” (Página 28)

Zander foi matriculada pelos pais no acampamento Pádua, sem direito a questionar ou opinar sobre essa decisão. Ela seria obrigada a permanecer durante todo o verão em um lugar onde definitivamente não queria estar. Mas a vida meus caros, é uma grande caixinha de surpresas, e Zander conhece muitos adolescentes que estão passando por problemas, não iguais aos dela, mas cada um com a sua particularidade que os enquadram na categoria “problemas”.

“Eles querem que eu busque alguma coisa, porque alguma coisa é melhor do que coisa nenhuma. Mas eu discordo. Se o destino final de todos nós é o nada, então não faz diferença.” (Página 43)

Nossa protagonista ao conhecer Grover, Alex e Cassie, se sente extremamente próxima dessas três pessoas e juntos criam uma relação de amizade nada convencional. Quatro seres humanos diferentes, únicos e ao mesmo tempo iguais por dentro. Todos enfrentam problemas pessoais.

“- Como você sabe quando está deprimida?  –
Dori para e toca a fechadura da porta, passando o dedo em torno do metal.
– Bem, é que há dias em que eu não vejo sentido nenhum nisso.
– No acampamento? – eu pergunto.
– Não, Zander. Na vida.” (Página 77)

O verão vai marcando o seu território e após varias atividades típicas de um acampamento e algumas sessões de terapia, esses quatro amigos confidenciam alguns de seus segredos e problemas catastróficos, e com isso percebem que a vida de ninguém é melhor ou pior, não estamos salvos da dor. Mas precisamos nadar contra o mar do sofrimento.

Caramba galera, que livro! Rebekah criou uma história tão impactante que me fez sentir na pele todos os problemas e dores dos personagens. Foi uma leitura tão intensa que terminei com praticamente dois dias. Eu não conseguia fechar o livro e deixar o acampamento Pádua e seus adolescentes para trás.

“Às vezes as pessoas estão perdidas porque têm muito medo de olharem para o caminho. Às vezes as pessoas evitam a estrada por temerem o que possa existir nela. É mais fácil permanecer oculto nas sombras e só observar.” (Página 117)

Apesar do tema, não temos aqui um livro triste e depressivo, pelo contrário, a narrativa é apaixonante, divertida e aquece o coração de uma forma linda. A autora mostrou que se a vida nos fecha uma porta, sempre há uma janela aberta, basta procurar e não desistir. E foi exatamente isso que Zander fez, ela não desistiu de viver e de passar pela vida aproveitando todos os momentos e cuidando de quem está ao seu redor.

“É difícil ficar em silêncio, é difícil guardar as coisas só para você. As pessoas podem se afogar dentro do seu silêncio tão facilmente quanto se afogariam dentro de uma piscina.” (Página 159)

Nunca é fácil nos colocarmos no lugar de alguém e tentarmos enxergar a vida com outros olhos. Às vezes uma pessoa está afogada na lama e nem nos damos conta disso, mas o simples fato de demonstramos amor e preocupação, demonstramos que nos importamos, pode salvar uma vida.

Essa é uma história linda, sensível e encantadora sobre aprender a sentir de verdade os nossos sentimentos, valorizar e entender cada um deles. Sobre viver de forma plena e sem medo do amanhã, passar pela vida aproveitando cada momento como o ator principal e não como um mero figurante. E sobre o poder de uma grande amizade e do amor.

17 Comentários

  1. Marina Mafra07 mar, 2018Responder
  2. Dan Siothé07 mar, 2018Responder
  3. Camila Tuan07 mar, 2018Responder
  4. Sam Joyce08 mar, 2018Responder
  5. Robson08 mar, 2018Responder
  6. Iarima09 mar, 2018Responder
  7. Ane Carol09 mar, 2018Responder
  8. Evy09 mar, 2018Responder
  9. Le09 mar, 2018Responder
  10. Tary Belmont11 mar, 2018Responder

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