Daniel Daniel Daniel

Editora: Rocco

Páginas: 280

Ano: 2019

Sinopse:

Daniel é o reserva do time de futebol da escola, e isso significa que ele é basicamente o garoto da água. Ele gasta todo o tempo dos treinos arrumando e organizando os copos para seu time – e rezando para que ninguém perceba. Na verdade, Daniel passa a maior parte do tempo esperando que ninguém note seus hábitos estranhos – ele os chama de Choques. Eles incluem ter uma lista de números "ruins" e evitar escrevê-los, por exemplo, ou ligar e desligar o interruptor dezenas de vezes até se sentir bem de novo. Daniel acha que é maluco e esconde essa impressão sobre si mesmo, principalmente de seus pais, seu melhor amigo Max e Raya, a garota por quem é secretamente apaixonado. Sua vida fica ainda mais estranha quando ele recebe um bilhete misterioso com um pedido de ajuda assinado pela "Colega das Crianças das Estrelas", seja lá o que isso significa. E de repente, Daniel, que era um zé-ninguém na escola, se vê dentro da investigação de um grande mistério. Este livro é sobre se sentir diferente e deslocado e encontrar aquelas pessoas que conseguem enxergar e entender você de verdade.

– Olhe em volta. Você já desejou estar sozinho na Terra?

– Sim, às vezes.

– Eu também. Você não pode ser maluco se for a única pessoa. (Pág. 150)

Confesso que me tornei obcecada por livros que tratem de doenças, transtornos ou problemas reais que mostre realidades que desconheço e me ensinam de alguma forma a melhorar o mundo ou pelo menos fazer a minha parte. Você saberia como ajudar quem sofre de TOC (Transtorno obsessivo-compulsivo)? Ou melhor, você sabe o que é TOC? Pois não tem nada a ver com a forma como usamos para descrever nossas manias. É algo muito além, perturbador e que pode machucar, agredir, destruir vidas e relacionamentos. Sinto até vergonha por ter usado o termo de forma tão equivocada algumas vezes. Já havia tido uma experiência incrível com o livro Uma História de Amor e TOC que, inclusive me inspirou a escrever o meu livro, mas em Daniel Daniel Daniel encontrei um protagonista que traz sintomas reais do autor. Meu tipo de leitura!😍

Você pode até tentar fugir do resto do mundo, mas não dá pra fugir de si mesmo. (Pág. 209)

A história é bem adolescente, já que Daniel tem 13 anos, mas com uma bagagem pesada pelo sofrimento do personagem em não saber o motivo de precisar repetir alguns hábitos que ele chama de ritual.

É engraçado ser um prisioneiro de si mesmo. É como ser intimidado pela sua própria mente e ter medo dela, porém ao mesmo tempo saber que é você, o que é extremamente confuso. (Pág. 217 e 218)

Ele tenta ser um adolescente normal, praticando esporte na escola, tendo um melhor amigo popular, indo em festas, paquerando e tendo um bom relacionamento com a família, mas antes de deitar, Daniel nunca sabe quanto tempo vai levar até que seu corpo entenda que ele já fez o suficiente e portanto está seguro para dormir. O ritual consiste em dar uma certa quantidade de passos, escovar os dentes até a gengiva sangrar, acender e apagar o interruptor da luz inúmeras vezes. O que mais me chamou a atenção foi a certeza que ele tinha que iria morrer se não satisfizesse o que o seu corpo pedia.

Só que a situação começou a piorar. Ele passou a ter choques (como ele chamava) durante o dia, que o obrigava a fazer coisas que ele não conseguia controlar. Curiosamente, ninguém próximo a ele notava o que ele vinha sofrendo. O que foi lamentável e desesperador.

Até que ele se vê notado por Sara, que também atende pelo cruel apelido de PsicoSara e que não falava com ninguém até então.

Mas o pior tinha sido a sensação esquisita que me deu quando ela olhou pra mim. Como se ela fosse a única pessoa que já havia me visto de verdade. (Pág. 21)

Sara também se sente diferente e acompanhar a aproximação dos dois e o bem que essa amizade os fez, foi emocionante.

Você é estranha, temperamental e talvez um pouco maluca, mas também é a pessoa mais interessante que eu já conheci. Acredite em mim, você é especial. E de agora em diante talvez devesse parar de se esforçar tanto pra ficar sozinha. (Pág.263)

Têm uma frase no livro Tartarugas até lá em baixo que fala como é raro ter alguém que veja o mundo da mesma forma que a gente, é outro livro que trata sobre TOC e nem preciso dizer o quanto recomendo, já que é do meu autor favorito. 😅😍 Mas essa frase se encaixou perfeitamente para Daniel e Sara.

Não sei explicar por quê, mas ver outra pessoa despedaçada me fez sentir muito menos despedaçado. (Pág. 130)

Através da amiga, Daniel não apenas se encontrou no mundo, como compreendeu a gravidade do inferno que ele vivia.

A história mostra claramente a necessidade da conscientização de qualquer problema. A sensação horrível mas esclarecedora de encarar um monstro de frente e às claras, sabendo com o que está lidando.

Por essas e outras que acho esse tipo de leitura tão essencial. Seja para conhecer uma realidade diferente da nossa ou para saber que há quem passe pelo mesmo que a gente.

Mais uma história que recomendo e agradeço o autor por tê-la escrito.

E mais uma leitura que a Kaka, colunista do blog e responsável pela parceria com a editora, gentilmente me cedeu, dizendo ser a minha cara. Será que ela me conhece? Sim ou claro? 😄😄 Obrigada, minha coisa só.

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