Doce lar

Tillie Cole

Editora: Essência

Páginas: 320

Ano: 2018

Sinopse:

Primeiro livro da série de maior sucesso da autora de Mil Beijos de Garoto. Aos vinte anos, Molly Shakespeare acha que já sabe de tudo. Ela leu Descartes e Kant. Ela estudou em Oxford. Ela sabe que as pessoas que te amam também te deixam. Mas quando Molly se muda da cinzenta Inglaterra para começar uma nova vida nos Estados Unidos, ela descobre que ainda tem muito a aprender. No Alabama os verões são mais quentes, as pessoas mais intimidantes e os alunos de sua nova escola muito mais viciados em futebol. Após conhecer o famoso quarterback Romeu Prince, Molly só consegue pensar em seus olhos castanhos, cabelos loiros, físico perfeito... e em como sua vida tranquila e solitária parece estar a ponto de mudar drasticamente.

Resenha:

É no clima quente e festivo do estado do Alabama que nossa história acontece. Um estado conhecido pela música country, boas cervejas e pelo futebol americano. E todas essas coisas estão bem narradas em Doce Lar, de uma forma única e agradável para o leitor.

Molly é uma jovem de 20 anos, que recentemente mudou-se da pacata Inglaterra, para o clima sulista do Alabama, com objetivo de concluir seu mestrado em filosofia. Molly desde muito cedo percebeu que tinha um Q.I acima da média, sendo assim terminou a faculdade mais cedo do que o normal. Sua professora de mestrado, e também amiga, a convidou para ser sua auxiliar, o que ela aceitou com muita alegria.

“Meu pai dizia que apenas sorrisos completos mostram que alguém está realmente feliz.” (Página 11)

Molly teve um passado sofrido. Sua mãe morreu no dia de seu nascimento, devido a complicações no parto. Seu pai por sua vez nunca se recuperou da perda de seu grande amor, e quando ela tinha seis anos ele também morreu. A garota ficou com sua avó, que também veio a falecer quando ela tinha quatorze anos. Com isso, Molly teve que ir para lares provisórios, até chegar à maioridade, e poder ser dona de si. Tudo isso colaborou para que ela fosse uma pessoa fechada, e com problemas de confiança.

Já em seu primeiro dia como orientadora na faculdade ela percebe que nem tudo são flores. Aliás, ela contava com isso, já que possuía certa dificuldade quando o assunto é se relacionar com pessoas. Para piorar as coisas ela conhece Shelly (como odiei essa sonsa), a mais popular, típica garota dos filmes americanos.  E digamos que o encontro não foi um dos melhores. Nessa mesma cena ela conhece Rome, ou mais conhecido como “Canhão”, pelos torcedores e jogadores do Tide, o time de futebol americano da faculdade. Nesse primeiro encontro fica evidente que algo adormecido despertou nos dois.

“Um dia eu vou ser eu mesmo. Um dia… eu vou fazer o que eu quero.” (Página 107)

Apesar de não ser muito boa em fazer novas amizades nossa garota conquistou o coração de duas loucas, Lexi e Cass. E por causa delas Molly aceita participar de um trote da irmandade feminina, já que o sonho de Lexi é ser uma líder de torcida, mesmo que seu jeito de se vestir seja um tanto diferente do que esperamos para líderes de torcida.

Para surpresa das meninas a anfitriã era a Shelly. O trote era “simples”, as meninas precisavam vendar os olhos, e os rapazes da irmandade iriam beijá-las.  Era necessário adivinhar o que eles haviam comido (nojento, né?). Quando Shelly vê Molly entre as meninas, resolve se vingar da discussão calorosa que tiveram pela manhã, mas o tiro saiu totalmente pela culatra, pois o rapaz que ela havia escolhido foi substituído aos berros por nada menos que Rome. Nisso, a bagunça está armada. As meninas entram na irmandade com a ajuda de uma garota chamada Ally, que odeia o jeito como Shelly trata as novatas. E através de Ally, e de suas amigas que Molly descobre que acabou de trocar salivas com o Rome, o quarterback do time, o garoto mais popular, e desejado da faculdade, e o futuro pretendente a casamento com a louca Shelly, pelo menos é isso que a garota diz a todos.

Após os fatos já era de esperar que tanto Molly quanto Rome, fossem ficar juntos. E claro, teriam inúmeros empecilhos no caminho deles, mas se não fosse dessa maneira não teríamos uma boa trama.

E não se engane achando que a história gira em torno de um distorcido triângulo amoroso, o que até acontece. Tudo é muito complicado, e tem verdades tão bem escondidas, que só vamos descobrir quase no final do livro.

Uma curiosidade é que nossa protagonista se chama Molly Juliet Shakespeare, seus pais acharam que Juliet era uma boa homenagem ao sobrenome da moça. E para melhorar a história nosso garoto dos sonhos se chama Romeo Prince, isso lembra alguma coisa? Posso dizer que a história de amor desses dois faz jus aos verdadeiros Romeu e Julieta.

“Meu corpo te conhece como algo bom para mim, e minha alma te reconhece como alguém feito para mim.” (Página 129)

No início, o comportamento de Rome em relação à Molly me deixou preocupada. Ele era muito possessivo, dominador, e o jeito que ele a tratava quando estavam na intimidade me deixava um pouco irritada, mas ao longo dos capítulos fui conhecendo o verdadeiro Romeo, assim como Molly, e percebi que existia amor verdadeiro entre os dois.

Quando escolhi esse livro logo pensei que seria doce e fofo como Mil Beijos De Garoto, apesar de quase ter desidratado de tanto chorar, mas para minha surpresa  a autora conseguiu criar uma trama quente estilo 50  Tons de Cinza, mas sem se perder nas cenas de sexo, deixando a história central de lado. Tudo foi muito bem construído pela maravilhosa Tillie Cole, o que me fez amar a sua escrita ainda mais, porque Doce Lar é um livro viciante.

Fiquei comovida a ponto de sentir lágrimas se formando em meus olhos quando alguns segredos finalmente foram revelados, e pude entender do porque Molly e Rome serem pessoas tão fechadas. E teve outro momento que foi impossível não chorar, e eu pensando que sairia ilesa dessa leitura, mas Tillie mexeu em um ponto sensível, sendo assim, foi impossível de conter as lágrimas.

Doce Lar é um livro realista, apesar de ter muita cena de sexo, os personagens possuem problemas familiares, relações extremamente abusivas, perdas e problemas corriqueiros. O título do livro faz por merecer.

Mesmo com a forte carga emocional, temos o alívio cômico através das amigas de Molly, Cass com toda certeza foi minha favorita, espero que tenha um livro só dessa maluca.

Quem já assistiu 10 Coisas Que Odeio Em Você ou Ela É Demais com certeza reconhecerá algumas referências.

“É incrível como o som do silêncio pode gritar alto e de maneira incessante, lembrando que você está completamente sozinha no mundo.” (Página 183)

O livro é composto de capítulos curtos o que dá uma boa dinâmica para a leitura. A diagramação é simples, porém bonita. A capa me conquistou, amei o tom da escrita do título, e a mesma tem um leve relevo.

Outra curiosidade é que a Editora Planeta iria lançar o livro com outra capa, mas os leitores não gostaram, e pediram pela capa original, então a editora carinhosamente ouviu seus leitores e mudou a capa. Agora me diz como não amar essa editora?!

Doce Lar se trata do primeiro livro publicado aqui no Brasil, pela Editora Planeta com o selo da Essência, ele faz parte da série Sweete Home. Dei uma pesquisada e pelo que vi já tem mais cinco livros. Espero que a editora traga todos os outros (sério, preciso desses livros).

Para finalizar só posso enaltecer a linda e forte história que Tillie Cole brilhantemente nos presenteou, e pedir que leiam, e tirem suas próprias conclusões desse romance entre Romeo e Molly Juliet.

3 Comentários

  1. Marina Mafra22 maio, 2018Responder
  2. 23 maio, 2018Responder
  3. Kalyne Lauren23 maio, 2018Responder

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