Não chore, não

Mary Kumbica

Editora: Planeta

Páginas: 304

Ano: 2018

Sinopse:

No centro de Chicago, a jovem Esther Vaughan desaparece de seu apartamento sem deixar vestígios. Uma carta sombria dirigida a “Meu bem” é achada entre seus pertences, deixando sua colega de apartamento, Quinn Collins, se perguntando onde a amiga estaria e se ela era - ou não - a pessoa que Quinn achava que conhecia. Enquanto isso, em uma pequena cidade de porto de Michigan, uma mulher misteriosa aparece no tranquilo café onde Alex Gallo trabalha lavando pratos. Ele é atraído imediatamente pelo seu charme e beleza, mas o que começa como uma paixão inofensiva rapidamente se transforma em algo mais sinistro...

A primeira vez que conheci a escrita da autora Mary Kubia foi quase dois anos atrás, lembro do quanto fiquei maravilhada com sua forma de prender o leitor. Me vi tão envolvida na história imaginando diversos culpados e finais para A Garota Perfeita, e de repente o inesperado aconteceu, ela me fez de boba. O tempo todo fiquei imaginando algo, mas ela conseguiu me fazer literalmente de boba. E eu amei isso, amei ser surpreendida dessa forma. Então quando vi Mary nos lançamentos de junho meu coração já estava soltando fogos de artifícios.

“Eu deveria saber no mesmo instante que algo não estava certo.” (pág. 9)

‘Não Chore, Não’ é narrado em primeira pessoa por dois personagens distintos. Somos apresentados a Quinn uma moça com seus vintes e poucos anos, que decidiu sair da casa dos pais a pouco mais de um ano. Após decidir morar em outra cidade ela acaba conhecendo Esther sua colega de apartamento. Apesar das duas se darem bem, possuem personalidades bem diferentes, enquanto Quinn é desorganizada e espalhafatosa, Esther é concentrada e metódica. Alex nosso outro narrador mora com o pai que é alcoólatra em uma pequena cidade, sua mãe os deixou quando ele ainda tinha cinco anos. Hoje com dezoito anos trabalha em um restaurante que não é o emprego dos seus sonhos, mas mantém ele e seu pai alimentados e de baixo de um teto.

A história é separada pelos dias da semana após o sumiço de Esther em um sábado a noite, o que em primeiro momento não parece ser nada. Quinn tem quase certeza que sua amiga foi apenas dar uma esfriada nos pensamentos, mas com o passar das horas e sem receber nenhum telefonema ela começa suspeitar que algo pode estar errado. Do outro lado da cidade uma mulher com olhos heterocromáticos aparece no café que Alex trabalha. Ele no mesmo instante se sente atraído pelo ar de mistério que ela possui.

Quinn começa procurar vestígios que indiquem o que aconteceu com sua amiga, nada fazia sentido. Cada vez que ela achava uma nova pista a certeza de que conhecia Esther desmoronava. Como ela pode viver durante um ano com uma pessoa mentirosa, que escondia tantos segredos, e que nem a cor dos olhos era verdadeira. Alex por outro lado se sente cada vez mais intrigado com a mulher de olhos coloridos. Ele a segue em alguns momentos e tudo perneia seus pensamentos é o desejo de estar e falar com ela. Isso acaba se tornando uma grande obsessão.

Existe uma casa abandonada em frente à casa de Alex, muitas histórias são contadas desde sua infância. Ali morou uma menina chamada Genevieve, que era o demônio em forma de criança, pelos foi isso que ele ouvia dos outros moradores, mas um dia essa menina por um pequeno descuido de sua mãe morreu em um triste acidente. Tudo que que veio depois disso eram histórias de assombração e coisas do gênero. Mas naquela casa velha e abandonada ele tem um encontro real com Pearl, a garota misteriosa.

“Eu entendo uma coisa: o que os olhos não veem, o coração continua sentindo.” (pág 159)

No começo senti a leitura um pouco arrastada. Apesar dos capítulos serem curtinhos e intercalados entre Quinn e Alex senti falta de algo que me cativasse, mas como já conhecia a escrita da Mary e sabia que ela era a rainha do plot twist, confiei que ela me surpreenderia, e foi exatamente o que ela fez. Quando alguns fatos foram se desenrolando, e fui compreendendo o que estava acontecendo, ou pelo menos achava que estava (pobre de mim), precisava saber quem era quem nessa trama, tanto que só consegui largar o livro quando cheguei na ultima linha. Meu desejo era fazer lindos origamis com o meu papel de trouxa, fiquei perplexa com o plot twist, era muito além do que imaginava, acreditem até a capa me enganou.

Um thriller envolvente digno da rainha Mary Kubica, para quem gosta do gênero e ainda não conhece a escrita da autora, indico esse por ser uma leitura bem rápida e com um final de tirar o fôlego.

2 Comentários

  1. Marina Mafra05 jul, 2018Responder
  2. 06 jul, 2018Responder

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