Não Confie Em Ninguém

Charlie Donlea

Editora: Faro Editorial

Páginas: 352

Ano: 2018

Sinopse:

O melhor livro de Charlie Donlea - até agora. O destino de Grace Sebold toma um rumo inesperado durante uma tranquila viagem com o namorado. O rapaz é assassinado... e ela é condenada pelo crime. Depois de dez anos na prisão, surge a chance de Grace provar sua inocência ao conhecer a cineasta Sidney. Em um documentário que exibe as falhas do processo, a cineasta questiona se a condenação foi fruto de incompetência policial ou se a jovem foi vítima de uma conspiração. Antes do término das filmagens, o clamor popular leva o caso ser reaberto, mas um novo fato provoca uma reviravolta: Sidney recebe uma carta anônima afirmando que ela está sendo enganada pela assassina. A cineasta começa a investigar o passado de Grace e quanto mais se aprofunda na história, mais dúvidas aparecem. No entanto, agora, o que está em jogo não é apenas a repentina fama e carreira, mas sua própria vida.

Já tem algum tempo que resolvi mudar o padrão das minhas resenhas (não sei se é definitivamente rs), amo otimizar o tempo, principalmente porque preciso imensamente dele. Então como forma de melhorar a qualidade das resenhas, decidi ser o mais objetiva possível, ressaltando ainda mais as minhas opiniões e considerações acerca da história e abandonando a parte inicial de contar um pouco sobre o livro, já que vocês podem conferir isso na sinopse.

Então fiquem ligados a partir de hoje, comecem as minhas resenhas sempre pela sinopse, naquela caixinha amarela aqui em cima. Espero de coração que curtam esse novo modelo.

“Matar alguém exige perfeição, timing e sorte. Eu esperava que esses três atributos estivessem ao meu lado nesse entardecer.” (p. 13)

Acredito que muitos que me acompanham por aqui, sabem o quanto eu sou fã de um bom suspense. Amo aquele sentimento de ansiedade e incerteza, aquele frio na barriga e a aflição em chegar ao final da história. São poucos os autores que sabem como construir um bom suspense em seus livros, graças ao céus, Charlie Donlea é um desses.

“Sidney estava à procura de algo mais do que uma história perturbadora. Ela buscava furos no caso… mas o que ela procurava era algo que pudesse levar aos seus chefes da emissora de tevê que os convencesse de que uma grave injustiça ocorrera.” (p.36)

Esse é o terceiro livro do autor, mas parece que ele escreve a vida inteira. Nessa obra mais uma vez Donlea usou e abusou de toda a genialidade que existe em sua mente. Criou uma história surreal, um suspense que me fez pensar por horas e horas se Grace Sebold era culpada ou inocente, e caso ela fosse inocente, quem seria o verdadeiro culpado?

“-… No entanto, o que decidi é que sinto raiva de Julian porque ele me deixou aqui. Porque sua morte me trouxe muita dor e tristeza. Sua morte custou a minha própria vida. E mesmo assim, depois de todos esses anos, ainda o amo.” (p. 63)

Charlie tem uma maneira única e brilhante de trabalhar a história do início ao fim, fazendo com que o suspense fique mais instigante a cada virada de página. Já havia me encantado pela escrita dele em A Garota no lago, com Deixada para trás ele se tornou um dos meus autores preferidos, mas foi Não confie em ninguém que eternizou o seu lugar em meu coração.

“E o problema de despertar esperança era que levava a uma de duas situações: danação ou salvação.” (p. 126)

Ainda estou impactada com a genialidade dessa história. Apesar dos livros do Charlie não serem interligados, pude rever uma querida personagem de um dos primeiros livros. E imaginem só a minha surpresa e o grito de alegria que reverberou pela minha garganta.

“A vida pode realmente começar de novo? Você pode simplesmente virar a página do caderno que registrou sua história e começar a escrever uma nova história?” (p. 176)

Donlea abordou de forma brilhante a questão das condenações injustas que realmente acontecem ao redor do mundo. Sendo 70% operadora do Direito, me senti imensamente revoltada com questões como essa que acabam destruindo a vida de uma pessoa.

“-… E nisso reside o problema com o nosso sistema de justiça; e com isso quero dizer com o sistema mundial. Podemos simplesmente nos defender contra alegações absurdas, mas o segredinho sujo é que, se a acusação quiser condenar alguém, tudo o que ela tem de fazer é apresentar as acusações mais ridículas inimagináveis, em grande quantidade, e reapresentá-las muitas vezes para influenciar o júri.” (p. 186)

Sidney Ryan foi uma das personagens mais marcantes que os livros me trouxeram. Sempre disposta a buscar a verdade, uma mulher forte e decidida, e acima de tudo, extremamente perspicaz. Senti-me dentro do documentário o tempo inteiro, via as imagens na mente, divagava sobre o caso, e principalmente sobre Grace.

“- Não sei. É tudo uma palhaçada. Sabia que a minha mesa está cheia de cartas implorando por ajuda, com cada remetente jurando que foi condenado injustamente? Sei que nem todos estão falando a verdade, mas quantos estão?” (p. 257)

Agora, se Grace Sebold é culpada ou inocente, isso você só saberá quando ler meu caro leitor, mas já lhe confesso, o final é surpreendente, o choque é imenso, e ao chegar às ultimas paginas, eu me dei conta de que nem tudo é o que parece, e que confiar cegamente em alguém é um grande passo para a sua própria cova.

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