O que eu faço com a saudade?

Bruno Fontes

Editora: Planeta

Páginas: 224

Ano: 2019

Sinopse:

“[...] não consegui parar de ler até terminar. Gostei DEMAIS. Simplicidade comovente, tudo muito real, e inteligente! Fiz uma ‘viagem’ à menina que um dia fui... Ando muito afim de conectá-la com a mulher que sou hoje, e este livro serviu de ponte. Obrigada!”. – MARTHA MEDEIROS. O que eu faço com a saudade? Tem dia que faço besteira. Tem dia que faço caipirinha. Depende muito. Hoje, fiz brigadeiro. O que a gente faz quando o amor acaba? Nesta colagem de poemas, pensamentos, bilhetes e desabafos, Bruno Fontes fala não apenas sobre a dor do fim, mas também sobre o aconchego adocicado que vem do abraço da saudade.

“Entre o fim e um novo começo, sentimos a mais inexplicável das emoções: a saudade” (p. 7)

“O que eu faço com a saudade?” é o primeiro livro de Bruno Fontes, e foi escrito na tentativa de amenizar a saudade que insistia em acompanha-lo por onde quer que ele fosse. Essa saudade, porém, foi substituída por um novo amor, e no fim o que restou foi uma saudade ainda maior. Por meio de poesias e crônicas, Bruno conta essa história e se mostra para o leitor de forma genuína, sendo capaz de transmitir seus sentimentos, suas alegrias, suas dores, e – é claro! – sua saudade.

Para acompanhar a leitura, o autor deixa em algumas páginas (e uma lista completa no final do livro) indicações de canções que podem serem ouvidas enquanto ele conta sobre algo específico, deixando a experiência de leitura muito mais intensa – especialmente se você é o tipo de pessoa que deixa as emoções fluírem junto com a música.  É fácil imaginar o autor sentado em um apartamento vazio, mas inteiramente ocupado pela saudade, ouvindo “Big Blue Sea” enquanto escreve sobre carinho e se lembra de algum amor que passou. Isso, junto com a sinceridade na escrita, cria uma sensação de intimidade e empatia muito maior entre leitor e escritor.

O livro é dividido em 4 partes, cada uma delas falando sobre uma das fases que o autor viveu até chegar a saudade que o leva a escrever. A primeira parte se chama “Amor”, e é onde o autor fala sobre esse sentimento tão sublime, tão particular para cada um. E, para ele, o amor é uma grande incógnita: ele não sabe o que é, e nem faz questão de saber. Basta o carinho, a leveza e a simplicidade de algo sincero. E também não é algo que precisa ser procurado em todos os cantos, porque ele vem até você sem que você perceba – e no caso de Bruno, sem que ele quisesse.

“Eu desisti do amor faz tempo, ele é que não desiste de mim” (p. 44)

 

A segunda parte do livro se chama “Nós”. É onde Bruno escreve sobre encontros que mudaram tudo, sobre uma mulher extremamente cativante e sobre como o amor entre eles começou. Ele conta sobre as conversas, os beijos, a saudade, os planos e os medos. Bruno retrata um relacionamento tão leve e gostoso que faz com que o leitor queira viver essa experiência também, já que em boa parte da história, tudo parece perfeito. Mas, se assim fosse, não haveria saudade, e o livro não teria sido escrito. Então, como a maioria dos romances, o do autor tem um fim, que é justamente sobre o que ele fala na terceira parte do livro.

“Quando você amanhece do meu lado, quase todo sábado, com os olhos cheios de preguiça, é a coisa mais bonita das coisas bonitas que já vi na vida” (p. 74)

A terceira – mas não última – parte se chama “Fim”, e é onde o autor se questiona, e nos leva a questionar: E agora, depois do fim, o que sobra? Para ele, sobra saudade, sobra espaço na cama, sobra a expectativa de uma ligação, e sobra também o medo de ligar. A “depressão” pós-término, as bebidas que ajudam a esquecer, a vontade de mandar mensagem, a raiva e o amor, tudo isso é colocado no papel de uma forma muito transparente, sendo fácil imaginar a dor de Bruno naquele momento.

“O que sobra do amor encontra outro lugar para morar, debaixo do tapete ou dentro da gente” (p. 165)

A última parte do livro se chama “Saudade”, e fala daquilo que fica quando tudo se foi. Aqui, Bruno retrata muito bem a forma como a maior parte de nós vivencia o fim de um relacionamento, a forma como nós retemos as lembranças boas e ignoramos as ruins porque nada é pior que a saudade que sentimos em uma sexta à noite, ao voltar de alguma festa. Ele conta de uma saudade que faz morada em todos os lugares, que parece interminável até o dia em que você percebe que não a sente mais. A saudade que se vai quando você conhece novos amores, mas que permanece como parte de uma história que não pode ser ignorada.

“Quem me vê andando na rua, naquele andar tranquilo e sorriso fácil, nem imagina que eu ainda penso em você” (p. 188)

O que mais me encantou nesse livro foi a forma como é fácil entender e imaginar como o autor se sentia durante a escrita, talvez por ele falar de coisas que a maior parte de nós já vivenciou (e, se não, vai vivenciar um dia). Além disso, essa foi minha primeira experiência juntando leitura e trilha sonora, e me surpreendi com a forma como a combinação ampliou meus sentimentos ao longo da história. Assim, com um combo de escrita sensível e genuína + músicas que mexem com suas emoções + verdades que parecem ter saído do seu próprio coração, o livro consegue te fazer sentir saudade logo após a última página, fazendo com que valha muito a pena de ser lido – e sentido.

01 Comentário

  1. Marina Mafra31 jan, 2020Responder

deixe seu comentário