O que eu tô fazendo da minha vida?

Daniel Bovolento

Editora: Planeta

Páginas: 192

Ano: 2018

Sinopse:

Autor de Por onde andam as pessoas interessantes? e Depois do fim. A maioria das pessoas está em algum lugar de dúvida. Seja na crise dos vinte e poucos anos, na de meia-idade, nos sintomas da ansiedade ou da depressão brotando de dentro do peito, nos amores mal resolvidos ao longo da vida ou na nossa luta diária para aceitar quem nós somos: todos nós estamos no meio de alguma batalha. Até hoje, não conheço uma alma viva que soubesse exatamente o que queria da vida. Os lugares de dúvida da nossa vida podem ser obscuros, trapaceiros e cheios de armadilhas, mas também podem oferecer algum tipo de esclarecimento se decidirmos encarar nossos demônios. Em O que eu tô fazendo da minha vida? Daniel Bovolento nos convida a revisitar o passado, perdoar pessoas importantes, discutir os amores que valem a pena e tentar enxergar alguma luz durante a pior fase da nossa vida. “O que importa, no fim do dia, é como você se sente dentro da sua própria busca pela felicidade.”

Resenha:

Se você me conhece a pouco tempo não deve saber do meu amor pelas palavras do Daniel Bovolento, costumo brincar que se pudesse casar com as palavras de alguém, as dele com toda certeza seriam minhas escolhidas. O Daniel é autor e criador do blog Entre Todas As Coisas, e foi através dele que descobri suas palavras.

Ele publicou seu primeiro livro no ano de 2015, e não consigo descrever minha alegria, era como se o livro também fosse meu.

O Que Eu Tô Fazendo Da Minha Vida é o seu terceiro livro, e me sinto até suspeita para falar o tanto que amei.

“Conheci daquele jeito e amei todas as partes dela. Amei até as coisas que eu não tive tempo de conhecer pra amar.” (Página 117)

Dessa vez o Daniel resolveu trazer textos que retratam a dúvida se não de todas, da grande maioria da humanidade “O Que Eu Tô Fazendo Da Minha Vida?”. Acredito que não seja necessário pensar muito pra ver que em algum momento da sua vida essa pergunta já te deixou preocupado, e até te fez perder noites de sono.

São crônicas que retratam as dúvidas, medos, questionamentos, e sentimentos, que nos assombram conforme vamos envelhecendo.

A identificação vem logo no primeiro texto. Costumo pensar que esse tipo de livro é para uma auto avaliação. É olhar para si mesmo e perceber o quão forte é, mesmo que tudo lá fora esteja desmoronando. Falando assim pode parecer que é um livro de autoajuda, o que me faz pensar se todos os livros não são de certa forma. Acontece que aqui não é um livro com uma receita pronta para te ajudar a passar por um momento difícil, ou de como sair da depressão. Nada disso. São crônicas com pensamentos reais, é a nossa fala nas mãos de outra pessoa. Gosto da realidade que sinto ao ler as palavras do Daniel, apesar de escrever lindamente, ele não tem medo de rasgar a carne, na verdade ele prefere sangrar. E isso é lindo, porque na vida levamos muito tombos.

“Dá medo de cair pra dentro da gente e descobrir que tá tudo uma zona, tá tudo errado e não tem como fugir.” (Página 132)

A maioria das crônicas fala diretamente sobre relacionamentos. Da maneira como nos comportamos quando tudo o que podemos fazer é assistir o fim de algo que pensávamos ser para sempre. Sentimentos de solidão mesmo estando acompanhados, e de como é possível ficar mesmo que a vontade de partir seja maior.

Crônicas que retratam a facilidade que temos de nos perder na rotina, e o sentimento de ver a vida passar.

Fala sobre a pressão que os jovens sentem para saber o que irão fazer com suas vidas, mesmo que a grande maioria dos “adultos” não tenha menor ideia do que fizeram com a deles.

Mas com certeza os meus preferidos são os que fala diretamente com o leitor, como se fosse uma conversa entre amigos. A identificação é assustadora, parece que o Daniel andou escutando diálogos meus com amigos.

“Aprendi que amor dói. Foi por isso que nem fiz questão de machucar você.” (Página 154)

É uma viagem para dentro de si mesmo, é encontrar seus fantasmas e dançar com eles. É ter a coragem de perdoar aqueles te feriram de uma forma desumana, acima de tudo é um grito de perdão a si mesmo, por ter se machucado, por achar que era menos do que outros, por acreditar que precisava ser forte o tempo todo.

Esse livro é aquela pausa que você precisa dar para recuperar o fôlego.

A diagramação está impecável, dá para notar o cuidado que o Daniel teve ao construir essa lindeza em cada página. Outro motivo para amar esse livro, e os outros dois que ele já escreveu, é que todos os textos são acompanhados de uma música que casa tão perfeitamente com cada texto. A playlist completa você encontra no final do livro.

É um livro para quem gosta de leituras rápidas, mas cheias de sentimentos. Também é uma ótima pedida para presentear alguém importante.

Enfim, O Que Eu Tô Fazendo Da Minha Vida? é um livro para aqueles que foram feitos para sentir, ou seja, todos.

4 Comentários

  1. Kalyne Lauren23 maio, 2018Responder
    • Camila Carvalho08 jun, 2018Responder
  2. Marina Mafra05 jun, 2018Responder
    • Camila Carvalho08 jun, 2018Responder

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