Onde não existe reciprocidade, não se demore

Iandê Albuquerque

Editora: Planeta

Páginas: 200

Ano: 2018

Sinopse:

Jovem cronista com mais de 200 mil seguidores nas redes sociais FINAIS MACHUCAM, RECOMEÇOS CURAM Certa vez ouvi alguém dizer que “quem realmente ama não desiste nunca’’, e essa frase causou um turbilhão de conflitos dentro de mim. Por que tentamos o tempo todo nos convencer de que o amor é de fato permanecer? Ficar, somente por não termos coragem de partir? Às vezes ir embora se torna necessário: você se envolve em uma relação abusiva, que só consegue te fazer mal. Você se vê insatisfeito em uma relação, mas ainda assim insiste em acreditar que tudo vai melhorar. Ou quando você ama tanto alguém que não consegue aceitar o fato de que a maior prova de amor que podemos ter é deixando o outro ir. Eu já desisti algumas vezes, mesmo querendo tanto ficar, porque aprendi que não adianta um só querer. É preciso ter muita coragem pra desistir de alguém que você ama pra caramba só porque não faz mais sentido. É preciso acreditar que onde não existir reciprocidade, a gente não deve demorar.

Resenha:

Gosto de ler vários gêneros literários, mas preciso dizer que tenho um lugar todo especial aqui dentro do peito quando o assunto se trata de textos, crônicas e poesias.
Amo escrever desde que me entendo por gente, é como se meu corpo e mente sentisse uma necessidade que somente o papel e a caneta são capazes de saciar. Por consequência amo ler sobre a sede de outras pessoas.

“Às vezes a gente precisa escolher entre acabar algo ou esperar que isso acabe com a gente.” (pág. 129)

‘Onde não existir reciprocidade, não se demore’ é um livro para te abraçar. É aquele lembrete que você deveria colocar em letras garrafais na porta da geladeira que se amar primeiro não é egoísmo, se amar primeiro é fundamental na jornada para amar outra pessoa.
São crônicas que nos mostram de uma maneira simples que amar precisa ser uma via de mão dupla. Que não adianta insistir em uma relação que apenas um se entrega. Amor sem reciprocidade não consegue sobreviver, mesmo que a vontade de fazer dar certo seja grande.

Tiveram crônicas que me fizeram refletir muito na Camila do passado. Uma Camila insegura que achava que meio amor era melhor do que nada, o que eu não percebia era que meio amor também era nada. Acredito que se lesse esse livro anos atrás talvez não tivesse derramado tantas lágrimas, e perdido noites de sonos por pessoas que não mereciam minha preocupação, quem dirá meu sentimento mais sincero. Pode ser também que mesmo lendo eu ainda fosse errar, tem coisas que só aprendemos vivendo.

“Você se tornou aquela camiseta surrada que a gente acha que vai servir pra alguma coisa, talvez pra lustrar os móveis, talvez pra enxugar as mãos ou até mesmo como pano de chão, e então ela nunca vai pro lixo, e a gente a mantém ali só porque acha que ainda pode ter alguma utilidade.” (pág. 37)

Mas o livro também fala sobre reconhecer o momento de abrir mão de algo que foi bonito, que nos acrescentou, ele nos mostra de forma sútil que nem todo fim precisa ser dolorido. Que às vezes é necessário deixar o outro ir para preservar o que tanto nos fez bem. Nos presenteia com a descrição exata de que o amor pode continuar sendo amor, mesmo que ambos decidam que a jornada juntos já chegou ao fim. Outra coisa importante que o autor conseguiu abordar, é que não é preciso ter alguém para se sentir feliz, ou completo, até porque costumo falar que não somos peças de quebra cabeças que precisam ser completadas. Acredito que quando encontramos a pessoa certa, ela irá nos acrescentar ao ponto de nos fazer transbordar.

“Aprendi que a gente não deve depositar tantas expectativas no outro a ponto de torná-lo alguém mais importante na nossa vida do que nós mesmos.” (pág. 226)

É fundamental sabermos diferenciar solidão de estar sozinho. Posso estar sozinha e me sentir realizada. Colocar o peso da sua vida sobre alguém é perigoso, e pode ser até destrutivo.
Ninguém deveria ser o responsável pela felicidade do outro, todos somos falhos, e mesmo que haja boa vontade em algum momento vamos acabar frustrando as expectativas que outro possui em relação a nós.

“A pessoa certa é aquela que te prova, todos os dias que te quer na vida dela” (pág. 187)

Enfim, esse livro é um brinde a você, a pessoa mais importante da sua vida. É a afirmação que talvez esteja precisando para acreditar o quão maravilhoso você é, e do quanto amado merece ser, por mais que algumas situações e pessoas tenham dito o contrário.
E lembre-se Onde não existir reciprocidade, não se demore.

01 Comentário

  1. Marina Mafra21 jun, 2018Responder

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