Órfã, Monstra, Espiã

Matt Killeen

Editora: Planeta

Páginas: 304

Ano: 2018

Sinopse:

Qual seria o seu ato de resistência? Seu nome é Sarah. Ela é loira, de olhos azuis e judia na Alemanha de 1939. E seu ato de resistência está prestes a mudar o mundo. Depois que sua mãe é assassinada em um posto de controle, Sarah, de quinze anos, conhece um homem misterioso com um sotaque estranho, um apartamento suspeito e um cofre cheio de armas. Ele faz parte da resistência secreta contra o Terceiro Reich, e ele precisa que Sarah se infiltre em uma escola para as filhas de generais do alto escalão nazista, posando como uma delas. Se ela conseguir fazer amizade com a filha de um cientista-chave e ser convidada para sua casa, ela seria capaz de roubar as plantas de uma bomba que destruiria as cidades da Europa Ocidental. Nada poderia ter preparado Sarah para seus colegas de escola, e logo ela se encontra em uma batalha pela sobrevivência diferente de qualquer outra que tenha imaginado. Mas qualquer um que subestime essa garota aparentemente inocente o faz por sua conta e risco. Ela pode parecer doce, mas é o pior pesadelo dos nazistas.

Imagine uma menina aparentando por volta dos seus onze anos, que acaba de perder o seu único referencial de humanidade. É dessa forma triste e fria que somos apresentados a história de Sarah, uma judia que está fugindo com a mãe dos soldados alemães em pleno inicio da Segunda Guerra Mundial.

Em um segundo Sarah está escondida no banco de trás do carro escutando sua mutter dizer que tudo dará certo. No outro, tudo que se lembra é de ver um buraco na cabeça de sua mãe. Ela sabe que precisa sair dali, correr o mais rápido que puder, para o mais longe que conseguir, mas em seu íntimo sabia que havia ficado ali junto com o corpo de sua mãe sem vida.

Nunca minta quando você puder dizer a verdade. Mentiras podem amarrar e depois destruir você. (pág 54)

No meio da fuga ela sofre muitos ferimentos, mas seu desespero e adrenalina impedem de sentir qualquer tipo de dor, naquele instante tudo que importava era sua sobrevivência
Em determinado momento na calada da noite para confundir o olfato dos cachorros dos soldados alemães ela sobe em uma claraboia e ali fica até sentir que o perigo passou.

Em meios aos clarões que os zeppilins faziam avistou a sombra de outra pessoa. Sarah correu o mais rápido que pode, todos poderiam ser monstros, ainda mais no escuro. Quando finalmente se permitiu relaxar avistou sua imagem refletida em um espelho sujo, de um banheiro ainda mais sujo. Tudo doía, seu rosto estava deformado, nada se parecia com as lembranças de outrora.

Eu não tinha amigos. Tinha livros. (pág 64)

No banheiro ela tem um novo encontro com o estranho da claraboia. Sarah estava com medo, mas uma voz em seu subconsciente gritava que tudo ficaria bem, ela precisava apenas entrar no papel da pobre menina ariana que se perderá dos pais, um papel dos muitos que sua mãe ensinou. De fato Sarah conseguiu sobreviver aquele dia horrível.

Agora ela queria um objetivo pelo qual viver, e para sua salvação ou perdição o Capitão Jeremy Floyd, o homem da claraboia tinha planos bem traçados para a pequena judia.
Juntos eles eram mais perigosos e inteligentes do que o poderoso exército alemão poderia prever.

Assim como o conteúdo de uma escrivaninha, uma biblioteca fala sobre a pessoa. (pág 50)

Apesar de ser uma história fictícia sobre o inicio da Segunda Guerra Mundial, os fatos narrados dão uma pequena margem do verdadeiro sofrimento não apenas dos judeus, mas de todos aqueles que tinham ideias que contrariavam a soberania de Hitler.
Através dos olhos de Sarah vemos como tudo aquilo parecia insuportável. Não ser aceita em sua própria pátria.

Saber que a morte de sua mãe foi causada por ódio, e intolerância poderia ter tornado a fraca, mas ela tirou forças de de suas dores, cada ferida aberta, cada maltrato, tornou uma garota de aparência frágil em uma verdadeira arma.

Sarah reuniu toda a sua desconfiança, como sal derramado sobre a mesa, e varreu pra dentro de sua caixinha de horrores, escolhendo ignorar o que escapou. (pág 288)

Apesar de ter muitas referências a língua alemã, o que poderia facilmente tornar a leitura cansativa, me vi envolvida, conspirando, e traçando planos com Sarah e o Capitão.
Preciso enaltecer a riqueza desses dois personagens, foram construídos para cativar o leitor, mesmo eles não possuindo as velhas características dos bonzinhos, e acredito que esse realmente era o objetivo, mostrar que em uma guerra não existe apenas pessoas boas e ruins.
Os personagens secundários também não ficaram esquecidos, a pequena Mauser conquistou meu coração, e até mesmo Elsa ganhou minha empatia e sororidade.

E se eu for a última verdadeira alemã, meu último ato será destruir tudo o que estiver em meu poder destruir, matar todos os que estiverem em meu poder matar, e, quando chegar ao inferno, entregar você pessoalmente ao demônio. (pág 214)

As últimas páginas tiraram meu fôlego, tudo parecia que iria desmoronar, muitos fatos sombrios foram deixando meu coração apreensivo. Foi como ser jogada de um avião sem para quedas e esperar pela queda é tudo o que me restava.

Esse com certeza não é um livro é um Hino. Uma história de resistência, e o horror, com uma menina de aparência frágil feito porcelana, mas que escondia uma força maior que uma nação inteira.

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