OS MONÓLOGOS DA VAGINA (EDIÇÃO COMEMORATIVA)

Eve Ensler

Editora: Globo

Páginas: 208

Ano: 2018

Sinopse:

Publicado em 140 países, Os monólogos da vagina marcou toda uma geração com a visão hilariante e reveladora de Eve Ensler a respeito do que até então era considerada uma zona proibida, “aquela-que-não-devia-ser-nomeada”, um mistério até mesmo para as próprias mulheres. Adaptada a partir da premiada peça teatral off-Broadway que se tornou sucesso absoluto em todo o mundo, tendo inclusive diversas montagens no Brasil, esta obra revolucionária reúne uma série de histórias luxuriosas, emocionantes, singelas e, sobretudo, humanas, que transformaram o ponto de interrogação que costumava pairar sobre a anatomia feminina em um permanente sinal de vitória. Vinte anos depois de seu lançamento, Eve Ensler mostra, em um prefácio inédito, por que o seu texto continua mais atual – e necessário – do que nunca. Mesclando gargalhadas e lágrimas, a autora transporta seu público para um universo que ainda hoje muitos hesitam em desbravar, garantindo que qualquer um que leia Os monólogos da vagina jamais volte a olhar para o corpo de uma mulher da mesma maneira. “Eu estava preocupada com as vaginas. Preocupada com o que a gente pensa das vaginas, e mais preocupada ainda com o que a gente não pensa. Então, resolvi falar com mulheres a respeito do assunto. Essas conversas viraram Os monólogos da vagina. Falei com mais de duzentas mulheres: mulheres mais velhas, mais novas, casadas, solteiras, lésbicas, professoras universitárias, atrizes, executivas, profissionais do sexo, mulheres afro-americanas, hispânicas, asiáticas, caucasianas, judias. De início, elas ficavam meio relutantes, um pouco tímidas. Mas, quando começavam a falar, aí não paravam mais.”

“Minha vagina é uma concha, uma tulipa e um destino. Eu chego e ao mesmo tempo começo a ir embora. Minha vagina, minha vagina, eu mesma.”

— O Workshop da Vagina

(Página 50)

Há alguns anos quando li o título “Os Monólogos da Vagina” imaginei que se tratava apenas de histórias engraçadas a respeito do universo feminino, especialmente relacionadas a sexo. Despertou meu interesse, mas deixei passar.

Os textos da autoria de Eve Ensler estão completando 20 anos e a Editora Globo Livros acaba de lançar uma edição comemorativa contendo, também, alguns escritos inéditos. Eu não poderia deixar passar novamente.

De fato, alguns monólogos trazem um ar leve e espirituoso. Entretanto, esse é apenas um dos aspectos da obra. Eles foram inspirados em relatos reais de mulheres com diferentes vivências.

A inquietação e a criatividade de Ensler sobre o assunto abriram portas a milhões de vozes que lutam diariamente contra o preconceito e todo tipo de violência.

“MINHA VAGINA ANDA FURIOSA. Sério. Puta da vida. Minha vagina anda revoltada e precisa falar. Precisa falar dessa merda. Precisa falar com você.”

— Minha Vagina Furiosa

(Página 63)

Eve Ensler é ativista pelos direitos das mulheres. Aliou a necessidade em falar sobre um antigo tabu à profissão de atriz e dramaturga. Entrevistou mais de duzentas mulheres a respeito de algo que não se ouvia falar nem mesmo durante uma consulta ginecológica – a Vagina.

A partir desses relatos, Ensler escreveu uma peça, onde, inicialmente, o tema central era sexualidade (libido e satisfação). A certeza de que seus monólogos não seriam bem aceitos se mostrou irrelevante diante da receptividade de inúmeras mulheres que começaram a procurá-la para falar a respeito de suas experiências com a violência sexual.

“Não aguento mais estupro.

Não aguento mais estupro acontecendo em plena luz do dia.

Não aguento mais a cultura do estupro, a mentalidade do estupro.

(…) Não aguento mais ser educada a respeito do estupro. Já faz tempo demais, fomos compreensivas demais.

Precisamos que as pessoas tentem imaginar de verdade – de uma vez por todas – como é ter seu corpo invadido, sua mente despedaçada, sua alma estilhaçada.”

— Não Aguento Mais

(Páginas 134/137)

A proporção que a peça tomou foi tão grande que outras feministas uniram-se à autora e, juntas, fundaram o movimento V-Day de ativismo pelo fim da violência contra meninas e mulheres. Atualmente o grupo tem representantes em diversos lugares.

O V-Day já arrecadou milhões de dólares no mundo todo e ajudou a salvar as vidas de milhares de mulheres através de centros de apoio, construção de abrigos, luta para mudanças de Leis, entre outros. Muitas vezes não foi uma trajetória fácil, o acesso a algumas culturas é bem complicado, porém as ativistas mantém vivo o seu propósito.

“Minha revolução está neste corpo

Neste quadril quebrado pela misoginia

Nesta mandíbula emudecida pelo arame da fome e da atrocidade.”

— Minha Revolução Começa no Corpo

(Página 140)

Eve Ensler traz em seus escritos uma sensibilidade gigante, não apenas como mulher, mas — e especialmente — como ser humano.

Os monólogos contidos neste livro – aqueles de 20 anos atrás e outros mais atuais –, abordam diversos temas: sexualidade, primeira menstruação, parto, mutilação vaginal, estupro, violência doméstica, mudança de sexo, os contextos da cultura do estupro e outros. Alguns deles são bem perturbadores e trazem um grande sentimento de impotência e revolta, mas, sobretudo, a consciência de que todas as mulheres – independente de condição ou cultura – devem ter seus direitos, respeito e proteção garantidos.

 “Os Monólogos da Vagina” ajudaram a transformar a realidade de muitas delas, mas ainda temos um longo caminho a percorrer.

Leitura importante, necessária. Não deixem passar.

Forte abraço!

2 Comentários

  1. Marina Mafra27 set, 2018Responder
    • Le10 out, 2018Responder

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