Outros Jeitos de Usar a Boca

Rupi Kaur

Editora: Planeta

Páginas: 208

Ano: 2017

Sinopse:

'outros jeitos de usar a boca' é um livro de poemas sobre a sobrevivência. Sobre a experiência de violência, o abuso, o amor, a perda e a feminilidade. O volume é dividido em quatro partes, e cada uma delas serve a um propósito diferente. Lida com um tipo diferente de dor. Cura uma mágoa diferente. Outros jeitos de usar a boca transporta o leitor por uma jornada pelos momentos mais amargos da vida e encontra uma maneira de tirar delicadeza deles. Publicado inicialmente de forma independente por Rupi Kaur, poeta, artista plástica e performer canadense nascida na Índia – e que também assina as ilustrações presentes neste volume –, o livro se tornou o maior fenômeno do gênero nos últimos anos nos Estados Unidos, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos.

“você me abriu ao meio
do jeito mais honesto
que existe
de abrir uma alma
e me forçou a escrever
num momento em que eu tinha certeza que
nunca mais conseguiria escrever
-obrigada” (Página 212)

Fiquei pensando durante horas como começar essa resenha, como colocar de forma eloquente o turbilhão de sentimentos que essa leitura despertou nesse pobre coração, tão acostumado a ser contorcido pelas palavras que outros escrevem em histórias sensacionais. Mas preciso me fazer entender que nada, absolutamente nada poderia ter preparado meu coração para Rupi Kaur e seu exagero de palavras viscerais.

Outros Jeitos de Usar a Boca é a forma mais linda e intensa que a Rupi, uma indiana que teve desde muito cedo entender que a vida não é apenas um aglomerado de momentos felizes.

Nesse livro ela simplesmente rasgou sua carne, deixou à exposta em linhas e ponto, só ponto, para que todos pudessem ser inundados com seus sentimentos mais ferinos.

“a questão sobre escrever é que
não sei se vou acabar me curando
ou me destruindo” (Página 156)

A obra é dívida em quatro partes, e cada uma delas nos confronta de uma maneira diferente, mas não se engane achando que por ser tratar de poemas encontrará palavras perfeitamente encaixadas ao final de cada linha, esqueça que o aprendeu no colégio.

Nesse livro o soco, a dor, a lágrima, pode estar em duas linhas, que te invadem como se sua própria carne estivesse sendo dilacerada.

Aqui não há firulas para romantizar a dor de ter um coração machucado, tudo é muito cru.

Outros Jeitos de Usar a Boca é o nosso grito. É o empoderamento de toda mulher, é a força escondida no meio do caos. É abonança depois de uma grande tempestade, é a prece que se faz de joelhos. Leite e Mel.

“tem pessoas
tão amargas
é com elas que você deve ser amável” (Página 198)

Sei que pareço exagerada ao tentar mostrar o quanto esse livro mexeu comigo, e que para cada leitor as palavras de Rupi podem ser sentidas de outra maneira, mas te garanto que ninguém passará ileso ao final das páginas.

“eu não sei o que é viver uma vida equilibrada
quando fico triste eu não choro eu derramo
quando fico feliz
eu não sorrio eu brilho
quando fico com raiva
eu não grito eu ardo
a vantagem de sentir os extremos é que
quando eu amo eu dou asas
mas isso talvez não seja
uma coisa tão boa porque
eles sempre vão embora
e você precisa ver quando quebram meu coração
eu não sofro
eu estilhaço” (Página 117)

Agora, quero falar um pouco sobre a minha edição que além de ser em capa dura, contém um epílogo que por si só já é um tiro bem no meio do peito. Nele Rupi Kaur, fala de sua experiência ao escrever o livro, e que já não é a mesma que escreveu essas palavras tão cortantes.

Seus poemas são todos escritos com letras minúsculas, sem vírgulas, apenas pontos finais. No epílogo ela explica que essa forma de escrever e de sua cidade natal na Índia, lá eles tratam todas as letras de forma igual.

Além disso, a edição conta com os poemas escritos em inglês no final do livro, e com o título original: Milk and Honey.

As ilustrações são belíssimas e todas são feitas pela própria Rupi.

Pra finalizar digo que toda mulher deveria ter a oportunidade de ler Outros Jeitos de Usar a Boca, na verdade homens também. Esse livro vai muito além do feminismo, ele na verdade é um grito de humanidade.

Leia e releia várias vezes ao longo de seus dias, meses, anos, vida. Coloque-o no seu local preferido e use-o toda vez que pensar que não é capaz, que achar que o peso do mundo é demais para suas costas, encontre nele a verdade que precisa ser repetida até virar seu coro.

E se você já leu, me conta o que significou para você, vamos papear.

22 Comentários

  1. Marina Mafra01 mar, 2018Responder
    • Camila Carvallho07 mar, 2018Responder
  2. Le02 mar, 2018Responder
    • Camila Carvallho07 mar, 2018Responder
    • Camila Carvallho07 mar, 2018Responder
  3. Bruna Bueno06 mar, 2018Responder
    • Camila Carvallho07 mar, 2018Responder
  4. Ane Carol06 mar, 2018Responder
    • Camila Carvallho07 mar, 2018Responder
    • Camila Carvallho07 mar, 2018Responder
  5. Camila Tuan06 mar, 2018Responder
    • Camila Carvallho07 mar, 2018Responder
  6. Paulo06 mar, 2018Responder
    • Camila Carvallho07 mar, 2018Responder
    • Camila Carvallho07 mar, 2018Responder
  7. Luna Amil07 mar, 2018Responder
  8. Evy09 mar, 2018Responder
  9. BestBell27 out, 2018Responder

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