Quem é você, Alasca?

John Green

Sinopse:

Miles Halter tem fascinação pelas últimas palavras que grandes pessoas disseram antes de morrer. Vive de devorar biografias. Mas está cansado de ter só isso para livrá-lo do tédio que é a vida com os pais, na Flórida. Em busca do que o poeta François Rabelais chamou em suas últimas palavras de o “Grande Talvez”, Miles sai de casa para ingressar na Escola Culver Creek, um internato no Alabama. Muitas coisas o esperam lá; entre elas, Alasca Young. Inteligente, engraçada, louca e incrivelmente sexy, Alasca vai arrastar Miles para seu labirinto e catapultá-lo sem misericórdia na direção do Grande Talvez.

Esse post não é sobre alguma edição específica, mas sobre a história em si, sobre a minha coleção de livros do autor e sobre eu amar Quem é Você, Alasca? com toda a minha alma.

Primeiramente, você precisa entender a minha paixão pelo autor. Sou paciente de esclerose múltipla e embora eu saiba que não vou morrer disso, não soube bem como lidar com ela na minha vida. Até que li A Culpa é das Estrelas, outro livro do autor. A história é um romance entre dois jovens que precisam aprender a lidar com o câncer em suas vidas. Deixando de lado toda a parte de morte, o autor trouxe a beleza de viver, independente das condições e a graça em detalhes que poderiam ser vistos como trágicos. Trazendo esse ponto de vista para a minha realidade, aprendi que se eu pudesse me divertir no meio das dificuldades, eu continuaria doente, mas de uma forma mais leve. Ele não apenas salvou a minha felicidade, como mudou a minha perspectiva da vida. Então, podem falar o que for dele, pra mim ele sempre será um herói.

Agora vamos falar de Alasca. Quando eu terminei a leitura de A Culpa é das Estrelas, levei um tempo para me recuperar (mentira! Ainda estou me recuperando) e fui atrás de mais do autor. Me deparei com Quem é Você, Alasca? Eu não fazia ideia do que esperar, ninguém falava desse livro na época e eu não tenho o costume de ler sinopses. Imaginei apenas mais uma leitura divertida, afinal, John Green não poderia ser trágico em todos os livros, não é mesmo?

Hoje eu sei que ele não foi trágico em todos, mas o que Alasca fez comigo… não há como descrever…

Resenha:

Somos capazes de sobreviver a essas coisas horríveis, pois somos tão indestrutíveis quando pensamos ser.

Miles estava saturado da sua vida. Não era popular, não tinha amigos ou raízes. Por mais que seus pais o amassem, a sensação de vazio dominava o nosso protagonista.

Ouvir em silêncio era meu modo de conviver em sociedade.

Ele resolve estudar no colégio interno que o seu pai havia estudado. Em outra cidade, longe de tudo. Ciente de que poderia não mudar em nada na sua vida, mas convencido de que onde estava, também não o levaria à lugar nenhum.

Para convencer seus pais a apoiarem seus planos, ele usa a frase que foram as últimas palavras de um grande poeta, François Rabelais: “Vou em busca de um Grande Talvez.” Alegou não querer esperar a morte para então começar a procurar o seu Grande Talvez.

Miles era intenso e dramático, mas de um jeito cômico.

Assim que ele chega na nova escola, Culver Creek, as coisas já começam diferentes, ele faz um amigo, seu companheiro de quarto, Chip, que gosta de ser chamado de Coronel.

Coronel tem um jeito mandão, não é bom em seguir as regras e apelidou Miles de Gordo (ou em algumas versões, Bujão), ironia devido Miles ser muito magro. É através dele que Miles conhece Alasca.

Alasca é a típica rebelde, mas não sem causa. Um trauma da infância mexeu com tudo nela. Ela fuma, bebe e se destrói por culpa pela morte da mãe. O que ela não consegue entender é que era jovem demais para que pudesse ser culpada por algo. Tirando toda a carcaça da mágoa, é uma jovem extremamente atraente. Namora um rapaz mais velho, que nunca aparece por lá e tem uma biblioteca imensa no seu dormitório, além de cigarros escondidos. Talvez seu ar de experiente ou a aparência de encrenca tenha deixado Miles completamente encantado por ela.

Ela tinha namorado. Eu era um palerma. Ela era apaixonante. Eu era irremediavelmente sem graça. Ela era infinitamente fascinante. Então eu voltei para o meu quarto e desabei no beliche de baixo, pensando que, se as pessoas fossem chuva, eu seria garoa e ela, um furacão.

Sabendo que não teria chances com a moça, eles se tornam amigos.

Gordo, Coronel, Alasca e mais alguns amigos da escola, vivem as mais diversas aventuras. Miles nunca se sentiu tão fora da lei e a adrenalina faz com que ele se sinta muito bem.

Enquanto ele aprende um mundo de coisas novas, percebe o quanto Alasca precisa de alguém que se importe com ela. Mas às vezes as pessoas se sentem tão feridas, que não há ajuda que seja o suficiente.

Não sabia se podia confiar nela e já estava cansado de sua imprevisibilidade – fria num dia, meiga no outro; irresistivelmente sedutora num momento e insuportavelmente chata no outro.

O furacão Alasca vai mudar e destruir tudo em Miles, enquanto nos traz uma lição intensa e dolorida sobre as consequências dos nossos atos e dos traumas não elaborados.

O Green tem o poder de destroçar a minha alma. Ele não consegue se limitar a escrever uma boa história, ele precisa de forma impactante te mostrar o valor da vida. Foi como se a vida gritasse pra mim “Por favor pare e pense… eu sou aquilo que você faz de mim”.

Miles é inexperiente e curioso. Intenso e verdadeiro. A forma como ele descreve e vê Alasca me fez desejar que alguém sentisse isso por mim. O jeito tímido e engraçado… chega a passar um tipo de inocência e tive vontade de abraçar e cuidar dele. Me apaixonei por ele na primeira página e foi difícil me despedir. Foi um personagem que marcou e trago ele comigo desde que finalizei a leitura.

(…) Eu queria tanto me deitar ao lado dela, envolvê-la em meus braços e adormecer. Não queria transar, como nos filmes. Nem mesmo fazer amor. Só queria dormir com ela, no sentido mais inocente da palavra.

Em Alasca encontrei a pior parte de mim, aquela que escondo a sete chaves. A invejei por ser tão autêntica, por ter o Miles aos seus pés e não saber aproveitar. Uma personalidade forte escondendo um coração despedaçado. Quem nunca se sentiu assim?

Passamos a vida inteira no labirinto, perdidos, pensando em como um dia conseguiremos escapar e em quanto será legal. Imaginar esse futuro é o que nos impulsiona para a frente, mas nunca fazemos nada. Simplesmente usamos o futuro para escapar do presente.

A mensagem que guardei pra vida, é que viver é um presente que poucos sabem aproveitar. O que chega a ser injusto quando comparamos com quem não tem mais tempo de usufruir desse presente.

(…) Se ao menos conseguíssemos enxergar a infinita cadeia de consequências que resulta das nossas pequenas decisões. Mas só percebemos tarde demais, quando perceber é inútil.

Sobre o autor:

John Green cresceu em Orlando, Flórida, a uma pequena distância da Disney World. Se mudou para Ohio para cursar a universidade, onde estudou Inglês e Religião. Por vários meses antes se graduar, John trabalhou como capelão em um hospital infantil. Enquanto estava lá, teve a inspiração para escrever seu primeiro romance, Quem É Você, Alasca?, que se tornou um bestseller nos Estados Unidos e ganhou muitos prêmios literários, como o Michael L. Printz Award nos EUA e o Silver Inky Award na Austrália. O segundo romance de John, An Abundance of Katherines, foi publicado em 2006 e se tornou finalista do Los Angeles Times Book Prize e também nomeado livro de honra do Michael L. Printz. Paper Towns, publicado nos EUA em 2008, estreou em quinto lugar na lista dos mais vendidos do The New York Times e ganhou o Edgar Allan Poe Award pelo melhor romance de mistério. Em 2009, Paper Towns foi eleito em primeiro lugar por mais de 11 mil leitores no Top 10 dos Adolescentes da American Library Association.

No seu tempo livre, John é um grande fã do Campeonato Inglês de Futebol, mas ele não fala para que time torce, porque não quer alienar possíveis leitores.

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4 Comentários

  1. Le22 nov, 2017Responder
  2. Nana23 nov, 2017Responder

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