Santuário dos Ventos

George R. R. Martin, Lisa Tuttle

Editora: Leya

Páginas: 416

Ano: 2018

Sinopse:

George R.R. Martin, autor de “As Crônicas de Gelo e Fogo” e “Wild Cards”, e Lisa Tuttle reuniram seus talentos para presentear o leitor com Santuário dos Ventos, uma obra ambiciosa e emocionante, que, combinando ficção científica e fantasia, chega às livrarias pela LeYa. Na trama, após um desastre espacial, os tripulantes de uma nave intergaláctica passam a habitar uma região que chamam de Santuário dos Ventos, um mundo de pequenas ilhas, de clima difícil e mares infestados por monstros. Composta de inúmeros arquipélagos, a comunicação entre os povos era praticamente impossível – até a descoberta de que, devido à baixa gravidade e à sua densa atmosfera, os humanos poderiam voar pelos mares com a ajuda de asas de metal. Não por acaso, ninguém tem mais prestígio que os voadores, responsáveis por levar notícias para os mais diversos pontos do Santuário. Essas figuras deslumbrantes que cruzam os oceanos traiçoeiros, enfrentando ventos revoltosos e tempestades súbitas, formam também uma espécie de elite privilegiada, pois suas asas só podem ser passadas de forma hereditária. É nesse cenário que a jovem Maris é criada por Russ, um voador, e tudo o que ela mais deseja é voar pelas correntes acima do Santuário dos Ventos. No entanto, a tradição afirma que as asas de Russ só podem ser passadas para seu filho legítimo. E, para os voadores, permitir que qualquer um se junte à sua sociedade é uma ideia que beira a heresia. Inconformada, Maris recorrerá a tudo que estiver a seu alcance para conquistar as preciosas asas – abalando a sociedade em que vive e gerando uma série de novas questões morais entre os voadores e os “confinados à terra”. Afinal: quem merece ganhar os céus do Santuário dos Ventos? E até que ponto a benção se torna também uma maldição? Publicado originalmente em 1982, Santuário dos Ventos é uma das obras de Martin mais queridas pelos fãs e se mantinha inédita no Brasil. O romance foi vencedor do Locus Award, um dos mais prestigiados prêmios da ficção fantástica mundial. Sobre os autores George R.R. Martin nasceu em 1948 em Nova Jersey e é formado em jornalismo pela Northwestern University, em Chicago. Publicou sua primeira história de ficção científica, “O herói”, em 1971, e logo se firmou como escritor de rara qualidade, ganhando três Hugo Awards, dois Nebula Awards e o prêmio Bram Stoker. Passou dez anos em Hollywood como roteirista e editor de histórias nos seriados de TV Além da Imaginação e A Bela e a Fera – neste último como roteirista e produtor. Depois, iniciou sua série fantástica “As Crônicas de Gelo e Fogo”, que deu origem ao sucesso da HBO – Game of Thrones. A série conta até agora com os títulos A guerra dos tronos, A fúria dos reis, A tormenta de espadas, O festim dos corvos e A dança dos dragões, todos publicados pela LeYa. Lisa Tuttle ganhou o John W. Campbell Award de melhor escritora em 1974 e desde então escreveu vários contos e novelas, incluindo Lost Futures, que foi indicado ao Arthur C. Clark Award, e The Pillow Friend. Além disso, escreveu diversos livros infantis. Nascida no Texas, atualmente mora com o marido e a filha numa área remota na costa ocidental da Escócia.

Resenha:

Você já parou para observar as aves voadoras, voando livremente no céu? Creio eu que todo ser humano já se deparou com essa cena na vida. Como seria ter a capacidade de voar? Experimentar o sopro dos ventos diretamente na face, se sentir o dono dos céus. Seria uma experiência maravilhosa, correto? E é nesse clima de voos que começa a nossa história.

O Santuário dos Ventos é um lugar onde os ventos são uma força quase cósmica, e voar é o melhor modo para transmitir notícias, eventos importantes, dentre outras informações. Cruzando os mares tortuosos e fugindo de monstros marinhos, os voadores, pessoas que possuem asas de um metal bastante antigo e resistente, são considerados as pessoas mais importantes do planeta, já que suas asas só passam para outra pessoa, através da linhagem sanguínea.

Maris, uma jovem filha de pescadores, sempre sonhou em voar pelos céus, mas isso jamais seria possível, em virtude de sua descendência. Mas quando Russ, um experiente voador, decide criar Maris como sua filha, nossa garota tem a oportunidade de realizar o seu sonho de voar. Porém as coisas mudam quando Coll, o primeiro filho legitimo de Russ nasce, e pela tradição, é ele quem herdará as asas do pai.

“- … As asas são uma responsabilidade; elas devem ser usadas por aqueles que amam o céu, que vão voar melhor e mantê-las da melhor maneira. Em vez disso, o nascimento é o nosso único critério para conferir as asas. O nascimento, não é talento. Mas o talento de um voador é o que o livra da morte, é o que mantém o Santuário dos Ventos unido.” (Página 59)

Tradições, tradições, tradições… Maris não aceita perder a suas tão amadas asas, apenas por uma lei antiga dos voadores, o correto seria que as asas ficassem com quem voasse melhor, e todos sabiam como ela era fabulosa nos céus. Em meio à dor e o pavor de perder suas asas, Maris enfrenta uma jornada épica para tentar mudar a tradição tão antiga do Santuário dos Ventos, mas se ela terá sucesso ou não, isso meu caro leitor, você só saberá quando ler o livro.

Esse livro me despertou um misto de sensações, tanto a vontade de voar pelos céus, quanto a de lutar pelos meus direitos como cidadã. Pode ser apenas ficção, mas a história me fez associar a fatos que aconteceram recentemente em nosso país, penso que se lutássemos como essa jovem protagonista, as coisas tomariam rumos totalmente diferentes dos atuais. A força de Maris me contagiou, sua determinação e ousadia foram algo que fizeram a história decolar.

“O fato de uma coisa sempre ter sido feita de um jeito não quer dizer que a mudança não seja possível, ou desejável.” (Página 84)

O livro é dividido em três partes. Na primeira conhecemos a vida de Maris após ganhar os céus, uma jovem no auge de seus 19 anos e que deseja acima de tudo manter as suas asas, na segunda parte já temos uma Maris mais experiente, adulta e sábia. Alguém que sabe a hora certa de agir e tomar decisões, uma pessoa que apóia os outros sem pensar nas consequências, e que nunca, jamais, permite que tentem mudar a sua opinião.

E é na terceira parte meus amigos, que vemos um lado totalmente melancólico, mas vital de Maris, que nos faz analisar toda a nossa trajetória de vida. Será que viver é algo passageiro? Será que deixaremos nossa marca no mundo de alguma forma? Maris me encantou com tamanha inteligência, coragem e perseverança nessa terceira parte.

Se você é um fã do amado George Martin, saiba que essa história é totalmente diferente das Crônicas de gelo e fogo, mas nem por isso deixa de ser digna, ou bem escrita. Em parceria com a autora Lisa Tuttle, eles criaram um universo que fará qualquer leitor desejar voar pelos céus. Publicada originalmente em 1981, a editora Leya acertou em cheio ao publicá-la nos dias atuais, afinal, Martin é Martin.

2 Comentários

  1. Marina Mafra12 jun, 2018Responder
  2. Camila Carvallho13 jun, 2018Responder

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