Se eu não te vir primeiro

Eric Lindstrom

Editora: Rocco

Páginas: 320

Ano: 2019

Sinopse:

Desde que perdeu a visão, Parker Grant, de 16 anos, estabeleceu uma série de regras e rotinas para si e para o mundo. Ela não quer ser tratada diferentemente por ser cega, e muito menos que tirem proveito da situação. Scott Kilpatrick é a pessoa que mais sabe disso, pois foi banido da vida de Parker depois de quebrar a mais importante das regras. Mas agora, muitas coisas estão diferentes. Alguns anos se passaram, seu pai morreu e sua tia se mudou com os filhos para sua casa. Cercada de pessoas que não conhecem sua rotina, ela precisará se adaptar novamente. E isso talvez não seja tão simples, agora que Scott, a pessoa que mais a magoou, está de volta

As pessoas não mudam. Elas só aprendem com a experiência e se tornam atores melhores.

Mais um livro da série “Favoritados“.

Com uma escrita adolescente, em um cenário escolar típico americano, conheci Parker, uma adolescente que perdeu a visão, os pais, mas precisou arranjar uma maneira de tocar a vida.

O silêncio que se segue é o exemplo perfeito do que eu mais odeio em ser cega: não ver como as pessoas reagem ao que digo.

Acho excelente livros que nos trazem a realidade de deficientes, mas que não focam apenas na doença, pois tê-la não isenta a pessoa das pancadas da vida. Isso me conecta aos personagens de uma maneira muito íntima, as tornando reais.

A história é curtinha e narrada de uma forma envolvente pela protagonista, o que faz a leitura ser rápida.

Um acidente de carro tirou a vida da sua mãe e feriu a sua visão ao ponto de cegá-la; Seu namorado e melhor amigo armou uma situação que a constrangeu completamente e foi o fim de qualquer vínculo entre eles; Seu pai faleceu algum tempo depois, de uma forma que pareceu suicídio, mas não foi confirmado; A família da tia passou a morar em sua casa, para facilitar, já que ela sabia onde ficava cada coisa, mas a adaptação com eles e a nova rotina não estava sendo agradável.

Tudo preto. Um acidente de carro dilacerou meus nervos ópticos. Meus olhos estão bem, só… que sem luz.

Para esquecer os problemas, Parker fazia algo bem inusitado, ela corria próximo da sua casa, cedo o suficiente para que ninguém a visse, onde ela conhecia cada buraco, árvore ou qualquer outro tipo de obstáculo. Ainda, junto com a melhor amiga, dava conselhos na escola após ter ganhado fama de ser “boa nisso”. As pessoas se aproximavam, contavam seus problemas e ouviam o que deveriam fazer na situação.

Parker, sem dúvidas, não era uma adolescente normal. Sua personalidade engraçada e seu sarcasmo para lidar com a cegueira conquistaram o meu coração.

– Parker, você está bem? Você tropeçou em alguma coisa?

– Só em mim mesma – respondo, respirando pesado. – É difícil de explicar, mas, sério, tipo, como eu sou cega, vocês provavelmente deveriam ter ficado surpresos se eu não tropeçasse.

Ela criou algumas regras para ajudá-la a sobreviver no mundo e quem convivia com ela precisava segui-las. As regras variavam entre o que não deveria ser feito para um cego a não trair a sua confiança. O mais bacana foi ver a personalidade dela sendo moldada enquanto ela percebia que para cada regra há exceções e que até alguém limitado precisa compreender atitudes alheias às vezes. Se na vida nem sempre tudo que parece é, imagina para alguém que não consegue enxergar para tirar suas próprias conclusões?

Meu cérebro às vezes me sabota.

Recomendo demais!

2 Comentários

  1. Le12 jul, 2019Responder

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