Sementes de outono

Blair F. Carvalho

Editora: Pandorga

Páginas: 192

Ano: 2017

Sinopse:

Depois de completar um curso teórico em busca de seu brevê de piloto de avião, Laurent se viu envolto em um grave acidente, ocorrido em seu primeiro voo prático. Esse infortúnio o levou a meses de internação e outros tantos na recuperação de sua memória. Como num passe de mágica, ao sair pela última vez do prédio de seu analista, se defrontou com uma colega do Ensino Médio, Glória — na verdade, uma paixão platônica que ele escondera dentro de si a sete chaves. Coisa parecida também ela guardava somente para si, o que os levou a se interessarem profundamente um pelo outro. Desse encontro nasceu um grande amor que, embora fervoroso, foi bruscamente interrompido durante quase dois anos. Quando, enfim, se possibilitou o rompimento das amarras, o primeiro obstáculo se efetivou, iniciando uma busca infindável por mais de dois outros anos pelo paradeiro de Laurent. Mas, quando tudo começa a ficar indefinido, o destino conspira, aumentando as possibilidades de um desfecho inimaginável para ele.

RESENHA:

Quando você chega ao limite de toda luz que conhece, e está a ponto de dar um passo na escuridão, fé é saber que uma dessas coisas vai acontecer: haverá chão ou você aprenderá a voar.
RICHARD BACH

Inicio mais uma resenha, dessa vez com a epígrafe escolhida pelo autor, que eu amei. Achei que combinou bem com o início da história.

Nosso protagonista Laurent sempre sonhou em tornar-se piloto, mas em seu primeiro voo sofre um grave acidente e, como consequência, perde a memória.

Levou um longo tempo para se recuperar. Nos momentos em que sua memória vai retornando, revive acontecimentos da infância e sofre com a lembrança da perda precoce do pai, mas segue com o tratamento de maneira positiva, já que está tendo êxito na reabilitação.

Laurent decide, então, que não quer mais ser piloto e vai seguir trabalhando em sua formação, como advogado. Essa decisão é tomada principalmente por influência de sua mãe, que não aceita o filho colocar a vida em risco em uma carreira tão perigosa.

Se perguntassem às águas dos rios de onde vinha a sua força, certamente diriam que vem de suas quedas. E isso passou a ser uma convicção para sua nova vida. Ele se sentia realmente fortalecido. O acidente que sofrera mudara suas perspectivas; novos horizontes surgiram como num passe de mágica. (…) Na verdade, o que houve foi que ele tomou consciência de suas responsabilidades e que, sendo tão bela, a vida não merecia ser levada de forma tão leviana. (Página 46)

Ao final do tratamento descobre, por acaso, que a irmã de seu psiquiatra nada mais é que Glória, sua antiga paixão platônica da adolescência. O que ele não imaginava é que os sentimentos dela eram recíprocos desde aquela época.

Ali estava, na sua frente, uma linda mulher de olhos verdes e bem delineados por uma leve sombra esverdeada, que os realçava ainda mais. (…) Tête-à-tête, olhos nos olhos, sorrisos escancarados se corresponderam… (Página 47)

A partir daí os dois se aproximam e nasce um romance, muito mais por iniciativa da Glória que do Laurent, já que ele teve receio em ver suas expectativas frustradas e o sentimento não ser correspondido.

O romance entre os dois é intenso e Laurent, um romântico incorrigível, acredita que nada poderá separá-los. Entretanto, a Glória precisa passar um período fora (dois anos, especificamente) para fazer especialização em outro país. Inicialmente eles trocam cartas apaixonadas, mas essas vão ficando cada vez mais raras, especialmente por parte dela, a distância finalmente os separa e eles perdem completamente o contato. O que Laurent não sabe é o motivo que levou Glória a distanciar-se por completo.

Nesse ponto da história a leitora que vos fala ficou como? Com muita raiva da Glória.
Deixa-me explicar.

A Glória é o tipo de personagem focada, sonha em ter sua independência financeira e corre atrás disso com afinco. Admirável? Sim! Mas, para que nada atrapalhe seus planos, acaba fazendo uma escolha que afetará Laurent de muitas maneiras.

Usando do livre arbítrio podemos, inesperada e impensadamente, influenciar o curso de nossas vidas e modifica-lo de forma radical. E disso Glória ainda não tinha consciência. Mas fato era que ela também participava do jogo da vida, e não estava imune a imprevistos. (Página 90)

A grande questão para mim é que, quando nossas decisões irão afetar diretamente alguém a quem dizemos amar, devemos pesar todas as coisas. Glória, em minha humilde opinião, não fez isso.

Laurent segue em frente com sua vida. A carreira do advogado dá uma guinada e ele se permite conhecer outras pessoas, outras mulheres, porém sempre com os pensamentos retornando à Glória.

E eis que as coisas mudam…

Após anos fora do país, Glória retorna com o emprego dos sonhos e a necessidade cada vez mais crescente em reencontrar seu grande amor e poder explicar o motivo do seu distanciamento. Acontece que, aparentemente, Laurent sumiu no espaço. Ele já não mora mais no mesmo endereço, seu escritório já não é no mesmo lugar e ninguém na família dela consegue descobrir sua localização.

Glória guarda um segredo e espera um dia a oportunidade de revela-lo a Laurent, assim como de ter uma nova chance para o romance entre eles voltar de onde parou.

A questão é que nem sempre as coisas acontecem da forma como imaginamos e, talvez, pode ser tarde demais.

A Pandorga arrasou na capa e diagramação do livro. É do tipo que, quando visto na vitrine da livraria, você corre pra comprar.
Sim, sou dessas!

A narrativa em terceira pessoa é fluida, de fácil leitura.

A trama é dividida em três partes, o que ajudou a situar no tempo alguns acontecimentos importantes.

As personagens são muito cativantes e isso, para mim, torna a leitura mais prazerosa. O único probleminha que tive mesmo foi com relação à Glória. O Laurent ganhou meu coração e, quando isso acontece, qualquer ação de outra personagem que o prejudique ou magoe já me deixa nervosa.

Nesse ponto, alguém aí se identifica comigo?

O título do livro – Sementes de Outono – é bem pertinente à trama, já que os principais acontecimentos tem como pano de fundo essa que é uma das estações mais lindas em minha opinião.

A Pandorga é uma editora nova para mim e o mais legal nela é o valor que dá aos autores nacionais. Acho que falta isso em outras editoras. Tem muita gente bacana por aqui que escreve e só necessita de espaço e oportunidade.

Espero que tenham gostado e ficado curiosos em conhecer a história do Laurent e da Glória.

Beijo e até a próxima!

8 Comentários

  1. Marina Mafra14 nov, 2017Responder
    • Le15 nov, 2017Responder
  2. Ilane Cruz15 nov, 2017Responder
    • Le15 nov, 2017Responder
    • Le15 nov, 2017Responder
  3. Laís Cunha16 nov, 2017Responder
    • Le16 nov, 2017Responder

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