Um Estudo em Charlotte

Brittany Cavallaro

Editora: Rocco

Páginas: 384

Ano: 2019

Sinopse:

No primeiro livro da série protagonizada pela jovem Charlotte, descobrimos que o talento para solucionar crimes corre no sangue da família Holmes. Com apenas 10 anos, a mais nova descendente do detetive ajudou a polícia a recuperar diamantes que valiam três milhões de libras. Agora, no ensino médio, a capacidade analítica da jovem é posta mais uma vez à prova quando um estudante da escola que ela frequenta nos Estados Unidos aparece morto sob circunstâncias intrigantes, aparentemente inspiradas em uma das histórias mais aterrorizantes de Sherlock Holmes. Os principais suspeitos do crime? Charlotte Holmes e Jamie Watson. Sim, esse mesmo, o tataraneto do fiel amigo do detetive inglês. O primeiro crime solucionado por Sherlock Holmes, icônico personagem de Sir Arthur Conan Doyle, foi apresentado aos leitores há mais de 130 anos. A personalidade ácida e a mente brilhante do mais famoso detetive da ficção, no entanto, permanecem atuais e inspiram séries, filmes e livros. Um Estudo em Charlotte é uma referência ao primeiro livro sobre Sherlock, Um Estudo em Vermelho, e traz uma série de referências às tramas do famoso detetive. Como Sherlock, Charlotte toca violino, é ótima em assumir diferentes disfarces, conduz experimentos forenses e tem uma fraqueza por opiáceos. Apesar de também ter herdado a audácia e petulância do tataravô, Charlotte tem seus próprios mistérios. Já Jamie sempre foi intrigado pela moça, mas, apesar do histórico familiar, os dois só se conhecem poucos dias antes do crime. Juntos, eles terão que provar que não são os culpados e, para isso, precisam agir como detetives. Vencedor do prêmio de melhor ficção para jovens adultos da American Library Association, Um Estudo em Charlotte, da autora estreante Brittany Cavallaro, agrada tanto a leitores que começam a se interessar por tramas de suspense quanto aos fãs do universo de Sherlock Holmes.

“E, mesmo antes de ter conhecido Charlotte Holmes, eu tinha certeza de que ela seria a única amiga que eu faria naquela porcaria de lugar.” (p. 9)

Eu sempre fui uma criança meio incomum, tanto é que aos 7 anos de idade eu lia pela primeira vez Um estudo em vermelho, e mesmo tão nova, eu já me apaixonaria pelas obras de Arthur Conan Doyle e pela dupla incrível que ele criou, o detetive Sherlock Holmes e seu fiel escudeiro John Watson.

“– Ainda não chegamos no quem ou no por quê, Watson, ainda estamos trabalhando no como. Não se pode criar teorias antes dos fatos ou todo mundo fica perdendo tempo.” (p. 71)

Eu poderia passar horas falando sobre meu amor por essas histórias e por esse personagem (talvez um dia eu faça isso), embora o foco principal seja essa brilhante releitura que lhes apresento neste momento.

“Não tinha jeito de esquecer que eu era um suspeito de assassinato quando pessoas que eu nem sequer conhecia paravam de falar toda vez que eu entrava numa aula.” (p. 84)

Um estudo em Charlotte me conquistou antes mesmo de chegar em minhas mãos, a premissa de um Sherlock e um Watson totalmente diferentes de tudo que eu havia lido, fez com que eu desejasse essa leitura mais do que tudo no mundo. Criei altas expectativas? Mais do que eu possa contar, e fico feliz em dizer que esse livrou superou todas elas.

“Ela era uma detetive/cientista de dezesseis anos que só de te olhar saberia contar a história da sua vida, que enchia caixinhas-surpresa esculpidas com molas envenenadas numa manhã cedo de sábado quando todos, incluindo eu, estavam dormindo em suas camas.” (p. 182)

A narrativa da autora já é um dos pontos mais positivos sobre a história, a forma como ela utiliza os fatos, usando uma linguagem ampla, fluida e cômica, fizeram com que eu virasse as páginas sem me dar conta de que o fazia.

“Eu me perguntei se deveria criar algum tipo de subcláusula se Holmes em questão fosse uma garota e o seu Watson um cara que gostava de garotas.” (p. 212)

Charlotte e Jamie, embora diferentes de seus antepassados, possuem qualidades, defeitos e características semelhantes que fizeram a história se tornar uma saudosa nostalgia do clássico original. E pelo fato de serem de sexos opostos, a interação entre eles se torna algo que complementa a trama de uma forma engraçada.

“– Não vou embora sem você.

– Vai embora. Leva o seu casaco, ele fede a culpa.

– Na verdade, acho que estou bem aqui.” (p. 294)

A autora abordou de forma sutil e sem fugir da trama, assuntos que assolam a nossa sociedade, e isso é uma das outras coisas que me fizeram amar essa história. Os mistérios e investigações são tão cativantes que me senti em uma obra contemporânea de meu amado Doyle.

“Talvez Charlotte Holmes ainda estivesse aprendendo a destrinchar um caso; talvez eu ainda estivesse aprendendo a escrever. Não éramos Sherlock Holmes e John Watson. E eu achava que não me incomodava com isso. Tínhamos coisas que eles não tinham, também. Como eletricidade e geladeiras. E Mario Kart.” (p. 372)

Fiquei sabendo que esse é só o primeiro livro de uma série (já até vi a capa gringa do segundo) e mal posso esperar por novas aventuras dessa dupla que ganhou o meu coração.

2 Comentários

  1. Marina Mafra27 mar, 2019Responder

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