UM MILHÃO DE FINAIS FELIZES

Vitor Martins

Editora: Globo Alt

Páginas: 352

Ano: 2018

Sinopse:

Jonas não sabe muito bem o que fazer da vida. Entre suas leituras e ideias para livros anotadas em um caderninho de bolso, ele precisa dar conta de seus turnos no Rocket Café e ainda lidar com o conservadorismo de seus pais, sua mãe alimenta a esperança de que ele volte a frequentar a igreja, e seu pai não faz muito por ele além de trazer problemas. Mas é quando ele conhece Arthur, um belo garoto de barba ruiva, que Jonas passa a questionar por quanto tempo conseguirá viver sob as expectativas de seus pais, fingindo ser uma pessoa diferente de quem é de verdade. Buscando conforto em seus amigos (e na sua história sobre dois piratas bonitões que se parecem muito com ele e Arthur), Jonas entenderá o verdadeiro significado de família e amizade, e descobrirá o poder de uma boa história.

“Alguns heróis não usam capa.”

(Página 11)

Uma das coisas que mais admiro num autor é a capacidade de criar histórias com temas difíceis e abordá-los de maneira leve, simples, mantendo o leitor tão envolvido à trama que, quando ele menos percebe, já chegou à última página.

“Um Milhão de Finais Felizes” possui uma trama bem realista que te leva à reflexão, ao riso, à revolta, às lágrimas, ao riso de novo, enfim, a sentimentos e emoções que só uma história bem escrita consegue despertar em quem lê.

Vitor Martins me trouxe tantos sentimentos bons através de suas personagens que, ao concluir o Epílogo, o primeiro pensamento que veio foi: como eu gostaria de abraçar esse autor agora!

“É bom me sentir querido quando, na maior parte do tempo, eu sinto que sou um grande problema na vida de todo mundo.”

(Página 127)

Jonas é um jovem de dezenove anos que está meio perdido em relação ao que fazer da vida, assim como muitos garotos em sua idade. Fazer faculdade é uma possibilidade meio distante já que ele não tem grana para bancar uma universidade particular e não se preparou o suficiente para entrar numa pública. É filho único em uma família bastante conservadora, um pai abusivo e uma mãe que, apesar de amorosa, é submissa e não se impõe diante das atitudes grosseiras e machistas do marido. Além disso, Jonas está cansado de assumir uma personalidade que não é sua dentro de casa.

Para ele, trabalhar no Rocket Café — apesar de ser um saco na maioria das vezes — é uma maneira muito melhor de passar o tempo do que ficar com os pais naquela atmosfera opressora. Sonha em ser escritor, mas nunca arriscou colocar em prática as dezenas de ideias para livros que escreve num caderninho que leva sempre consigo. Até que, num de seus turnos no trabalho, conhece certo rapaz ruivo que será um divisor de águas em sua vida, embora ele nem possa imaginar.

“O contraste de como eu me sinto dentro e fora de casa fica mais evidente. É cansativo viver nessa montanha-russa que sobe e desce o tempo inteiro. Eu não aguento mais. Quero andar em linha reta, na montanha-russa mais sem graça de todos os tempos. Ou melhor, quero descer desse brinquedo. Quero sair daqui. Eu não sei como sair daqui. Eu quero me sentir bem.”

(Página 133)

Em meio ao trabalho no Rocket Café, ao clima cada vez mais pesado dentro de casa, ao conforto encontrado ao lado dos amigos Isa, Dan e Karina e ao início de um namoro, Jonas começa a escrever uma trama divertida sobre um pirata gay que, assim como ele, vive de acordo com as expectativas alheias, temendo a decepção e o julgamento das pessoas, especialmente da família.

Duas histórias. Realidade e ficção. Um escritor jovem que busca o final feliz e perfeito para as personagens do enredo que está construindo, não percebendo, às vezes, que aquilo reflete verdadeiramente o que deseja para sua própria vida.

“— (…) tem coisas que só você vai conseguir resolver. Porque a vida é sua. Eu sou só o coadjuvante bonitão que aparece no meio da história. É você quem tem a coragem de um pirata.”

(Página 306)

A história criada pelo Vitor retrata uma realidade existente em muitos lares: um jovem LGBT crescendo em uma sociedade machista, hipócrita e cruel como a nossa, sem o apoio dos pais, vivendo um relacionamento abusivo dentro de casa, com o receio de ser julgado e condenado por ser quem é.

Entretanto, o autor mostra que também existem jovens que possuem uma vivência diferente da de Jonas, com pais e mães que entendem e apoiam seus filhos independentemente de sua sexualidade.

No caso do nosso protagonista, o alicerce dele são os amigos Dan, Isa e Karina. Arthur é alguém que chega depois e o relacionamento entre eles acontece de maneira muito natural, linda de se ver.

A gente não escolhe nossa origem, de onde viemos, de quem nascemos, mas a vida se encarrega de colocar em nosso caminho pessoas especiais, que nos aceitam, nos apoiam e nos amam do jeito que somos, e devemos dar valor a isso. Para mim, é a mensagem mais importante que esse livro traz.

Abraço carinhoso e até a próxima!

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