Uma proposta e nada mais

Mary Balogh

Editora: Arqueiro

Páginas: 272

Ano: 2018

Sinopse:

Primeiro livro da série Clube dos Sobreviventes, Uma Proposta e Nada Mais é uma história intensa e cativante sobre segundas chances e sobre a perseverança do amor. Após ter tido sua cota de sofrimentos na vida, a jovem viúva Gwendoline, lady Muir, estava mais que satisfeita com sua rotina tranquila, e sempre resistiu a se casar novamente. Agora, porém, passou a se sentir solitária e inquieta, e considera a ideia de arranjar um marido calmo, refinado e que não espere muito dela. Ao conhecer Hugo Emes, o lorde Trentham, logo vê que ele não é nada disso. Grosseirão e carrancudo, Hugo é um cavalheiro apenas no nome: ganhou seu título em reconhecimento a feitos na guerra. Após a morte do pai, um rico negociante, ele se vê responsável pelo bem-estar da madrasta e da meia-irmã, e decide arranjar uma esposa para tornar essa nova fase menos penosa. Hugo a princípio não quer cortejar Gwen, pois a julga uma típica aristocrata mimada. Mas logo se torna incapaz de resistir a seu jeito inocente e sincero, sua risada contagiante, seu rosto adorável. Ela, por sua vez, começa a experimentar com ele sensações que jamais imaginava sentir novamente. E a cada beijo e cada carícia, Hugo a conquista mais – com seu desejo, seu amor e a promessa de fazê-la feliz para sempre.

Resenha:

“Algumas pessoas aparentam ser fortes, mas na verdade não passam de plantinhas de estufa.” (Página 8)

Você já passou pela situação em que não iria a um determinado lugar, mas mudou repentinamente de ideia e ao ir, algo surpreendente acabou acontecendo? E nesse dia você chegou a conhecer alguém que iria mudar todos os seus conceitos e percepções de certo ou errado? Alguém que tiraria você do seu mundo particular e lhe traria novas descobertas e novos sentimentos? Se isso nunca lhe aconteceu, convido-o a conhecer a história de Gwen e Hugo, e descobrir o que os acasos da vida são capazes de fazer.

“As pessoas compreendem a linguagem do coração, mesmo que a cabeça nem sempre consiga.” (Página 10)

Gwendoline, lady Muir é uma jovem viúva que já passou por terríveis provações em sua vida. Com a morte precoce de seu marido, ela se habituou a uma vida pacata e monótona, e jamais quis se casar novamente. Mas após um estranho sentimento de solidão massacrar seu coração, ela pensa que poderá ser a hora de tentar se aventurar nos caminhos do amor e se casar novamente.

“Quando alguém enfrentava um grande sofrimento, sempre restava alguma fragilidade, uma vulnerabilidade onde antes houvera integridade e força, até mesmo inocência.” (Página 45)

Um possível marido tranquilo, culto e que se conforme com o seu modo de ser, isso é tudo o que Gwen desejaria. Porém, como sabemos, a vida nunca está disposta a nos dar nada de bandeja. Gwen acaba conhecendo Hugo Emes, um homem do campo, austero, indelicado e que conquistou o título de lorde Trentham através de grandes feitos na guerra. Ele é extremamente rico, herdou toda a fortuna do pai e fez uma promessa de cuidar de sua meia-irmã e da madrasta. Hugo precisa urgentemente encontrar uma esposa da alta sociedade para lhe ajudar a se habituar à nova vida aristocrática.

“– Mas acho que o mar é vasto demais. Ele me assusta um pouco, embora não saiba explicar a razão. Não é medo de me afogar. Acho que o mar nos lembra do pouco controle que temos sobre a vida, por mais que tentemos planejar e organizar tudo com cuidado. Tudo muda da forma mais inesperada e tudo é assustadoramente imenso. Somos pequenos demais.” (Página 77)

Os opostos se atraem de acordo com a terceira lei de Newton. Mesmo sendo pessoas totalmente diferentes, Gwen e Hugo se sentem atraídos um pelo outro. Ele a considera mais uma dama mimada da sociedade, e ela o considera um homem rude e sem modos, mas essas primeiras impressões se mostram errôneas ao longo do tempo em que os dois passam a se conhecerem melhor. Um não consegue resistir ao outro, e a cada toque, cada beijo, o sentimento entre eles toma proporções inesperadas. Seria possível duas pessoas tão distintas se amarem?

“O medo deve ser desafiado, foi o que descobri. Ele fica poderoso quando permitimos que nos domine.” (Página 94)

Sabe quando um autor supera todas as suas expectativas e lhe presenteia com uma história maravilhosa? Pois foi exatamente isso que aconteceu comigo e com esse livro. Mary me deu personagens humanos, sensíveis, cheios de falhas e defeitos, mas que não desistem de tentarem se tornar pessoas melhores e buscarem a felicidade, mesmo em meio aos tormentos da vida.

“A vida era feita de escolhas, e cada uma delas, mesmo as mais insignificantes, faziam diferença na trajetória da pessoa.” (Página 149)

Um romance de época bem construído, e que nos apresenta situações tão reais que em diversas vezes me emocionei durante a leitura. O cenário gira basicamente em torno da vida pessoal de Hugo, um dos sete membros do “Clube dos sobreviventes”. Todas essas sete pessoas passaram por terríveis tormentos e quase se foram desse mundo. A história dos outros seis membros é citada nesse primeiro livro de forma parcial, nos dando a curiosidade em saber mais sobre suas vidas.

“ -… o suicídio é o pior tipo de egoísmo, pois em geral é um apelo para certas pessoas, que depois ficam perdidas para sempre na terra dos vivos, incapazes de atender a esse apelo.” (Página 182)

Gwen é uma mulher que sofreu perdas dolorosas e que mudaram totalmente a pessoa que ela era. Creio eu que não teria toda a força e coragem que ela teve para enfrentar algumas situações. O surgimento de um sentimento mútuo entre ela e Hugo, foi algo tão natural e espontâneo, que me aqueceu o coração. É incrível quando vemos duas pessoas opostas sendo entrelaçadas pelo laço do amor. Afinal, os opostos realmente se atraem.

“A vida era um pouco como caminhar numa corda bamba fina e desfiando, sobre um abismo profundo com rochas pontiagudas e alguns animais selvagens esperando no fosso. Era perigoso, e empolgante.” (Página 201)

Uma proposta e nada mais é um livro que fala sobre se livrar da culpa, muitas vezes infundada, se permitir novos começos, novos amores, fugir do preconceito entre as classes sociais e se permitir viver, antes que seja tarde demais. A vida é algo frágil e não temos certeza do amanhã. Recomendo esse romance maravilhoso com todo o meu coração.

2 Comentários

  1. Marina Mafra22 jun, 2018Responder
  2. Camila Carvalho23 jun, 2018Responder

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