A REDOMA DE VIDRO

Sylvia Plath

Editora: Biblioteca Azul

Páginas: 280

Ano: 2019

Sinopse:

Talentosa e promissora, Esther Greenwood sai do subúrbio de Boston para trabalhar em uma prestigiosa revista de moda em Nova York. No momento de transição para uma vida cheia de responsabilidades e novos desafios, Esther entra em colapso devido ao desenvolvimento de um quadro depressivo. Assim como a protagonista, a autora deste livro também foi uma jovem brilhante que viu tudo ao seu redor desmoronar. Em A redoma de vidro, livro publicado semanas antes de seu suicídio, Sylvia Plath apresenta mais do que um relato sobre uma doença mental: este é também um retrato sobre amadurecimento e força feminina.

“As pessoas são feitas de nada mais que poeira, e eu não conseguia entender como tratar de toda aquela poeira era melhor do que escrever poemas que as pessoas lembrariam e repetiriam para si mesmas quando estivessem tristes, doentes ou insones.”

A luta feminista por igualdade social, política, jurídica, econômica é algo que atravessa gerações. Muito já se conquistou, mas o caminho é longo e ainda estamos distantes dessa tão sonhada equidade, considerando a sociedade machista na qual vivemos.

Na década de 1950, a antiga ideia de que a mulher servia apenas para o papel de dona de casa, esposa e mãe, ainda era muito forte. Entretanto, essa foi uma época em que se percebiam maiores possibilidades educacionais e profissionais para o gênero, reflexo do panorama político pós-guerra.

É nesse cenário que se desenrola a história da Esther Greenwood, protagonista do livro que apresento agora.

“Na verdade o problema é que eu sempre fora inadequada, só não tinha pensado nisso ainda.”

Esther é uma jovem de família humilde, estudante bolsista numa renomada universidade feminina. Sua vida acadêmica tem lhe trazido bons frutos e após ganhar prêmios por artigos publicados, consegue estágio numa conceituada revista em Nova York. Esse era o sonho de muitas jovens estudantes, assim como foi para Esther, mas a realização dele não está sendo como imaginava.  Entre o trabalho e as festas cheias de glamour – as quais todas as outras moças parecem desfrutar ao máximo – nossa protagonista sente-se cada vez mais fechada e apática em relação a tudo e a todos.

Ao término do estágio, Esther volta para a casa da mãe e descobre que não foi aceita em um curso pelo qual esperava ansiosamente. A sensação de fracasso é inevitável. Resta a ela aguardar o período de retorno à universidade, portanto resolve escrever um romance antes de voltar à rotina de estudante. Porém, a depressão crescente começa a interferir em seu processo de criação.

A redoma criada ao redor de si – cada vez mais sufocante – leva nossa protagonista a tentar suicídio.

Esther é, então, internada em uma clínica psiquiátrica e a narrativa a partir daí conta a experiência da jovem nesse processo, bem como mostra algumas memórias de sua vida, permitindo ao leitor analisar como tudo chegou a esse ponto.

“O silêncio recuou, revelando as pedrinhas, as conchas, todos os destroços decadentes da minha vida. Então, no limite da visão, ele se recompôs e, numa grande onda, me arremessou para o sono.”

A depressão da Esther encontra seu ápice durante a transição da moça do subúrbio à mulher bem sucedida profissionalmente que poderia se tornar. A impressão que se tem é de que o processo de amadurecimento, para ela, era algo doloroso, confuso, um caminho difícil de percorrer. É impossível não se emocionar com seus relatos e torcer para que ela consiga sair dessa situação.

Além de tratar de um assunto tão delicado como a depressão, algo ainda visto com preconceito e que precisa ser abordado, esse livro traz questões feministas bem interessantes, considerando os aspectos da personalidade da personagem. Durante a narrativa, levanta alguns questionamentos sobre o papel da mulher na sociedade e nos leva a refletir sobre os valores impostos por ela. Embora a Esther seja uma mulher à frente do seu tempo e dona de um talento que a fez se destacar, ela também vivia esse tipo de pressão.

“A última coisa que eu queria da vida era “segurança infinita” ou ser o “lugar de onde a flecha parte”. Eu queria mudança e agitação, queria ser uma flecha avançando.”

A escrita de Plath é belíssima e traz a melancolia característica de quem vive uma depressão. A Redoma de Vidro foi o único romance escrito por ela e é considerado uma semibiografia. Em 2017 a Editora Globo Livros publicou Os Diários de Sylvia Plath 1950-1962 e, embora eu não tenha concluído a leitura, é difícil não lembrar-se da Esther. Tudo é bem semelhante e começam a surgir comparações entre as duas histórias.

Sylvia Plath cometeu suicídio no ano de 1963 algumas semanas após a publicação do romance. Além dele, escreveu contos e poemas, tornando-se referência para muitos poetas e romancistas. Suas obras são aclamadas até hoje.

A Redoma de Vidro traz uma história que intriga, envolve e emociona. Leitura maravilhosa!

“Para a pessoa dentro da redoma de vidro, vazia e imóvel como um bebê morto, o mundo inteiro é um sonho ruim.”

2 Comentários

  1. Marina Mafra30 maio, 2019Responder
    • Le30 maio, 2019Responder

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