Lady Killer

Joëlle Jones, Jamie S. Rich

Editora: Darkside

Páginas: 144

Ano: 2019

Sinopse:

Josie Schuller é uma esposa dedicada, uma mãe amorosa e... uma assassina de aluguel. Ela é capaz de equilibrar os deveres de uma típica dona de casa norte-americana dos anos 1960 com uma porção de assassinatos a sangue-frio, até que um pequeno deslize faz com que seu chefe ameace aposentá-la de vez. Com texto afiado de Joëlle Jones em parceria com Jamie S. Rich, e ilustrações matadoras da própria Jones (trocadilhos 100% intencionais), Lady Killer: Graphic Novel é o mais novo lançamento da DarkSide® Graphic Novel, e perfeito para quem caiu de amores por Lady Killers: Assassinas em Série, o livro assombrosamente espetacular de Tori Telfer, com perfis de mulheres reais que cruzaram a linha. Telfer inclusive é responsável pela Introdução exclusiva à edição brasileira da graphic novel. O quadrinho nos apresenta a uma heroína independente e corajosa que vive em um dos momentos mais transformadores da história norte-americana: a segunda onda do feminismo, um período de atividade em prol dos direitos das mulheres que começou nos Estados Unidos e se espalhou por diversos outros países — e fomentou discussões importantíssimas como a conscientização do uso de métodos anticoncepcionais, e o combate à violência física e ao assédio sexual tanto no lar quanto no ambiente de trabalho. Lady Killer mescla ação, morbidez, sangue e humor, e seus diálogos ironizam muito do que se pensava sobre as mulheres na época, dentro e fora de casa. Ninguém faz ideia de que Josie leva uma vida dupla: seus vizinhos acham que ela é um doce de pessoa. E, bem, ela é. Exceto quando está em uma missão. O Sonho Americano de Josie e sua família está em perigo, mas será que isso é um problema tão grande assim? A arte de Joelle Jones é um assombro à parte, carregada de uma paleta de cores clássica, respingos e traços fortes. Seu estilo é perfeito para as cenas de ação e também para o slice of life em que vemos Josie cuidando das filhas com seus vestidos acinturados e saltos altos. Lugar de mulher é nos quadrinhos. Como brinca a autora: não cruze o caminho dela.

É melhor tomar cuidado ou o sangue pode respingar em você!

Lady Killer é uma HQ lançada esse ano pela DarkSide Books em uma edição matadora, como a obra pede: capa dura, luva, cores marcantes, design incrível e alta qualidade de impressão e gramatura do papel. Para leitor algum colocar defeito.

Edição à parte, o conteúdo é ainda mais matador. Em Lady Killer conhecemos Josie Schuller, a típica dedicada dona de casa, esposa e mãe dos anos 60, que tem que lidar com seus afazeres e, claro, estar sempre impecável ao fim do dia.

O detalhe é que isso não resume Josie, ela também é uma assassina de aluguel. Uma muito boa, inclusive.

Nessa primeira história conhecemos sua rotina entre cuidar da casa, das filhas, do marido, da sogra e ainda ter tempo para realizar algumas tarefas não tão ortodoxas assim.

Com todas essas tarefas, ela ainda tem que lidar com os percalços de ser uma mulher em um ramo que a considera inferior e menos capaz e, ao mesmo tempo, com as críticas sobre sua escolha em ter uma família, tida como dispensável e um empecilho para seu foco no trabalho pelos seus superiores (todos homens, é claro).

As coisas saem de controle quando o manda chuva decide que Josie é um perigo e que deve ser eliminada. Bem, talvez ele devesse repensar o que é realmente um perigo: ter Josie do seu lado ou contra?

A história da HQ vai bem além de ilustrações fantásticas da também roteirista Joëlle Jones, que são não apenas lindas de apreciar, mas retratam bem os elementos da época e não economiza no sangue e cenas violentas. Elas vão, invariavelmente, funcionar como críticas fortes ao machismo, patriarcado, e escolheu uma época marcante para tanto: a ascensão do feminismo da década de 60 (época do surgimento do feminismo contemporâneo).

É incrível como muitas das críticas são veladas, não escrachadas nas conversas e imagens da história e, ainda assim, capazes de passar mensagens poderosas e fazer refletir.

Alguns dos pontos mais interessantes na história de Josie é perceber como as relações que ela possui são abordadas. Em relação ao seu marido e a clara concepção de dona de casa superficial que ele tem dela; às filhas, que creem na mãe amorosa sem ressalvas em contraste à desconfiança de sua sogra, que a trata como se fosse uma esposa e mulher medíocre. E, claro, de outro lado, temos as relações com o seu trabalho: o seu chefe imediato, que acredita em seu potencial, até certo ponto, é claro, afinal Josie é tão boa quanto uma mulher pode ser. E também em relação ao chefão, que a vê como uma pedra no sapato, mas que não admite que a quer eliminada exatamente porque ela é uma mulher e é boa demais. Isso causa medo, é claro. Nenhuma surpresa nessa aspecto.

Sem dúvidas Lady Killer é uma HQ repleta de sangue, violência e jantares servidos pontualmente à família, sem descer do salto ou atrapalhar o penteado, é claro. Mas, especialmente, é uma obra crítica, visceral e que qualquer leitor irá achar inquietante e indispensável. É impossível não devorar todas as páginas depois de iniciada a leitura!

2 Comentários

    • Marina Mafra29 out, 2019Responder

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