A Casa holandesa

Editora: Intrínseca

Páginas: 345

Ano: 2020

Sinopse:

Após a Segunda Guerra Mundial, graças a uma conjugação de sorte e senso de oportunidades, Cyril Conroy entra no ramo imobiliário, criando um negócio que logo se torna um império e leva sua família da pobreza para uma vida de opulência. Uma de suas primeiras aquisições é a Casa Holandesa, uma extravagante propriedade no subúrbio da Filadélfia. Mas o que ele imaginou que seria uma surpresa incrível para a esposa acaba por desencadear o esfacelamento da família. Quem nos conta essa história é o filho de Cyril, Danny, quando ele e a irmã mais velha - a autoconfiante Maeve - já não moram mais na casa em que cresceram, onde cada centímetro um dia ocupado por eles, pela mãe e o pai agora pertence a madrasta e suas duas filhas. Danny e Maeve aprenderam muito cedo que eram a única certeza na vida um do outro. Eles e a Casa Holandesa. A construção - erguida na década de 1920 pelos Van Hoebeeks, um casal que fez fortuna comercializando tabaco e cujos retratos em tamanho real ainda estão acima da lareira, na sala de estar - exerce certa aura mágica sobre todos os habitantes da trama, não apenas Maeve e Danny. Foi um troféu para o pai deles, um fardo para mãe, uma ambição concretizada para madrasta. Apesar de suas conquistas ao longo da vida, Danny e Maeve só se sentem verdadeiramente confortáveis quando estão juntos e repetidas vezes voltam aquele endereço, observadores externos da própria vida.

Um dos livros mais emocionantes que já li.

Tem uma pitada de contos de fadas, no quesito madrasta malvada. A escrita é um absurdo de incrível. Foi uma aula! Alterna entre passado e presente, algo que eu costumo odiar, principalmente dentro do mesmo capítulo, mas foi tão bem escrito que volto a dizer que, livro bom encanta qualquer público.

A família era simples até que o pai conseguiu comprar uma mansão do sonhos. Talvez por não entender a origem do dinheiro ou por não se adaptar com as novas condições, a mãe surtou e somiu no mundo. Abandonadas com o pai, as crianças mal tiveram tempo de se adaptar e já precisaram engolir a presença da nova esposa do pai que, invadiu a vida e a casa com duas filhas. Quando por uma fatalidade se tornaram órfãos, descobriram que a madrasta não só havia colocado tudo no nome dela, um plano já arquitetado quando o pai estava vivo, como não estava disposta a terminar de criá-los. Sozinhos e sem dinheiro, os irmãos se viraram e acompanhar esse processo foi angustiante. Mas a vida sempre dá voltas e quando o destino os colocou frente a frente novamente, foi para provar que nada foge da lei do retorno.

Essa história mexeu demais comigo. A irmã mais velha, que é a da foto da capa, tem diabetes. O desenrolar mostra que a doença pode ter sido causada por tudo que ela passou. A comparação que fiz com a esclerose múltipla, que eu tenho, foi inevitável. Os males que atraimos por não conseguir lidar com as fatalidades da vida. Embora hoje eu tenha a compreensão de que nada é por acaso, tudo ensina e nos ajuda a evoluir, viver um diagnóstico é muito pesado. A autora soube transmitir a angústia com maestria.

Mas pior foi o que estava reservado para o final. O egoísmo nem sempre é ruim. Dependendo da dose ele pode ser chamado de amor próprio. E algumas pessoas, não importa o grau de parentesco, não valem a importância que as damos.

Essa edição foi enviada em maio de 2020 em primeira mão para os assinantes do clube Intrínsecos. Agora o livro já está a venda com a capa oficial.

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