A Mãe Perfeita

Aimee Molloy

Editora: Harper Collins

Páginas: 304

Ano: 2019

Sinopse:

Ser a mãe perfeita parece impossível, mas ainda assim elas tentam. Recebem e-mails com dicas sobre a criação dos filhos, trocam mensagens com sugestões e se apoiam quando precisam. Essas são as Mamães de Maio. Alguns meses após se conhecerem, Winnie, Francie, Colette e Nell decidem sair para beber em um bar local, buscando uma pequena folga da rotina. Mas na noite do Quatro de Julho, durante o verão mais quente da história do Brooklyn, o que começa com alguns drinques inocentes termina terrivelmente errado: um dos bebês é roubado de seu berço. Winnie estava relutante em deixar Midas, seu filho recém-nascido, em casa com a babá, mas o grupo insistiu. Quando Midas desaparece sem deixar rastros, a vida dela entra em colapso. As Mamães de Maio são as únicas dispostas a escutá-la e ajudá-la. Porém, além de investigarem o desaparecimento da criança, elas precisam investigar umas às outras. Não se conhecem tão bem quanto pensavam e, conforme a investigação policial avança e a mídia faz do sofrimento de Winnie seu assunto principal, segredos são expostos, casamentos testados e amizades formadas e destruídas.

Existem razões para eu amar thrillers: o ritmo frenético, a construção da narrativa e, principalmente, as reviravoltas. Aqui há grandes reviravoltas, mas o ritmo é predominantemente lento, há muitos personagens, bastante drama e escolhas curiosas quanto a narração e foco narrativo. Eu poderia até dizer que se trata de um thriller pouco convencional ou um falso thriller. E isso não é um defeito.

Francie, Colette, Nell e Winnie fazem parte de um grupo de mães que se conheceram através de um fórum na internet sobre gravidez e maternidade. O grupo tem em comum o fato de todos os seus bebês estarem previstos para nascerem no mês de maio. Assim nasceu o grupo Mamães de Maio (que tem um Papai integrante também), eles se reúnem no parque com seus bebês para papear e trocar experiências. Num desses encontros, as Mamães de Maio decidem tentar algo diferente para a reunião seguinte. Um encontro em um bar, sem bebês e com direito a finalmente tomarem uns bons drinques. Mas Winnie é a mais reticente, ela se sente insegura com a proposta e não tem com quem deixar Midas, seu bebê, porque ela é uma mãe solo. Nell, então, tem uma grande ideia: emprestar a babá de Beatrice para cuidar de Midas, durante a noite.

A aventura regada a muita bebida acaba de forma trágica, o bebê Midas desaparece. Ele tem menos de dois meses e misteriosamente foi levado de seu berço.

Uma investigação é iniciada e a noitada das mamães de maio é exposta. Com isso, os primeiros julgamentos aparecem: Por que uma mãe tão irresponsável deixaria um bebê tão jovem para uma noitada com as amigas? Em meio ao desespero da situação, somado a ausência de esclarecimentos por parte da polícia e a exploração midiática, Nell, Colette e Francie decidem por conta própria descobrir o que aconteceu. Francie acredita que Midas está vivo, Nell se sente culpada e Colette é a primeira a ter certeza de que há muitas coisas não reveladas em torno do crime.

“As mamães de maio. Meu grupo de mamães. Nunca gostei desse termo Mamãe. É tão forçado. Tão político. Não somos mamães. Somos mães. Pessoas. Mulheres que por acaso ovularam no mesmo período e depois deram a luz no mesmo mês. Estranhas que escolheram – pelo bem de seus bebês e da nossa sanidade – tornarem-se amigas.”

A ótima escolha do título resume bem a a discussão tratada na obra: julgamentos e cobranças na maternidade.

A narração é um ponto extremamente importante. Diferente do que se poderia esperar de um thriller, o foco narrativo não está em Winnie, a mãe cujo bebê desapareceu, mas nas três amigas que estiveram com ela no bar e que querem descobrir o que aconteceu. Na verdade, conhecemos Winnie e seus segredos pelos olhos de outros personagens, o que a deixa o tempo todo sob suspeita.

“— Parece que você está vigiando ela — diz Hoyt.
— O que? Não. Quer dizer… — Francie faz uma pausa para se recompor. — Ela é minha amiga.”

Além disso, há narrações intercaladas na primeira e na terceira pessoa. Enquanto na terceira pessoa, acompanhamos as três mães investigadoras, em outros capítulos lemos algo parecido com um diário, uma mãe está passando por muitos problemas e sua identidade é um mistério.

O desenvolvimento da história é lento, mas faz todo o sentido, porque precisamos de tempo para entender cada uma das personagens e todas as suas imperfeições como pessoas e também como mães. Collete, Nell e Francie são mulheres muito diferentes, que fizeram escolhas diferentes ao longo da vida e passaram pela mesma grande mudança que é a maternidade. É muito interessante acompanhar a forma com que cada uma reage ao desaparecimento de Midas e as reflexões internas que desencadeiam.

É curioso que, mesmo não sendo mãe, foi fácil me solidarizar com os problemas e situações. Provavelmente porque os desafios da maternidade moderna, inevitavelmente convergem na discussão de igualdade de gênero. É uma história que nós mulheres já conhecemos e nós leitores eventualmente já lemos, embora não deixe de ser importante a sua discussão.

Mas é no meio disso que o desaparecimento de Midas acaba sendo ofuscado. Senti falta de uma aparição maior de Winnie, apesar da escolha da autora quanto a ela ter sido inteligente para nos pôr em dúvida sobre o desfecho até a parte final. Na verdade, todas essas dúvidas e questionamentos acabam fazendo muita diferença na conclusão. A autora ousou bastante ao apresentar um desfecho tão surpreendente.

“Foi por causa delas que Midas desapareceu e eu perdi tudo. […]”

Toda essa surpresa, porém, leva a alguns furos que talvez pudessem ter sido evitados pela autora. Algumas tramas paralelas também poderiam ter sido melhor resolvidas. Ainda assim, saldo final é positivo. A leitura pode não ser inesquecível, mas é empolgante. E reflexiva. Mesmo sendo uma obra mais dramática do que um thriller essa é uma ótima pedida!

Aimee Molloy tem vários livros de não-ficção publicados e essa é sua primeira obra ficcional. É esperado também uma adaptação produzida e estrelada por Kerry Washington.

01 Comentário

  1. Marina Mafra16 fev, 2020Responder

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