A morte do cisne

A. R. A. Mendes

Páginas: 82

Ano: 2022

Publicado em: 25/03/2023

Sinopse:

Zigfrid Sohav é um necromante que há tempos não visita sua terra natal, Anavy. Quando recebe notícias de que seu pai faleceu retorna apenas com a intenção de pegar a herança para custear seus estudos da incompreendida arte da morte. Contudo, o que ele não previa que sua ida até Anavy fosse encontrar alguém que tocasse profundamente sua alma. Rayssa Pavlova era a primeira bailarina do teatro e depois daquele momento a obsessão de Zigfrid. Por esse amor doentio ele irá fazer tudo e pretende tê-la nem que seja de uma forma ou de outra.

Ela era o seu abismo, seu belo e melancólico abismo (…) ele queria se jogar naquela escuridão e cair nela eternamente.

Zigfrid é um tipo de feiticeiro/cientista, obcecado por estudar a morte e o pós morte, com todo tipo de cadáver envolvido.

Seu pai era o único parente vivo, mas não tinham um bom relacionamento. Ele nem abria as cartas que chegavam. Até que um acidente com um experimento mostrou que em uma das cartas havia uma chave. Por curiosidade, passou os olhos pelo conteúdo e descobriu que o pai havia falecido.

Decidiu voltar à terra natal, para verificar possíveis heranças. Qualquer quantia ajudaria a pagar suas pesquisas.

A cidade era pequena, todos se conheciam. Logo que chegou, foi abordado por um vizinho que parecia bem disposto à uma aproximação, mas o real interesse era comprar a casa do seu pai.

O vizinho se tornou insistente, ignorando toda carranca de Zigfrid, o convidou para assistir uma peça no teatro da cidade e sem ter boas desculpas para recusar, se viu concordando. Mas decidiu que aceitaria a proposta de venda da casa, nem que fosse para se livrar dele.

A peça era A morte do cisne, e a forma como a protagonista deu vida à morte da personagem, o deixou fascinado.

Talvez todos se reduzissem à minúscula miséria da condição humana ao lado dela. Ela brilhava demais.

Rayassa era uma talentosa bailarina, apaixonada pelo noivo, um dos músicos da peça.

Em sua obsessão, Zigfrid não percebeu que era apenas uma atriz, atuando, mas passou a desejá-la de qualquer maneira.

Para desespero do vizinho, ele informou que ficaria por mais tempo na cidade e colocou em prática um plano macabro de que, quando fosse embora, levaria Rayssa com ele.

Ele sabia que Rayssa era como a natureza, ele nunca iria controlá-la. Contudo, era isso que a tornava maravilhosamente única.

Que história bem escrita!

Arrepiante de uma maneira real, senti que estava vivendo cada cena. E o final ainda fez valer toda repulsa que Zigfrid me causou.

Recomendo muito.

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