As lágrimas do Crocodilo Jão

Páginas: 24

Sinopse:

Existe uma expressão popular conhecida como “lágrimas de crocodilo” que surgiu a partir da observação feita pelo homem, do comportamento dos crocodilos na natureza. Ao se prepararem para a captura de uma presa, os crocodilos atacam e mordem-na com tanta força que a comem sem mastigar, engolindo-a inteira. Abrem muito a boca fazendo com que a presa, ao passar inteira, pressione com bastante força o “céu da boca” do réptil. E é exatamente isso que faz com que sua mandíbula comprima as glândulas lacrimais levando-o a lacrimejar. Dessa forma, o crocodilo parece chorar sempre que devora sua caça, pois ao devorar a presa, caem lágrimas de seus olhos. A expressão surge a partir dessa ideia. Na verdade, ele só está tentando engoli-la o mais rápido possível. As lágrimas são mecânicas e elas caem numa total ausência de afeto ou emoção. Uma ironia!!! Lágrimas da própria dor. Nem fingidas, nem hipócritas. Não chora pela morte de sua caça, nem por piedade, nem por simulação. Chora por sua dor. Dor de compressão em sua glândula lacrimal. Diz-se então, que uma pessoa que chora “lágrimas de crocodilo” é tida como hipócrita e aproveitadora, pois tenta ganhar a confiança das pessoas fazendo de conta que se importa com elas e com seus problemas. Mas o sábio Eduardo Lucas, aponta em outra direção com as lágrimas do crocodilo Jão. O aperto de Jão é outro. Não é da mandíbula que comprime suas glândulas lacrimais, a pressão é outra. Frida Kahlo nos diz que “Amuralhar o próprio sofrimento é arriscar que ele te devore desde o interior”. Ousamos uma licença poética para dizer que “amuralhar o próprio sentimento é arriscar que ele te devore desde o interior”. Jão já vinha sentindo-se amuralhado, apertado em seu sentir, devorado por ele mesmo. Suas patadas, sua solidão, seu afastamento dos outros animais não resolveram o seu aperto. Há uma hora em que as mordidas e as patadas não são suficientes para aliviar o aperto. Até que saem dos olhos de Jão lágrimas brilhantes, não lágrimas de crocodilo, embora ele o seja! É no risco de perder-se, pois já tinha perdido os amigos, agora o risco de perder os pais, que Jão libera lágrimas brilhantes – brilho de Jão, pois é aí que Jão pode sentir-se não todo apertado e nem apertador, mas brilhante. “ Jão se viu na lágrima, a lágrima era o espelho de Jão” . Ele se humaniza pois da pata faz-se ver a lágrima na mão. A partir das lagrimas que caem, Jão pode soltar os afetos e palavras que estavam presos nele. É com essa mesma delicadeza que trata as questões da vida diária, que Eduardo Lucas aborda um tema muito importante: a sexualidade. O fato do passarinho nascer com seu piu-piu ou pintinho, não impede que possa desejar usar saia. Por que não? Uma ótima saída para alguns passarinhos e seus passarinhos! E o crocodilo Jão tem que se haver com isso. Às vezes é preciso até consultar-se com Dante, o elefante de orelhas gigantes cuja capacidade de escuta vai além das palavras. Diz-se de um bom escutador que ele tem orelhas de elefante. E diz-se que sábios, são aqueles que sabem escrever sobre temas que não todos conseguiriam ler, se não fossem escritos da forma como Eduardo as escreve. Aliás a escrita é a forma como Jão vai se escrevendo no mundo. Escreva agora a continuação de sua história. Posto isso, recomendo esse livro aos leitores das escolas infantis e também das escolas de adolescentes e adultos. E por que não aos escutadores das Escolas de Psicanálise? Recomendo “ As lágrimas do crocodilo Jão” ... estas tão doces, delicadas e firmes palavras. (Maria Cristina Martins Moura - Psicanalista)

Palavras são poderosas. (Página 17)

Sobre o autor:

Psicólogo (CRP: 04/42858). Psicanalista membro do Espaço Brasileiro de Estudos Psicanalíticos EBEP – RJ e membro Fatias de Análise – MG. Parceiro do NEP: Núcleo de Estudos Psicanalíticos de Rondonópolis – MT. Parceiro do IMSEX: Instituto Mineiro de Sexualidade. Escritor membro da Academia Bom-Despachense de Letras – ABDL autor de 7 livros. Foi coordenador geral do IX Fórum Mineiro de Psicanálise.

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3 Comentários

  1. Marília Mafra05 jul, 2018Responder
  2. Marina Mafra05 jul, 2018Responder
  3. Júlia Gomes De Alencar09 abr, 2019Responder

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