CANÇÕES DE NINAR DE AUSCHWITZ

Mario Escobar

Editora: Harper Collins

Páginas: 224

Ano: 2016

Sinopse:

Neste livro, Mario Escobar conta a trajetória real de uma família que passou 16 meses encarcerada em um campo de concentração nazista. Helene Hannemann era alemã, mas mesmo assim optou por partir para Auschwitz junto de seu marido e os cinco filhos com ascendência cigana quando os policiais da Gestapo bateram à sua porta. Por ser enfermeira, mas, sobretudo, alemã, Helene foi escolhida pelo médico Josef Mengele, mais tarde conhecido como ‘O Anjo da Morte’, para ser a diretora do jardim de infância do campo. No final da guerra, entre os papéis de Mengele, foi encontrado o diário que Helene manteve durante todo o seu período no campo de extermínio. Tendo como base a infeliz história daquela família, o autor nos emociona e surpreende ao narrar os medos, privações, torturas e até mesmo histórias de superação que milhares de pessoas vivenciaram sob o poder dos nazistas.

Seria muito clichê dizer que histórias passadas durante o período da Segunda Guerra Mundial são tristes e cruéis, não é mesmo? 

Entretanto, todas as vezes que pego um livro dessa época e concluo a leitura, tenho a sensação de que, apesar de estarmos vivendo dias melhores, o ser humano ainda tem um longo percurso a fazer antes de se tornar de fato digno de tal classificação no sentido da palavra em latim, de onde o termo “homem sábio” foi derivado.

Não estou fugindo do contexto do livro, com certeza vocês vão entender a partir de agora.

Helene, uma ariana pura casou-se com Johann que, por sua vez, era de origem cigana. Constituiu uma família com crianças lindas e muito bem instruídas. Mas, ao eclodir a guerra, que aos poucos estava se alastrando por todo o globo terrestre, não foram apenas os judeus vítimas das barbáries dos nazistas, mas todo o povo que não tinha o sangue puro alemão.

“Eu não entendia nada. Meus filhos eram completamente inocentes, seu único delito consistia em ter um pai cigano. Aquela guerra estava deixando todo mundo louco.”

Então, a família de Helene não se encaixava nesse ideal, já que seus filhos eram mestiços e seu marido cigano. Por mais que pedisse aos céus para que os agentes passassem longe de sua família, seu temor se tornou real. Ela tivera a chance de deixá-los partir sozinhos, mas jamais abandonaria seus filhos e marido, partindo assim junto com eles para os barracões de Auschwitz. Fora separada de seu esposo, mas permaneceu com seus amados filhos.

O que os seus olhos viram ao chegar naquele lugar estava muito distante do que imaginava ser um confinamento. Era assustador, insalubre, irreal. Pessoas vivas com aparência cadavérica, a fome, a miséria e a morte estavam presentes em cada canto.

“O barracão era um estábulo fétido onde sequer animais se atreveriam a passar a noite. Para os nazistas, nós éramos isto: bestas selvagens, e dessa forma nos tratavam.”

Por ser enfermeira, foi solicitada para trabalhar no hospital do campo de concentração e transferida de barracão, podendo assim ter um pouco mais de conforto e comida, o que não era grande coisa, mas, o mínimo naquele lugar já fazia uma grande diferença.

Helene conheceu pessoas boas, fez amigos onde só existia caos, presenciou as maiores crueldades, mas se manteve firme pelos seus filhos, mesmo tendo certeza que aquele lugar só traria a morte como prêmio.

Quando Dr. Mengele, mais conhecido como “Anjo da morte” a propõe ser diretora de uma creche, com comida, material escolar e um pouco de conforto para as crianças, fora como uma luz no fim do túnel, pois, mesmo sabendo que por trás daquela “esmola” haveria algo macabro por vir, dar a aquelas crianças algum tempo de diversão, comida e proteção já dera a Helene uma esperança de dias melhores.

“Estávamos celebrando a vida no meio de um cemitério. Por um instante, isso me pareceu sacrilégio, mas logo percebi que, enquanto as crianças cantassem, o mundo manteria viva sua esperança de salvação. Suas vozes alimentavam nossas almas, que, àquela altura, estavam tão enfraquecidas quanto nossos corpos.”

As barbaridades feitas por Mengele, a miséria, o tifo e tantas outras doenças causadas pela fome, maus tratos e insalubridade, foram levando milhares de pessoas daquele acampamento, e dia após dia, os crematórios e caminhões trabalhavam cada vez mais cessando vidas de inocentes, por simplesmente terem uma cultura, feições ou até mesmo credo diferente dos alemães. Então, agora faz algum sentido minha fala inicial?

“A morte não fazia distinção entre inocentes e culpados, alimentando-se de centenas de almas que, ano após ano, uniam-se a sua horrenda lista de desolação. Todos estávamos inscritos naquele registro tenebroso, só um milagre poderia nos salvar.”

A história de Helene e sua família é baseada em fatos reais, alguns de seus registros foram encontrados em meio aos inúmeros papeis deixados para trás por Mengele, após sua fuga. A história de uma família, que testemunhou os horrores dos campos de Auschwitz e que representa os milhões de vidas que foram ceifadas em nome do preconceito. Através de Helene, jamais deixaremos de ter esperança, fé e acreditarmos em dias melhores.

“Barro, cercas eletrificadas e cheiro adocicado da morte. Para nós, Auschwitz era isso. E continua sendo a mesma coisa em nossas lembranças.”

2 Comentários

  1. Marina Mafra06 abr, 2020Responder
    • Taize Lima06 abr, 2020Responder

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