DIÁRIO DE UMA ESCRAVA

Rô Mierling

Editora: Darkside

Páginas: 224

Ano: 2016

Sinopse:

Laura é uma menina sequestrada e jogada no fundo de um buraco por alguém que todos imaginavam ser um bom homem. Ela vê sua vida mudar da noite para o dia, e passa a descrever com detalhes sinistros e íntimos cada dia, cada ato, cada dor que o sequestro e o aprisionamento lhe fazem passar. Estevão é homem casado, trabalhador, pai de família, mas que guarda em seu íntimo uma personalidade psicopata. Ele percorre ruas e cidades se apossando da vida de meninas ainda muito jovens, pois dentro de si uma voz afirma que é dele que elas precisam. Mergulhando fundo nessa fantasia, ele destrói vidas, famílias e sonhos, deixando atrás de si um rastro de dor e morte. Narrado em parte em forma de diário, o livro acompanha mais de quatro anos da vida de Laura em um buraco embaixo da terra, período em que algo dentro dela também se modifica de uma forma inimaginável em busca da única maneira para sobreviver. Publicado originalmente na plataforma digital Wattpad, onde já teve mais de um milhão e meio de leituras, DIÁRIO DE UMA ESCRAVA apresenta um retrato duro, cruel, abominável, mas infelizmente corriqueiro no Brasil e em todo o mundo. Através de Laura, raptada ainda adolescente por um homem que ela chama de “Ogro”, a autora denuncia os diversos tipos de violência que muitas mulheres são obrigadas a suportar em silêncio e nas sombras da sociedade. O “Ogro”, um homem aparentemente comum, honesto e “acima de qualquer suspeita”, mantém Laura presa em uma casa afastada, onde abusa dela sexual e mentalmente, alegando ser ela o seu verdadeiro amor. Laura, compreensivelmente, só pensa em escapar dali. Mas agora ele parece estar mudando. Será que é o melhor momento mesmo para fugir?... Bem, isso você vai ter que ler para descobrir.

PERTURBARDOR! Esta é a palavra que define a obra “Diário de uma escrava”. Um livro que pode desencadear gatilhos, e que, sem dúvidas, iremos questionar até que ponto vai a mente e a maldade humana.

Para iniciar essa leitura, é necessário estarmos preparados para cenas que nos levarão da indignação ao desespero. Vidas de inocentes em jogo sempre causam um burburinho de sentimentos até no menos sensato dos seres humanos.

Estevão tinha todos os atributos que o qualificava como um homem bom. Era honesto, trabalhador e um marido extremamente amoroso. Estas características jamais denunciariam sua mente de psicopata.

Fissurado em “anjos”, como o próprio descrevia meninas jovens e virgens, ele começou sua caça, e Laura, uma garota de 15 anos, cheia de alegria e de sonhos, teve sua vida interrompida, passando de seu quarto bem arrumado para um buraco escuro e fétido no sítio daquele homem, e por cerca de 4 anos sentiu na pele agressões físicas, abusos sexuais e psicológicos.

“Eu não tenho vida, tenho “sobrevida”. Ando de um lado para o outro no meu “quarto”. Não consigo ler, nem fazer contas, nem criar arte, nem porcaria nenhuma. Sinto-me sufocada com esse cheiro de lixo e bosta nesse buraco imundo. ”

Durante o tempo que passou naquele lugar, Laura se submetia a todo tipo de humilhação, já que para ela não havia mais jeito, resistir seria pior, pois  cedo ou tarde seu destino seria a morte, afinal, muito tempo se passou, e certamente ninguém a queria mais, ninguém se lembrava mais, tampouco iriam salva-la.

Não satisfeito com a Laura que estava no buraco de seu sítio, o Ogro, como foi apelidado pela garota, sai em busca de novos “anjos”, para assim poder lhes tirar não apenas a inocência, mas também a esperança de vida.

Como qualquer maníaco, suas artimanhas e vítimas iam aumentando diariamente, e com o desaparecimento de diversas garotas e as notícias se espalhando, ele precisava sumir, mudar de cidade e caçar mais inocentes sem deixar grandes vestígios. Mas, e Laura? Jamais a deixaria para trás, afinal, foi ela quem resistiu aos seus abusos durante tanto tempo, então, não poderia perder seu brinquedo. Na falta de outras meninas, ela sempre seria a primeira.

“Ficava para trás a menina Ursinha, a Laura da mãe e do pai, a namoradinha do Mauro. Ficava para trás a minha inocência, meu amor, minha paz, minha caridade e minha fé. Ficava para trás meu ser humano, e morava em mim agora uma escrava. Eternamente escrava. ”

Com mais de 1 milhão de visualizações na plataforma do Wattpad, em 2016 “Diário de uma escrava” veio em formato físico parar em nossas mãos, nos encantando com a beleza de sua edição e nos chocando com uma história abominável, triste e cruel.

Em partes, o livro é narrado em forma de diário escrito por Laura, falando sobre seu sofrimento, seus dias sem som, sem luz, somente trancada naquele buraco fétido onde tinha apenas contato com o seu sequestrador, aquele que destruiu a sua vida.

A autora teve cuidado em traçar exatamente as características comportamentais do abusador, nos mostrando sua constante mudança de personalidade e suas formas de abordagem. Não tenhamos dúvidas de que essa obra veio como um grito de alerta, e para mais uma vez nos lembrar dos conselhos sempre dados: “não fale com estranhos”, “cuidado com pessoas que conhece nas redes sociais”, “nunca acompanhe pessoas desconhecidas”. Esses avisos jamais farão tanto sentido depois de conhecermos a história de Laura e de tantas outras garotas citadas na obra.

“Eu cresci aprendendo que devemos amar o próximo, perdoar os inimigos. Mas ninguém me preparou para o que o Ogro me faria passar. ”

O final do livro é ainda mais chocante e vi que ele divide muitas opiniões, afinal, uma existência sob os diversos tipos de abuso deixam marcas irreparáveis, e tais marcas acabam sendo questionáveis.

Nas notas finais são apresentados trechos de revistas e jornais de casos reais em diversas partes do mundo, e, foram eles que inspiraram na criação dos personagens, bem como a Síndrome de Estocolmo, que pode ser desenvolvida por pessoas que passam por situações semelhantes a de Laura. Aconselho não pesquisar sobre a síndrome se tiver a intenção de ler esse livro, pois poderá ter um spoiler sobre o final da história.

 “Acredito fielmente que escravos e prisões não se fazem somente com paredes, grades e algemas, mas também com simples palavras e situações. ”

Esse livro é mais do que um relato sobre abuso e violência. É um grito de alerta, pois muitas meninas desapareceram ao redor do mundo, algumas voltaram para seus lares com vida, outras jamais foram encontradas.

2 Comentários

  1. Marina Mafra18 fev, 2020Responder
    • Taize Lima19 fev, 2020Responder

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