EU SINTO MUITO

Luíza Freire de Menezes

Editora: Coerência

Páginas: 262

Ano: 2019

Sinopse:

Todos dizem que o passado define quem você é, que são as lembranças mais marcantes que ficam presas na memória. E se não fosse bem assim? O que fazer quando seu passado representa um pesadelo constante, quando o que restou em sua memória são as piores lembranças? Cora Jhonson nunca soube responder nenhuma dessas perguntas, mas aprendeu a conviver com elas. Após uma infância difícil, aceita o que tem, mesmo sabendo que merece muito mais. No auge de seus dezessete anos, tudo o que ela quer é passar o máximo de tempo com seus amigos e esquecer o erro que seu passado a fez cometer no último verão. No entanto, a jovem se vê obrigada a sair da sua zona de conforto assim que Evan Bowman entra na jogada, mostrando que as respostas que ela tem sobre si mesma e seu passado já não são suficientes, e talvez nunca foram.

“Eu Sinto Muito” é um livro que nos fazer pensar: como viveríamos se não houvessem pessoas boas para nos acolher nos bons e maus momentos, tentando arrancar as lembranças doloridas e nos enchendo de luz? O que seríamos sem  os amigos que estão conosco nos apoiando e incentivando a buscar um caminho menos tortuoso?

 “Nunca pediria para alguém com quem me importe que se contente com restos, pedaços destroçados durante os anos, enferrujados e largados a escanteio. Presos dentro de um armário, segurando um urso de pelúcia como se este os fosse proteger de tudo.”

Cora Jhonson teve uma infância difícil, logo cedo perdeu tudo de mais valioso que tinha, a deixando órfã e restando apenas traumas, inseguranças e solidão.

Passando por alguns lares provisórios, lutava incansavelmente para não se apegar a ninguém, não admitia amar mais uma pessoa e essa ser arrancada de forma abrupta de sua vida. Foram anos difíceis até encontrar um verdadeiro lar com uma senhora amorosa, que fazia de tudo para que ela (Cora), e mais duas crianças que também acolheu fossem felizes e tivessem de fato um lar de verdade, onde jamais faltasse, principalmente amor.

No colégio fez os melhores amigos do mundo, Murphy e Jayden, que a pegaram pra si; eram os irmãos que Cora não teve a chance de ter, o carinho, proteção e cumplicidade faziam parte dos dias do trio e, apenas eles e a sua família acolhedora, sabiam das cicatrizes que carregava e dos segredos que guardava. Estavam sempre presentes para dar colo e apoiá-la em suas decisões.

 “Família é formada por aqueles que nós amamos e que nos amam de volta.”

Mesmo tentando não acrescentar mais ninguém ao seu drama pessoal, Cora se vê envolvida com Evan, seu novo parceiro de Biologia, ele que estava disposto a arrancar de vez todos os traumas da garota, todas as dores e medos. Mas, isso poderia colocar em risco tudo que tinham construído até ali, afinal, Cora precisava apenas esquecer, mas para isso, Evan acreditava fielmente que ela necessitava lembrar para pôr um fim de uma vez por todas nos demônios que se faziam presentes em seus dias.

“É como se Evan quebrasse todas as barreiras que demorei anos e anos construindo, e quem dera que elas se resumissem a uma porta de madeira. Mas não.”

Nós somos nossas lembranças! Elas fazem parte do nosso processo de crescimento, sejam elas boas, sejam elas ruins, mas, o mais importante é como as encaramos e quem está ao nosso lado para apoiar e ajudar a atravessá-las. Cora teve uma infância conturbada, e seu maior pesadelo, aos 6 anos de idade, ganhou forma, isso fez dela uma garota marcada, quebrada e infeliz. Apenas aos 14 anos, ela foi novamente amada e acolhida pela vovó Mimi, seus irmãos de coração Billy e Molly e seus amigos. 

Paramos para analisar, quantas pessoas vivem seus pesadelos sozinhas, como podem elas se reerguer sem ajuda e amor? 

As poucas memórias que Cora tinha da infância eram as piores, mas com a ajuda e persistência de quem a amava, as lembranças boas vieram à tona, fazendo dela uma pessoa consciente de que, quem ama pode até dar sua própria vida para manter em segurança o seu bem mais precioso.

Em “Eu sinto muito”, recebemos uma mensagem de cura e amor, mas o processo até o final não fora fácil para nenhum dos personagens, e não seria diferente na vida real. Quando amamos alguém, seu sofrimento se torna nosso, seus temores são transmitidos, e tudo que necessitamos é abraçar as causas e ajudar a se reerguer.

“Colocar a mão no fogo por alguém, chorar por alguém, lutar por alguém, sofrer por alguém… morrer por alguém. É tudo uma questão de amor, não de obrigação.”

2 Comentários

  1. Marina Mafra27 fev, 2020Responder
    • Taize Lima29 fev, 2020Responder

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