Invente Alguma Coisa

Chuck Palahniuk

Editora: Leya

Páginas: 336

Ano: 2018

Sinopse:

Em Invente alguma coisa, o autor best-seller Chuck Palahniuk retorna ao universo de Clube da luta no conto “Expedição”, onde os fãs vão delirar ao reencontrar Tyler Durden numa prévia ao aclamado romance que ganhou adaptação para o cinema e conquistou milhões de pessoas em todo o mundo. Com seu estilo transgressor, Palahniuk revela nas 23 histórias deste novo livro uma sociedade corrompida e imersa em preconceitos, descortinando como ninguém as patologias do mundo moderno. São narrativas que incomodam e divertem na mesma medida: você pode até sentir repulsa, raiva ou nojo em algumas cenas descritas, mas será inevitável prosseguir com a leitura até a última página. Além de “Expedição, o livro é repleto de contos em que os absurdos da vida e da morte se apresentam em sua plenitude. Em “Zumbis”, os melhores e mais inteligentes alunos de uma escola resolvem aderir à mais louca droga do momento: lobotomia via choque elétrico com desfibriladores cardíacos. Em “Toc-toc”, um filho tenta desesperadamente contar uma última piada sem graça ao pai moribundo, numa tentativa de salvá-lo. Em “Túnel do amor”, um massagista terapêutico começa a fazer sucesso com uma prática curiosa: proporcionar prazer a clientes à beira da morte. Já em “Inclinações”, um grupo de adolescentes resolve passar uma temporada numa clínica que oferece a “cura gay”. Sarcásticas, bizarras e intensas, essas e outras histórias representam tudo o que os leitores amam e esperam de Chuck Palahniuk – e vão ressoar na mente do leitor por muito, muito tempo. Como publicou o jornal The Guardian, Invente alguma coisa é “Palahniuk no auge de seu poder”. Você está preparado?

Visceral. Inquietante. Sarcástico. Obscenamente crítico. Às vezes, repulsivo. Outras, quase acolhedor… Invariavelmente, os contos que compõem Invente Alguma Coisa, de Chuck Palauniuk, não são uma leitura que passa despercebida. Exalam críticas à sociedade contemporânea em cada linha que as compõe e trazem reflexões sobre o mundo corrompido em que criamos e vivemos. E, claro, que perpetuamos.

Talvez você já tenha ouvido falar do autor por causa de seu grade sucesso, Clube da Luta, que virou filme com a direção de David Fincher em 1999, e que se tornou um ícone cult, apesar do não sucesso na época de seu lançamento. O autor ainda conta com vários outros títulos, incluindo duas sequências à Clube da Luta, em HQ (a terceira ainda não lançada no Brasil).

“Enquanto debandonava o corpo sarado, o Randy, o Randy viu que vida é que nem árvore. A vida primeiro anda bem vaporosa. Primeiro é tão vaporosa que a gente sesquece que a vida sempre anda e não para. A vida anda e não para. A vida anda e não para. Aí a vida vai rápida que nem raio. No fim, a vida é mais rápida do que dá na percepção da gente.”

Apesar disso, esta que vos escreve nunca assistiu ao filme ou tampouco leu Clube da Luta. O primeiro contato com o autor se deu através de um texto sobre escrita, que fala sobre verbos de pensamento (“thought” verbs). Como se trata de um assunto interessante, não hesitei em ler e, para surpresa, o autor dá uma dica muito válida sobre escrita e que pode ser notada em Invente Alguma Coisa.

Depois disso (com alguns anos de intervalo), veio a leitura dos contos que, invariavelmente, trouxeram surpresa atrás de surpresa. Não apenas a escrita, que se reinventa o tempo todo sem perder as características do autor, reconhecíveis em todos os contos, mas os temas, os personagens, alguns se mesclam de maneira interessante e trazem enredos feitos para fazer pensar, incomodar, tirar do lugar comum. Ninguém é o que aparenta na superfície. Não existem anjos e demônios, santos e pecadores. Apenas pessoas. E toda as mazelas que podem advir disso.

“Enquanto ele ouvia, ocorreu a Randall que o amor que as pessoas sentem pelos bichos é o mais puro que há. Amar um animal, um cavalo, gato ou cachorro, é sempre uma tragédia romântica. Amar um desses bichos significa que você ama algo que vai morrer antes de você.”

Um dos pontos interessantes, que já citei, é a mescla entre os personagens. E isso ocorre não apenas com a retomada do mundo criado em Clube da Luta com o conto Expedição, que traz mensagens interessantes que vão desde culpa às sujeiras ocultas – e as nem tão ocultas assim do mundo – sobre enfrentar o passado e muitos outros pontos, mas também em contos que têm personagens que literalmente vivem na mesma realidade que alguns outros. Nesse ponto, o destaque aos personagens, sendo, alguns bichos que agem como verdadeiros seres humanos. Verdadeira sátira aos humanoides que habitam o planeta Terra nos dias de hoje.

Os temas que serão expostos trazem as mais diversas perguntas: A vida valeu a pena? O que os outros pensam vale tanto assim? O trabalho precisa ser aquele ao qual se ama ou aquele pelo qual se busca algo?

“E se você fica esperando alguém perfeito, nunca encontra amor, porque o que faz a pessoa ser perfeita é o quanto você a ama.”

Delas e de tantas outras, as ideias que surgem, são das mais variadas. Como a de que a morte pode ser trágica, cômica, tragicômica. A mente em luto pode não soar sã. Ou de que somos mesmo animais selvagens, consumidos pelo consumismo imperante. Preconceitos. Sanidade. Limites. Afinal, todo mundo tem algo a falar sobre alguma coisa. A certeza é de que a morte é o tema quase que perpétuo nos contos, tanto quanto a vida em si. Em 22 contos, temos muitas histórias envolvidas e uma leitura instigante e necessária. O mundo, o homem sob uma lente de aumento em Invente Alguma Coisa.

“A primeira regra da Roda do Roda – disse o Porco-da-Terra – é: ninguém fala sobre a Roda do Roda.”

01 Comentário

  1. Marina Mafra18 set, 2019Responder

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