Jogo de Espelhos

Cara Delevingne

Editora: Intrínseca

Páginas: 304

Ano: 2017

Sinopse:

Naomi, Rose, Leo e Red são adolescentes enfrentando aquela fase em que se relacionar no colégio é tão difícil quanto encarar os próprios problemas. Red tem uma mãe alcoólatra e um pai ausente; o irmão de Leo está na prisão; Rose usa sexo e drogas para mascarar traumas antigos e Naomi se esconde atrás de peruca e maquiagem pesada. Quatro adolescentes tão diferentes viram melhores amigos quando são obrigados a formar uma banda. O que era uma tarefa chata vira a famosa e popular Mirror, Mirror. Através da música, eles encontram um caminho para encarar o mundo de outra forma. Mas tudo desmorona quando Naomi some misteriosamente e é encontrada, dias depois, entre a vida e a morte. O acidente desestrutura a banda e, consequentemente, a vida de todos. A sólida relação de amizade que eles achavam estar construindo tinha uma rachadura, e tudo o que restam são dúvidas e vazios. O que aconteceu com Naomi? Foi um acidente ou um ataque? Por que ela fugiria e deixaria a banda para trás? Por que esconderia segredos dos seus melhores amigos? Para desvendar o mistério por trás dessa história, Red e os amigos entram em uma investigação que vai desenterrar seus próprios segredos obscuros e fazê-los confrontar a diferença entre o que eles realmente são de verdade e a imagem que passam para o mundo. Em seu romance de estreia, a modelo e atriz Cara Delevingne revela mais um talento ao apresentar um olhar fresco e sagaz sobre questões atuais da juventude: amizade, bullying, identidade, gênero, transtornos emocionais, a influência perigosa das mídias sociais nas relações e o poder destruidor da imagem.

Crescer: uma palavra que significa muito mais do que ganhar tamanho. Crescer é um processo de transformação, de amadurecimento, e é nessa fase da vida que todos nós necessitamos de uma base sólida para que a nossa história siga num fluxo mais seguro.

Mas isso não está em nossas mãos, certo? Nem todos os jovens tem essa base. Muitos vivem à mercê da violência, das drogas, do crime. Outros em crises existenciais pela sua sexualidade, pela sua cor, religião ou classe social. Alguns simplesmente não se sentem dignos de viver. Traídos, humilhados, rejeitados.

A adolescência é uma fase complexa, e neste livro vamos acompanhar a trajetória de quatro jovens que vivem seus traumas e medos de forma intensa, buscando válvulas de escape em coisas que podem levá-los por caminhos sem volta.

“Tudo parece meio estranho, como um quebra-cabeça que foi montado errado.”

Red, Rose, Leo e Naomi vivem cada um em seu mundo, sobrevivendo da forma que lhes convém, mas que nem sempre é aceita pelos que estão ao redor.

Red tem uma mãe alcoólatra, um pai ausente e uma irmã mais nova, Grace, de apenas 7 anos, que é a única razão pela qual ainda vive. Rose, a garota de classe alta, que odeia a madrasta e desconta suas frustrações nas drogas e no sexo.

Leo, um jovem que vive num conjunto habitacional com sua mãe, e aflito com a possível saída de seu irmão da prisão. Naomi, essa tem um bom lar, ótimos pais e uma meia irmã, estranha, mas que a ama muito. Porém, tudo isso não a faz feliz como deveria.

“Porque todas essas merdas assustadoras estão dentro da minha cabeça. Eu só quero que isso pare. Por que não para?”

Encontravam-se eles, jovens de apenas 17 anos, cada um com seus conflitos.
Quando o professor Smith separa a turma em grupos para que trabalhassem na construção de uma banda, os excluídos e “estranhos” são colocados juntos, mesmo a contragosto. Eles jamais imaginavam que, a Mirror, Mirror como Rose batizou a banda, seria a melhor válvula de escape para todos eles. Juntos não se tornaram apenas grandes amigos e confidentes, mas encontraram um no outro a família que faltava em seus respectivos lares.

Mas isso só durou até o desaparecimento da Naomi. A única que aparentemente não tinha razões para fugir de vez!

“Separados, éramos caóticos, estávamos sem rumo e perdidos, esperando essa fase da vida acabar para que pudéssemos viver de verdade, ser livres de verdade. E, então, surgiu a Mirror, Mirror.”

Tempos depois a garota é encontrada em estado grave no rio Tâmisa. Ninguém sabe como ela foi parar ali, e mesmo que a polícia insistisse em dizer que fora apenas uma tentativa de suicídio, seus amigos insistiam o contrário, afinal, um dia antes da garota sumir, ela estava radiante de felicidade.

Apesar de todos os conflitos que os garotos tinham que lidar, estavam dispostos a ir até o final, e descobrir quem era o responsável por deixar a amiga entre a vida e a morte. Talvez Nai não voltasse mais para eles, mas a justiça seria feita!
As pistas começaram a aparecer, e algo inimaginável estava prestes a ser revelado.


“Quando você descobre algo tão devastador quanto aquilo, o que pode fazer em seguida? Como viver o segundo seguinte, e o próximo, sem perder toda a noção do mundo ao redor?”

Cara Delevingne foi magnífica em seu romance de estreia. “Jogo de espelhos”, não é apenas um livro voltado para os dramas vividos por jovens em todo o globo. Aqui é nítido o grito de alerta também para os pais, amigos e todos que cercam os mais diversos jovens perdidos em seu próprio mundo.

A autora tem uma enorme sensibilidade em apresentar diferentes ações e comportamentos que apontam que algo está errado com aquele adolescente ou relacionamento, e esses, muitas vezes passam despercebidos, ou apenas são taxados como drama juvenil. A abordagem do bullying, aceitação, drogas, sexualidade, redes sociais, família e amizades é feita com prudência, mas jamais romantizada!

Muito diferente da imagem que é passada de que a adolescência é a fase mais brilhante da vida, Cara apresenta uma face real, na qual cada um de nós leitores, conseguimos nos conectar de alguma forma com algo vivido por algum dos personagens. É impossível não nos sentirmos emocionados com todos os conflitos existentes aqui. É algo que toca, que grita e que alerta que tanto o bem quanto o mal estão aqui, ao nosso lado.

“Não importa de onde as pessoas são, qual é a cor da pele delas, quanto dinheiro elas têm, se gosta de homens ou mulheres, ou… ou… Qualquer uma dessas merdas. Por que as pessoas não podem simplesmente ser pessoas?”

2 Comentários

  1. Marina Mafra01 maio, 2020Responder
    • Taize Lima26 maio, 2020Responder

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