Promessa de verão (Série Cris #1)

Robin Jones Gunn

Editora: Betânia

Páginas: 150

Ano: 1996

Sinopse:

Ela saiu para passar as férias na Califórnia. E que férias! Passeios em praias maravilhosas, restaurantes, compras no shopping e uma transformação no visual. Nada que lembrasse aquela vidinha sem graça do interior. Foi essa onda de mudanças radicais que levou Cristina Miller ao encontro de uma incrível "Promessa de Verão".

Às vezes a história de um livro se bagunça tanto com a nossa que é quase impossível separá-las. A situação da sua vida, onde e como o livro foi lido, até mesmo a forma que ele chegou nas suas mãos — tudo isso se embaralha nos sentimentos que você nutre por aquele exemplar.

É exatamente o que aconteceu comigo e essa série de livros juvenis que, até hoje, digo a todos que, sem exagero, transformou minha vida.

“Querido Deus, ajuda-me a cumprir a promessa que fiz aos meus pais de não fazer nada de que possa vir a me arrepender. Amém.” p. 29

Eu tinha onze anos de idade, era recém-chegada em Belo Horizonte, para onde os meus pais tinham acabado de se mudar, e não conhecíamos ninguém na nova cidade. Eu estava começando a enfrentar os primeiros questionamentos existenciais típicos da pré-adolescência e vivia num tédio infinito (não tínhamos TV à cabo, nem internet e muito menos celular). E aí fui apresentada a Promessa de Verão, o primeiro de uma série de doze livros juvenis denominada Série Cris.

Mesmo com onze anos de idade, lembro de achar a capa (da edição antiga) um tanto breguinha de tão “cheguei”, mas resolvi dar uma chance. Não apenas pelo tédio mencionado acima, mas porque eu nunca tinha lido um romance cristão juvenil e fiquei curiosa.

 

Mas eu me apaixonei. Li pelo menos outras quinze vezes depois disso. Aprendi valores, aprendi a sonhar de uma forma diferente e amei esses personagens como se fossem reais, como se fossem meus amigos. Eles me fizeram companhia nas outras mudanças e andanças da minha família pelo Brasil e foram os únicos que me entendiam quando eu tomava decisões que eram certas para mim, mas que não eram compreendidas por outras pessoas da minha idade.

Por causa desse livro, escrevi aos treze anos meu primeiro romance (uma fanfic da Série Cris crossover com Tarzan e com a minha própria vida), criei coragem aos quinze pra tentar ler meu primeiro livro em inglês e, um dia, casei com o homem dos meus sonhos, também porque uma série de livros um dia me encorajou a esperar pela pessoa certa, a ter fé e me mostrou que tipo de pessoa esse rapaz poderia ser.

Quando descobri que ela tinha sido relançada no mercado no ano passado, decidi que precisava fazer mais pessoas conhecê-la. A ideia de escrever uma resenha dela me levou a essa tarefa deliciosa, mas apavorante: reler a série pela primeira vez como adulta, mais de vinte anos após meu primeiro contato com os livros. Tarefa deliciosa porque é um livro bem curtinho e leve e eu ainda conseguia me lembrar muito bem de certas cenas e trechos que me fizeram rir e chorar. Apavorante porque sou outra pessoa agora… e se eu odiasse?

“Você está na Califórnia! Viva um pouco! Nós não trouxemos você lá do Wisconsin para passar o verão enfurnada no quarto. Saia e procure fazer amizade com o pessoal aí!” p. 10

A nossa protagonista é a Cris, uma adolescente de 14 anos que vive numa fazenda com os pais num estado americano meio “sem graça”. Ela é convidada a passar suas férias de verão na casa da tia rica numa praia da Califórnia.

Em sua primeira tentativa de fazer amizades na praia, Cris é recebida com zombaria, da parte de surfistas, por seu estilo caipira. Então a tia resolve levá-la para um verdadeiro banho de loja: compras ilimitadas de roupas e acessórios, um novo corte de cabelo, todo um conjunto de maquiagem. Além de tudo, a tia não só permite que a sobrinha faça o que quiser, como a encoraja a fazê-lo. Seria ou não o sonho de toda adolescente?

Com a auto-confiança renovada, Cris tenta novamente e acaba fazendo amizades que a lançam em uma pequena aventura atrás da outra. Dramas familiares, turismo pela Califórnia, mal-entendidos, amadurecimento, amizade e romance com um surfista gatíssimo. Está tudo nesse pacote maravilhoso.

“Primeiro, os adultos insistem em dizer que temos de crescer, ser autênticos e tomar nossas próprias decisões. Depois, quando a gente resolve, eles falam que somos incompetentes e que nossas decisões são insensatas.” p. 49

Bem, a primeira diferença que notei ao reler a série mais de vinte anos depois foi o fato de que agora me identifico muito mais com os adultos da série do que com os personagens principais! (Ha, ha) O que, é claro, fala a favor da verossimilhança da história. Os personagens são muito reais e eu não faço ideia como a autora conseguiu se posicionar tão bem no papel da jovem Cris.

A história se passa nos anos 80 (afinal, ela foi escrita nos anos 80!), o que também é bem legal. Bateu uma nostalgia quando se fala de discos de vinil, fitas cassete e… gasp, cartas escritas à mão.

A escrita é simples e direto ao ponto, mas não é um texto pobre. As poucas descrições são suficientes para gerar atmosfera e para que possamos imaginar os acontecimentos como num filme. A forma que a autora narra é deliciosa.

Fiquei chocada por, vinte anos depois, essa história ainda conseguir me fazer rir e, literalmente, chorar. Achei até um pouco mais engraçada dessa vez, já que na leitura original minhas emoções acompanhavam com muita intensidade cada drama da Cris. Dessa vez, tive um certo distanciamento que me fez achar tudo bem divertido.

“Ela se sentia como uma menininha de três anos, tremendo num canto com sua camiseta de ursinho.” p. 51

“Será que ele tinha noção da montanha-russa emocional em que a estava colocando, uma hora pra cima, outra pra baixo?” p. 98

Não se engane: esse é um romance CRISTÃO. O que significa que a autora não é tímida a respeito de assuntos relacionados à fé. Mas nada que torne a narrativa chata. Pelo contrário. Livros de ficção cristã, em geral, caem muito facilmente no piegas. Personagens têm a tendência a serem bidimensionais: ou você é cristão e é totalmente bom ou você não é cristão e você é mau. Não é o caso da série Cris.

“Em casa era fácil. Todo mundo frequenta a mesma igreja e acredita em Deus. Agora você me diz que se eu quiser ir para o céu tenho de viver conforme o propósito de Deus. Mas qual é a vontade dele, afinal?“ p. 86

O gostoso da série é ver como, ao longo dela, a Cris vai amadurecendo e aprendendo novas coisas. Acompanhar sua vida por esses anos tão cheios de descoberta e reviravoltas.

“Todo mundo me diz
Que caminho devo escolher,
Mas ninguém tem as respostas!
Você sabe me dizer?“ p. 92

Se eu for citar algum defeito é que a edição original (de 1996) tinha vários erros de digitação e pontuação. Como estou na Alemanha, ainda não pude colocar minhas mãos na nova edição relançada pela Editora Betânia em 2019, mas ela veio com a promessa de ter recebido uma extensa revisão (além de ter uma capa muito mais bonita).

Portanto, para concluir, meus medos foram infundados porque a história continua tão real e emocionante quanto sempre foi. Espero que vocês ousem se aventurar, conheçam e se apaixonem por essa série também. É possível comprar tanto o box quanto os livros individualmente, caso você ainda não esteja disposto a investir na série completa. Mas a série completa vale muito a pena!

 

8 Comentários

  1. Marina Mafra01 jun, 2020Responder
    • Marina Mafra01 jun, 2020Responder
    • Noemi Nicoletti02 jun, 2020Responder
  2. Kathyuska02 jun, 2020Responder
  3. Keyla26 jun, 2020Responder
  4. Elisama Lucena21 dez, 2020Responder

deixe seu comentário