Vergonha

Brittainy C. Cherry

Editora: Record

Páginas: 420

Ano: 2019

Sinopse:

Um amor inesperado que surge de forma inusitada e arrebata a vida de Grace Harris. Grace Harris está perdida e sozinha em sua casa em Atlanta depois que o homem que ela pensou que ficaria a seu lado pelo resto da vida traiu sua confiança, partiu seu coração e saiu de casa, deixando seu casamento em suspenso. Grace resolve, então, passar o verão com a família em Chester, sua cidade natal, para respirar, dar um tempo de tudo. Sua vida está uma bagunça e o que ela precisa no momento é de um pouco de gentileza e compaixão. Por incrível que pareça, Grace encontra isso na pessoa mais improvável de todas: Jackson Emery, a ovelha negra da cidade. Conhecido como a erva daninha de Chester, ele é sinônimo de encrenca, e não faz nada para mudar essa imagem. Tendo perdido na infncia o que havia de mais valioso na vida, Jackson se tornou um homem amargurado e não dá a mínima para o que pensam dele. Os caminhos de Grace e Jackson acabam se cruzando de um jeito inusitado e a tristeza profunda que carregam atrai os dois como ímã. Ambos sabem que não foram feitos um para o outro, mas, como tudo vai acabar mesmo com o fim do verão, resolvem deixar rolar e se entregar a uma diversão passageira. Porém, o que Grace não imaginava é que seu coração, já destroçado, seria obrigado a aprender que certos relacionamentos são capazes de causar dores muito profundas, e que é sempre preciso fazer uma escolha.

“Sempre e para sempre”

Quem nunca julgou um livros antes de ler, principalmente pela capa, que atire a primeira pedra. Confesso que durante muito tempo a capa de Vergonha não despertou meu interesse e julguei sim, antes de ler. E esse é exatamente um dos pontos abordados nessa história, os julgamentos que fazemos antes de conhecer as pessoas. 

“É muito fácil julgar os outros quando você está olhando de longe. É fácil olhar para alguém fora o seu mundo e fazer uma porção de afirmações e julgamentos”. Página 88

Grace Harris foi criada na pequena cidade de Chester, onde todos sabem de tudo que acontece. Sendo a filha mais velha do pastor da igreja local, ela sempre precisou agir de maneira exemplar, seguindo à risca as regras de Loretta Harris, sua mãe, uma mulher muito rígida e constantemente preocupada com a reputação da família. Aos 15 anos Grace conheceu Finn, eles começaram a namorar e logo se casaram. Ela tinha certeza de que seriam felizes para sempre. Agora, 15 anos e várias decepções mais tarde, Grace se encontra sozinha em Atlanta, quando o homem que ela ama opta pelo divórcio. Bastante machucada, Grace vai em busca do carinho de sua família em Chester e chegando lá vai se deparar com o julgamento de quem deveria apoiá-la.

“Eu sempre estava bem, mesmo quando não estava”. Página 68

Jackson Emery já sofreu mais do que a maioria das pessoas da sua idade e a maneira como lida com as perdas e frustrações afasta todos de sua vida. Preso em Chester pela obrigação de cuidar do pai, um homem amargurado e controlado pelo álcool, Jackson possui péssima reputação e não dá a mínima para isso, na verdade faz questão de manter a aparência de grosseiro.

“Enquanto eu olhava em seus olhos reconheci algo que via na minha própria alma: solidão”.  Página 64

Duas pessoas opostas, que encaram as coisas de forma totalmente diferente, mas igualmente quebradas encontram, um no outro, o conforto que eles nem mesmo acreditavam merecer.

“Duas pessoas que queriam esquecer tudo juntas… Só havia um milhão de formas como aquilo poderia dar terrivelmente errado”. Página 187

Há pouco conheci essa autora e de imediato me arrependi por passar tanto tempo julgando as capas dos livros dela, pois elas definitivamente não fazem jus à profundidade das histórias de Brittainy C Cherry.

Brittainy escreve com uma delicadeza indescritível, além de sempre surpreender com a sensibilidade que carregam as páginas dos seus livros. Vergonha é o exemplo perfeito do brilhantismo da autora, em diversos momentos me senti abraçada por essa história. Ri, chorei, senti raiva de certos personagens, me apaixonei por outros, em especial um de quatro patas que ganhou meu coração.

“É uma dessas histórias que fazem você querer gritar e berrar de uma vez só. Era o tipo de livro que fazia o seu coração doer e que mesmo que você quisesse parar de ler para respirar um pouco, preferia virar a página para descobrir mais coisas em vez de parar por algo tão pequeno quanto sua necessidade de respirar”. Página 228

Vergonha é uma história sobre traições, desilusões, julgamentos, mas acima de tudo sobre amor, perdão, fé e a principal lição, na minha opinião, é a importância de se amar e se descobrir antes de buscar o amor de outra pessoa.

“Acho que essa é a parte mais difícil de estar sozinha. Não sei como fazer isso. Não sei ficar sozinha porque não sei quem eu sou”. Página 209 

A narração é intercalada pelos protagonistas, várias referências literárias são feitas  e os assuntos abordados (alguns polêmicos) tocam profundamente. Vergonha é um livro intenso, realista e um verdadeiro tapa na cara, daqueles que você termina e fica olhando pro nada sentindo um vazio existencial. Foi uma experiência surpreendente, e que surpresa boa! Totalmente diferente do que eu esperava, acho que todo mundo precisa conhecer esse livro e os outros da autora. Juro que não é exagero!

“Mesmo quando o mundo estava sombrio, as palavras continuavam existindo nos livros. Desse modo, eu sempre sabia que haveria luz à minha volta”. Página 227

“Você não precisa saber o que é amor para saber o que não é amor”. Página 51

6 Comentários

  1. Marina Mafra04 maio, 2020Responder
    • Flávia Braule Pinto04 maio, 2020Responder
      • Stefânia Alves04 maio, 2020Responder
    • Stefânia Alves04 maio, 2020Responder
  2. Erika Leonardo04 maio, 2020Responder
    • Stefânia Alves04 maio, 2020Responder

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